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PERIGO: O risco invisível nas praias catarinenses
Com formação rápida, as corretes de retorno arrastam o banhista desatento

PERIGO: O risco invisível nas praias catarinenses
Um dos maiores desafios enfrentados pelo Corpo de Bombeiros é o de elevar o nível de consciência das pessoas com o mar, como respeitar a sinalização da bandeira vermelha, que indica uma corrente de retorno. Foto: Tiago Ghizoni / SECOM

Publicado em 02/02/2026

A maior parte dos casos de afogamento registrados no litoral de Santa Catarina tem uma origem comum: as correntes de retorno. Invisíveis para muitos banhistas, elas seguem sendo apontadas pelo Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC) como o principal risco em praias de água salgada, especialmente durante a alta temporada.

Levantamento da Operação Estação Verão mostra que, entre 15 de dezembro e 18 de janeiro, foram contabilizados 1.289 arrastamentos causados por correntes de retorno e 42 afogamentos com recuperação em praias catarinenses. Ao todo, 1.331 pessoas precisaram de algum tipo de salvamento nesse período. Apesar dos números expressivos, os dados também revelam um avanço importante: houve redução de cerca de 41% nos arrastamentos em comparação com a temporada anterior, quando foram registrados 2.190 casos.

Segundo os bombeiros, o resultado está diretamente ligado ao reforço das ações preventivas, à ampliação da sinalização nas praias e ao trabalho constante de orientação ao público.

 

Fenômeno rápido e perigoso

As correntes de retorno se formam quando a água que chega à faixa de areia encontra um caminho concentrado para voltar ao mar. Esse fluxo cria uma espécie de canal que pode levar o banhista rapidamente para áreas mais profundas. O maior perigo não é ser puxado para baixo, mas o cansaço causado pela tentativa de nadar contra a força da corrente.

Por isso, os bombeiros reforçam que reconhecer esse fenômeno e saber como agir pode ser decisivo para evitar situações mais graves.

 

Sinalização e comportamento fazem a diferença

Em praias com presença de guarda-vidas, as áreas com corrente de retorno são sinalizadas com bandeiras vermelhas, indicando locais impróprios para banho. A orientação é respeitar sempre essas demarcações.

Para a major Natália Cauduro da Silva, subcomandante do Batalhão de Florianópolis do CBMSC, a atitude do banhista é fundamental. “Quanto maior a quantidade de água trazida pelas ondas, maior será o volume que precisa retornar ao mar, aumentando a força da corrente.

 

Se cair na corrente, o que fazer

Se a pessoa perceber que está sendo puxada, deve acenar para o guarda-vidas, evitar nadar contra a corrente e optar por nadar paralelamente à praia ou flutuar até o resgate”, explica.

 

Atenção redobrada com crianças

Embora os registros indiquem maior número de ocorrências envolvendo jovens entre 24 e 25 anos, as crianças exigem cuidados ainda maiores. Mesmo correntes consideradas fracas podem ser suficientes para arrastá-las.

A recomendação do CBMSC é que crianças permaneçam sempre na parte rasa e nunca fiquem a mais de um braço de distância do adulto responsável. Como medida adicional de segurança, os postos de guarda-vidas disponibilizam gratuitamente pulseiras de identificação infantil.

 

Balanço recente da temporada

Na semana entre 13 e 19 de janeiro, as equipes de guarda-vidas civis e militares realizaram 307 salvamentos e cerca de 1 milhão de ações preventivas. Desse total, seis casos foram de afogamento com recuperação e 301 envolveram arrastamentos por corrente de retorno. No mesmo período, foram registrados dois óbitos por afogamento em áreas sem cobertura de guarda-vidas.

O comparativo semanal também aponta aumento nos acidentes com águas-vivas, que passaram de 1.047 para 2.036 ocorrências, além do crescimento no número de salvamentos, de 232 para 307. Os dados reforçam a importância da prevenção e da atenção constante dos banhistas ao frequentar o mar.

 

Da redação

Fonte: RCN

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