Casa renovada sem gastar tanto é possível
Com a alta dos custos da construção, a pintura permite atualizar ambientes sem trocar pisos ou remover revestimentos
Renovar a casa não exige necessariamente trocar pisos, remover revestimentos ou fazer uma reforma completa. Com os custos da construção civil em alta, a pintura aparece como uma alternativa para atualizar os ambientes com intervenções mais simples, desde que as superfícies estejam em boas condições.
Dados do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Sinapi), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o custo nacional da construção acumulou alta de 5,63% em 2025. No período, os materiais subiram 4,20%, enquanto a mão de obra teve aumento de 7,63%. Embora os índices não representem exclusivamente reformas residenciais, ajudam a explicar a importância de planejar os gastos.
Nesse cenário, paredes, portas e até revestimentos preservados podem ganhar uma nova aparência com produtos adequados, evitando substituições desnecessárias.
Para a designer de interiores Sofia Kerr, o primeiro passo é avaliar as condições do espaço e entender sua finalidade antes de definir as mudanças.
“É fundamental entender duas coisas: a função do ambiente e o que podemos fazer para que ele tenha o melhor desempenho possível. Só depois disso vem a parte estética, que é o que vai dar personalidade à casa ou ao escritório”, explica.
Escolha dos produtos influencia os custos
Em paredes internas bem conservadas, tintas acrílicas podem atender a diferentes projetos e orçamentos. Na escolha, é importante observar características como rendimento, cobertura e resistência à limpeza.
A preparação da superfície também interfere no resultado. Produtos específicos para gesso e drywall, por exemplo, podem facilitar algumas etapas da aplicação, conforme as condições da base e as recomendações do fabricante.
Outra possibilidade é renovar revestimentos sem precisar removê-los. Tintas epóxi à base de água, indicadas para azulejos, permitem modificar a aparência de cozinhas e banheiros. A alternativa pode evitar despesas com demolição, descarte de entulho e instalação de novas peças.
O acabamento também merece atenção. Tintas foscas ajudam a disfarçar pequenas irregularidades visuais, enquanto opções acetinadas ou semibrilhantes podem facilitar a limpeza em áreas de maior contato, desde que sejam adequadas ao ambiente.
Cores e iluminação transformam os espaços
Além de renovar as superfícies, a pintura permite mudar a percepção visual dos cômodos. A combinação entre tonalidades e iluminação pode criar sensações de amplitude, profundidade e aconchego sem alterações na estrutura da casa.
“ A cor e a luz são fundamentais e influenciam diretamente a nossa percepção de volume. Em geral, cores mais claras refletem mais luz e podem transmitir a sensação de amplitude, enquanto cores mais escuras podem criar profundidade e aconchego”, explica Sofia.
O efeito depende também da iluminação natural, da área pintada e da combinação com os demais elementos da decoração. Por isso, a escolha das cores deve considerar o conjunto do ambiente, e não apenas a preferência por uma tonalidade isolada.
A designer incentiva escolhas que expressem a identidade dos moradores, desde que exista planejamento. “Precisamos ousar mais e ter menos medo de transformar a nossa casa. É o lugar onde vivemos, onde construímos histórias, e faz sentido que ele tenha a nossa identidade. Com planejamento, é possível criar ambientes cheios de personalidade”, afirma.
Pequenas intervenções também fazem diferença
A renovação pode ir além das paredes. Portas de madeira e portões de metal, por exemplo, podem ser atualizados com esmaltes específicos para cada superfície. Já as massas decorativas com efeito de cimento queimado permitem criar um visual contemporâneo sem instalar novos revestimentos.
Em casas com crianças ou animais de estimação, tintas com maior resistência à limpeza também podem ser uma opção. Apesar de algumas apresentarem custo inicial mais elevado, a facilidade de remover manchas pode ajudar a reduzir a necessidade de manutenção frequente.
Outra estratégia é dividir a renovação em etapas, começando pelos cômodos que mais precisam de reparos ou nos quais a mudança terá maior impacto visual. Assim, os gastos podem ser distribuídos ao longo do tempo.
Para Sofia Kerr, quando o orçamento é limitado, a criatividade e a pesquisa ajudam a encontrar alternativas viáveis.
“Quando o orçamento é limitado, a criatividade precisa ser ilimitada. Muitas vezes, isso significa colocar a mão na massa, pesquisar, entender a função do espaço e encontrar soluções a partir do que já temos disponível”, afirma.
A profissional ressalta, porém, que é necessário avaliar o custo-benefício de cada ideia e identificar quais mudanças realmente compensam.
Antes de decidir, também é importante calcular o rendimento da tinta, a quantidade de demãos, os custos de preparação, a mão de obra e a durabilidade esperada.
Quando a estrutura está preservada e a necessidade é principalmente estética, a pintura pode ser uma alternativa para renovar a casa com menos etapas e aproveitar elementos que ainda estão em boas condições.
Da redação
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