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Luiza Lins completa 25 anos à frente da Mostra de Cinema Infantil e anuncia que vai lançar seu primeiro longa
Em exclusiva para o Imagem da Ilha, cineasta resgata a história da Mostra, avalia as conquistas junto à formação de público e anuncia um novo projeto

Luiza Lins completa 25 anos à frente da Mostra de Cinema Infantil e anuncia que vai lançar seu primeiro longa
A cineasta Luiza Lins completa 25 anos à frente da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, que chega à 25ª edição com 137 filmes, oficinas, debates, masterclass e ações em quase 200 escolas da Grande Florianópolis. (Foto: Carolina Arruda)

Publicado em 07/10/2026

A cineasta Luiza Lins está completando 25 anos à frente da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, a mais longeva e uma das principais janelas do audiovisual para crianças no Brasil. Só na edição do ano passado, a Mostra atingiu 45 mil pessoas, recorde que deve ser superado neste ano. Para isso, Luiza está trazendo para o CIC e para quase 200 escolas da Grande Florianópolis nada menos que 137 filmes, entre longas e curta-metragens, nacionais e internacionais. Também serão realizadas oficinas de audiovisual, debates e masterclass de roteiro, além de exposição com uma retrospectiva das 25 edições da Mostra e lançamento do vídeo “Sonhos, Desejos e Esperanças das Crianças no Brasil”.

Nesta entrevista exclusiva para o Imagem da Ilha, Luiza faz um balanço deste histórico da Mostra e revela todo seu entusiasmo e motivos para seguir com esse projeto.

Quem era a Luiza Lins de 25 anos atrás?

Em 2002 eu tinha 40 anos, dois filhos, um menino de 2 e uma menina de 10 anos. Tinha acabado de voltar para a faculdade para fazer um curso de italiano, e era produtora executiva do meu marido, o cineasta Chico Faganello. Mas sentia que ainda não estava profissionalmente onde queria. Eu sempre quis trabalhar com crianças, mas não sabia como. Até que uma amiga na época trouxe a ideia de fazer ou uma Mostra de Cinema e Literatura, ou uma Mostra de Cinema para crianças. Quando ela falou cinema para crianças algo mexeu comigo profundamente. Me lembrei de quando era criança e jovem, e que vivia no cinema. Fui muito privilegiada no sentido de desfrutar de muita arte e cultura. Lembrei dos meus filmes favoritos, lembrei do impacto da tela e dos filmes brasileiros em mim... Sou catarinense e morei no Rio de Janeiro dos 7 aos 27 anos, e pude aproveitar muito do que a cidade oferecia. Sou muito grata por isso, e acredito que toda a criança tem o direito de ter acesso a arte, principalmente ao cinema. Acho que foi isso que me fez seguir em frente e começar a realizar a Mostra em Florianópolis.

 

Além das sessões no CIC, produções selecionadas serão exibidas em 190 escolas de Florianópolis e Palhoça.

 

Aquela Luiza imaginava onde essa Mostra chegaria e que seria tão longeva assim?

Acho que não. Na verdade, fazer a Mostra anualmente é um grande desafio. Acho que eu nem pensava direito em qual número estava. Eu só ia fazendo!! E de repente, chego aos 25 anos. Estou muito feliz de ter feito tantos anos.

Por que é tão difícil formar um público com sensibilidade para o cinema no Brasil?

É uma situação complexa, e que envolve muitas coisas. O mercado audiovisual para crianças é totalmente dominado pelos EUA, que tem uma produção gigante focada na infância, e de muita qualidade. Então desde criança vai se moldando o gosto e formando as nossas crianças para o cinema americano. O que ao meu entender, é ruim não só para a formação de plateia, mas também para a formação da cidadania. Porque crescemos sem conhecer a nossa cultura. E a gente não ama o que não conhece. Além disso, existe uma lacuna de políticas públicas que incentivem a produção e difusão de filmes brasileiros para este público, ao mesmo tempo que alguns filmes brasileiros para meninos e meninas tem muita bilheteria. É uma situação curiosa. Desde o início da Mostra trabalho para que o mercado olhe para este segmento, que representa 25 % da população.

⁠Que legado você acredita que a Mostra vai deixar? As crianças de 2001 são adultos formados hoje. O que o teu trabalho impactou na formação delas?

Algumas gerações assistiram aos filmes da Mostra, e com certeza têm boas lembranças disso. Diariamente encontro pessoas que ficam feliz quando me encontram e me dizem que tem muitas lembranças afetuosas da ida ao cinema, ou com a escola, ou com a família. Assim como eu demorei a entender a influência do cinema na minha vida, muitas também não se dão conta disso ainda. Outras frequentaram a Mostra por muitos anos, e já tem uma consciência da formação cultural especial que tiveram assistindo aos filmes da Mostra, nacionais e internacionais. Também vemos muitos jovens seguindo carreiras relacionadas ao cinema. E vale dizer, Santa Catarina, que quando a mostra começou não tinha nenhum filme produzido para crianças, hoje é o terceiro estado que mais produz para este público. Uma ida ao cinema é algo que impacta demais. A tela grande, a experiência individual, mas também coletiva.

Até onde a Luiza vai?

O meu amor pelo cinema me fez chegar até aqui. E pretendo continuar por muito tempo. A Mostra vai continuar acontecendo, porque ela é realizada com o apoio de uma equipe incrível e competente, que faz ela acontecer sempre com muito sucesso. Também quero realizar o meu longa metragem. Já produzi 3 curtas metragens e acho que na minha história de cineasta seria legal fechar com um longa. Tenho trabalhado no roteiro e quero produzir ele para lançar na Mostra. Vai demorar ainda, mas quem sabe quando isso acontecer, finalizo esta história de muito amor pelo cinema.

 

Com 137 filmes na programação deste ano, a Mostra amplia seu alcance e celebra uma trajetória dedicada ao cinema para crianças.

 

Confira mais informações sobre a Mostra.

 

 

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Sobre o autor

Karin Verzbickas

Karin Verzbickas

Jornalista conhecida por suas resenhas de filmes no Jornal Imagem da Ilha


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