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Saúde pélvica exige atenção durante a menopausa
Alterações hormonais podem favorecer incontinência urinária, dores nas relações sexuais e outras disfunções do assoalho pélvico

Saúde pélvica exige atenção durante a menopausa
A redução dos níveis de estrogênio pode agravar disfunções do assoalho pélvico, mas existem alternativas de tratamento, como a fisioterapia especializada e o acompanhamento multidisciplinar. (Foto: Divulgação)

Publicado em 01/11/2026

A perda involuntária de urina, a dor durante as relações sexuais e a sensação de peso na região íntima podem se tornar mais frequentes com a chegada da menopausa. Além das ondas de calor e do ressecamento vaginal, as alterações hormonais também afetam a saúde pélvica, interferindo no funcionamento da bexiga, na sustentação dos órgãos e na vida sexual.

Segundo projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), citadas pelo Ministério da Saúde, cerca de 37 milhões de brasileiras têm entre 40 e 65 anos. Dados da Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) apontam que aproximadamente 27 milhões de mulheres vivem a menopausa ou o climatério no país.

A redução dos níveis de estrogênio provoca mudanças na elasticidade, na lubrificação e na vascularização dos tecidos íntimos. Essas alterações podem agravar disfunções do assoalho pélvico, conjunto de músculos e tecidos responsável por sustentar a bexiga, o útero e o reto, além de contribuir para o controle urinário e a função sexual.

Segundo a fisioterapeuta Marielle Yali, muitas mulheres acabam considerando esses desconfortos consequências naturais do envelhecimento e deixam de procurar ajuda.

“A musculatura íntima perde elasticidade e capacidade de resposta funcional ao longo do tempo, especialmente quando nunca recebeu cuidado específico. Isso pode gerar dor, insegurança e perda de qualidade de vida, mas é possível intervir”, explica.

Tratamento vai além da reposição hormonal

Nem todos os sintomas íntimos estão relacionados exclusivamente à queda hormonal. Alterações musculares, dificuldades de coordenação do assoalho pélvico e fatores físicos e emocionais também podem contribuir para os desconfortos.

A fisioterapia na saúde da mulher é uma das alternativas de tratamento para casos de incontinência urinária, dor e disfunções musculares. Após uma avaliação individualizada, podem ser indicados exercícios específicos, alongamentos e técnicas de relaxamento, conforme as necessidades de cada paciente.

O acompanhamento pode ocorrer em conjunto com o tratamento ginecológico, incluindo terapias hormonais quando recomendadas pelo médico. O objetivo é recuperar funções comprometidas e melhorar a qualidade de vida.

Alimentação também influencia a saúde pélvica

Condições metabólicas e nutricionais também podem interferir na saúde durante o climatério e a menopausa. A nutricionista Susana Merino destaca que resistência à insulina, processos inflamatórios e deficiências nutricionais devem ser considerados no acompanhamento.

“A alimentação influencia a saúde dos tecidos, a resposta inflamatória e até a percepção da dor. Cuidar do corpo de dentro para fora faz parte do tratamento”, afirma.

Por isso, o atendimento pode envolver diferentes especialidades, como fisioterapia, ginecologia, nutrição e psicologia, de acordo com as necessidades de cada mulher.

A orientação dos profissionais é que escapes urinários recorrentes, dor durante as relações sexuais e outros desconfortos persistentes sejam investigados. Esses sintomas não devem ser encarados como consequências inevitáveis do envelhecimento, pois existem alternativas de tratamento.

 

 

Da redação

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