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Casamento 'morno' pode esconder afastamento profundo
Especialista alerta que ausência prolongada de intimidade pode refletir crises já instaladas no casamento

Casamento 'morno' pode esconder afastamento profundo
Quando o silêncio toma conta da relação, a falta de intimidade pode se transformar em um dos principais sinais de crise. (Foto: Freepik)

Publicado em 29/05/2026

Todo casal pode passar por fases de cansaço, rotina intensa e pouco desejo. Mas quando a falta de intimidade se prolonga e deixa de ser conversada, ela pode indicar que algo na relação precisa de atenção.

Segundo a terapeuta familiar Aline Cantarelli, a ausência de sexo nem sempre é a causa da crise. Muitas vezes, ela aparece como um sinal de que o casal já vinha se afastando antes. “Quando um casal está sem sexo, ele já está em crise. Isso não quer dizer que o casamento esteja fadado ao divórcio. Quer dizer que, se ele está sem sexo há muito tempo, vocês já estão em crise há muito tempo e muitas vezes nem tiveram essa percepção”, afirma.

O Brasil registrou 428.301 divórcios em 2024, segundo as Estatísticas do Registro Civil do IBGE. O número caiu 2,8% em relação a 2023, após três anos de alta, mas ainda ajuda a dimensionar a presença do tema na vida das famílias brasileiras.

Para Aline, o sexo funciona como um termômetro da relação. Não porque seja o único fator importante de um casamento, mas porque pode revelar como estão o diálogo, a parceria, o cuidado e a conexão entre os dois. “O mais importante da relação é o amor, a construção da capacidade de amar. Mas, quando a gente olha para o sexo como termômetro, consegue perceber para onde as coisas estão andando”, diz.

5 sinais de que a falta de intimidade merece atenção

O assunto virou silêncio

Quando o casal deixa de falar sobre o que sente, a falta de sexo pode se tornar apenas mais um sintoma de distanciamento. O problema não está só na redução da frequência, mas na ausência de conversa sobre o que mudou.

Para Aline, casais em crise muitas vezes seguem juntos na rotina, mas deixam de nomear o desconforto. Um dos primeiros passos é conseguir dizer, com respeito, que algo não está bem.

O sexo virou obrigação

Outro sinal de alerta é quando a intimidade passa a ser vivida de forma mecânica, sem entrega ou presença. Segundo a terapeuta, quando chega nesse ponto, o ato sexual pode deixar de aproximar o casal e indicar que já existe um distanciamento.

Um dos dois se sente usado ou rejeitado

Aline explica que muitos conflitos aparecem quando uma das partes sente que só é procurada quando atende a uma necessidade do outro. Isso pode acontecer tanto com homens quanto com mulheres.

Na avaliação dela, quando o parceiro ou a parceira se sente visto apenas pelo que entrega, e não por quem é, a intimidade tende a perder força.

Sexo virou punição depois de brigas

Usar o afastamento sexual como forma de castigo também pode aprofundar o problema. Para Aline, reagir à mágoa com punição costuma gerar mais imaturidade e infelicidade na relação. “Um papo reto, com respeito, pode funcionar muito melhor do que greve de sexo ou uma discussão”, orienta.

Os gestos simples desapareceram

A terapeuta defende que a intimidade não começa apenas na cama. Ela também é construída em atitudes pequenas, como uma conversa, um abraço, uma mensagem, um convite para sair, uma demonstração concreta de cuidado. “A construção da intimidade dá trabalho. Não é espontâneo que surge um beijo ou um abraço. Às vezes, é preciso esforço intencional”, diz.

Falta de sexo não significa fim do casamento

Para Aline, um casamento sem sexo não deve ser tratado automaticamente como uma sentença. O ponto principal é entender o que esse afastamento está comunicando.

Ela afirma que muitos casais se acostumam a pensar em apenas duas saídas: aceitar um casamento morno ou terminar a relação. Mas existe uma terceira possibilidade, que é olhar para o que está ruim e tentar reconstruir o vínculo. “A terceira via é consertar o que está ruim, amadurecer, se autodescobrir e reconstruir a relação de uma maneira verdadeira”, explica.

Essa reconstrução, segundo ela, passa por conversas francas, atitudes intencionais e disposição para mudar comportamentos que alimentam o afastamento.

Como começar a conversar

A orientação da terapeuta é começar por uma fala direta e respeitosa sobre o que está sendo sentido. Em vez de transformar o tema em punição ou cobrança, o casal pode tentar nomear o incômodo e propor uma mudança.

Frases como “sinto que estamos distantes”, “isso não está bom entre a gente” ou “precisamos olhar para a nossa intimidade” podem abrir espaço para uma conversa menos defensiva.

Para Aline, o caminho não é esperar que o outro adivinhe tudo, nem transformar a falta de sexo em arma dentro da relação. O cuidado começa quando os dois conseguem reconhecer que a intimidade precisa ser construída também fora da cama. “Você precisa ir atrás do que quer e falar de um modo respeitoso, cativante e afetivo. Isso faz diferença na construção da intimidade do casal”, afirma.

 

 

Da redação

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