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Gevrey-Chambertin: Structure avec élégance, por Eduardo Araújo
Região ao norte de Dijon construiu reputação com tintos intensos que atravessam décadas em garrafa

Gevrey-Chambertin: Structure avec élégance, por Eduardo Araújo
Seus tintos, marcados por fruta madura na juventude e notas de couro e trufa com o tempo, figuram entre os mais longevos da região. (Foto: Divulgação) ***clique para ampliar foto

Publicado em 26/02/2026

Gevrey-Chambertin pode ser considerada a vila “muscular” da Borgonha. Situada quase em Dijon, no Norte da famosa Côte d’Or, Gevrey é a maior denominação Villages da região mais famosa de Pinot Noir do mundo. Gevrey-Chambertin é o berço de alguns dos tintos mais longevos, estruturados e intensos da Borgonha. Não à toa, o próprio Napoleão Bonaparte era um devoto fervoroso de seus tintos, recusando-se a marchar para qualquer batalha sem o seu estoque pessoal de Chambertin.

O prestígio da comuna é tão visceral que, em 1847, o vilarejo de Gevrey foi o primeiro da Borgonha a ter a permissão de anexar ao seu nome o de seu vinhedo mais sagrado, o Grand Cru Chabertin, tornando-se oficialmente Gevrey-Chambertin. É uma terra de superlativos: aqui encontramos nada menos que nove Grand Crus e 26 Premier Crus, uma densidade climats importantes que poucas regiões podem rivalizar.

O segredo da imponência de Gevrey está na sua geologia única. A encosta é uma exposição incrível de solos calcários do período Jurássico, mas com uma particularidade: o cone da Combe de Lavaux. Este vale lateral traz, além dos dejetos aluviais e coluviais, brisas frescas que moderam a temperatura, garantindo que, mesmo em anos quentes, os vinhos mantenham uma acidez vibrante.

 

Considerada a vila mais estruturada da Borgonha, Gevrey-Chambertin se destaca pela concentração rara de nove Grand Crus e 26 Premier Crus.

 

Os vinhedos situam-se em altitudes que variam entre 240 e 320 metros. No topo, o calcário é mais puro; na base, a argila torna-se mais profunda, conferindo aos vinhos aquele corpo e potência que os diferenciam de seus vizinhos mais "delicados", como Chambolle-Musigny. É essa combinação que gera o famoso perfil de Gevrey: vinhos de cor rubi intensa que, na juventude, trazem fruta madura como groselha, cereja negra e alcaçuz, mas que com o tempo evoluem para notas complexas de couro, trufas e sous-bois.

Falar de Gevrey é falar do mítico vinhedo Le Chambertin. Seus vinhos monumentais, com uma estrutura que exige paciência. Diz a lenda que os Monges de Bèze observavam o Senhor Bertin num vinhedo ao lado e deram o nome do Campo de Bertin ou Chambertin. Ao seu lado, o Chambertin-Clos de Bèze, com sua história monástica com origem em 640 AD, oferece um vinho ligeiramente mais aromático e elegante. Mas o encanto de Gevrey também reside em seus Premier Crus, como o lendário Clos Saint-Jacques, que muitos especialistas argumentam ter qualidade de Grand Cru, oferecendo uma precisão mineral impressionante e os Premier Crus envolvidos por Grand Crus como o Combottes e Petit Chapelle. 

Diz-se que Gevrey-Chambertin produz o "vinho dos reis" tanto pela importância quanto pela sua estrutura, mas hoje, a nova geração de produtores tem buscado um equilíbrio mais fino, reduzindo o uso excessivo de madeira nova para permitir que a pureza do terroir se manifeste. O resultado são vinhos que, embora mantenham sua força histórica, ganharam uma transparência e um frescor que encantam o paladar moderno.  Uma dica imperdível para compreender essa nova era é o Domaine Rossignol-Trapet. Sob o comando dos irmãos Nicolas e David, são um dos pioneiros na certificação biodinâmica da região e entregam vinhos de uma pureza cristalina e taninos finos, que provam que a força de Gevrey pode, sim, caminhar de mãos dadas com a sofisticação e a leveza.

 

 

 

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Sobre o autor

Eduardo Machado Araujo

Eduardo Machado Araujo

Certified Sommelier - Court of Master Sommeliers


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