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Secretário Rafael Hahne projeta Floripa para 2026
Em entrevista, Rafael Hahne aponta prioridades viárias, detalha obras em andamento e novos projetos para enfrentar os gargalos da Capital

Secretário Rafael Hahne projeta Floripa para 2026
Hahne apresenta o atual cenário da mobilidade, aponta limitações financeiras e descreve como o município busca reorganizar o trânsito de forma mais eficiente. (Fotos: Imagem da Ilha)

Publicado em 27/11/2025

Servidor de carreira do município, o engenheiro Rafael Hahne está à frente da Secretaria de Infraestrutura e Manutenção, com a missão de atacar os principais gargalos de mobilidade - problema histórico da cidade que se agrava durante a temporada de verão. Ele enfrenta desafios, como a geografia peculiar e a expansão demográfica acima da média. Nesta entrevista, Hahne fala sobre obras em andamento - como a ampliação da SC-401 - e projetos previstos para 2026, como a requalificação da SC-404, via de acesso à Lagoa da Conceição. O secretário também comenta sobre a preparação do edital para a retomada da Zona Azul, a possibilidade de municipalizar as rodovias estaduais dentro de Florianópolis e mudanças no pagamento das tarifas de ônibus a partir de janeiro. 


Imagem da Ilha: Em que estágio está a obra da SC-401? Há preocupação com transtornos na temporada de verão por conta do aumento de fluxo?

Hahne - Temos conversado com o governo do Estado, com duas preocupações principais. A primeira é garantir que tudo o que estiver pronto já funcione durante a temporada, mesmo que a obra completa só termine para o verão 2026/202. O governo foi parceiro e tem buscado alternativas — como a pista auxiliar na subida das madeireiras, criando uma terceira faixa para evitar prejuízo ao fluxo caso algum ônibus ou caminhão quebre. A segunda preocupação é evitar que a obra em execução prejudique ainda mais a fluidez. Por isso, os trabalhos estão concentrados no período noturno e a empresa vai interromper as atividades de 20 de dezembro a 15 de janeiro, período mais crítico do movimento.

 

Rafael Hahne destaca que a execução da SC-401 foi reorganizada para garantir menos transtornos aos motoristas, com frentes de trabalho noturnas e ajustes coordenados para preservar a fluidez diária.

 


Imagem da Ilha: Como está a discussão sobre a via exclusiva para ônibus?

Hahne - Inicialmente estudamos usar a terceira pista da via rápida, mas o governo do Estado e a Polícia Rodoviária avaliaram que poderia gerar insegurança. Então, estamos definindo a implantação de um corredor na via marginal, onde o trânsito é mais lento e mais adequado ao teste de operação. O desenho ainda não está totalmente definido. Sugerimos que o corredor não fique na pista da direita, mas sim junto ao canteiro central, para garantir mais velocidade aos ônibus e menos cruzamentos. A ideia é criar bolsões de travessia com abrigos no canteiro central — um projeto diferenciado.

 


Imagem da Ilha: Existe discussão sobre municipalizar trechos das rodovias estaduais?

Hahne - Em alguns trechos urbanos faz sentido, mas dentro da ilha são 120 km de rodovias estaduais. Municipalizar tudo seria inviável financeiramente — não temos capacidade de investimento para manutenção, melhoria e operação desse volume. Para os eixos conectores principais, o Estado ainda é essencial. Nas áreas mais urbanas, podemos discutir parcerias, convênios ou adoção de trechos, mas a transferência completa é improvável.

 


Imagem da Ilha: E a perspectiva da obra de revitalização da SC-404?

Hahne - O projeto está na etapa final de aprovação pelo Estado. Assim que validado, será feito o orçamento. A intenção é iniciar as obras no ano que vem, após a fase crítica da 401. O trecho é do cemitério do Itacorubi até a subida do Morro da Lagoa, com quatro pistas (duas em cada sentido), ciclovia e passeio. O investimento deve superar os R$100 milhões. Hoje, a SC-401 e a SC-404 são as duas rodovias mais críticas da cidade.

 

Imagem da Ilha: E o túnel do Morro da Lagoa?

Hahne - O estudo de viabilidade mostrou custo superior a R$ 500 milhões. Com esse valor, conseguiríamos realizar diversas obras urbanas prioritárias. Além disso, o túnel não resolveria os gargalos de chegada e saída da Lagoa. No momento, não vejo viabilidade técnica nem econômica.

 

Imagem da Ilha: As cidades brasileiras foram, e são, pensadas em torno do carro. Como a infraestrutura pode contribuir para a discussão desse conceito de cidade e, talvez, tentar dar menos prioridade para o carro?

Hahne - A gente tem que buscar um equilíbrio. Hoje o sistema está muito desequilibrado, pendendo muito para o transporte individual. E as pequenas ações que a gente faz demonstram que, se a gente der oportunidade, o multimodal ou o transporte coletivo ganham muitos usuários. Estamos buscando recursos para fazer corredores exclusivos de ônibus. Pretendemos começar, no início do ano que vem, o BRT do trecho sul. Mas, por exemplo, os patinetes elétricos e as bicicletas elétricas são um fenômeno. Lançamos na bacia do Itacorubi, que é topograficamente favorável, e funcionou muito bem. As viagens de ônibus diminuíram tanto que tivemos que tirar algumas linhas, porque a demanda caiu e o patinete e a bicicleta elétrica se tornaram a escolha da população. Em termos de conceito de cidade, implementamos a captação de recursos para obras de infraestrutura e melhorias operacionais constantes no transporte coletivo. Compramos novos ônibus com ar-condicionado, suspensão a ar, câmbio automático e tomadas USB. Chegaram sete em outubro, vão chegar mais nove, e estamos assinando a compra de mais 25 novos ônibus para fevereiro. Florianópolis hoje tem a maior integração do Brasil: três horas em qualquer sentido. A pessoa pode vir do Norte da Ilha ao centro, fazer uma consulta e voltar pagando uma tarifa. Poucas cidades têm isso.

 

A conversa aprofunda temas como corredores de ônibus, BRT, municipalização de rodovias, tecnologia no estacionamento rotativo e o novo cartão turista.

 

 

Imagem da Ilha: Como está a preparação do edital para a nova Zona Azul?

Hahne - Todo mundo conhece o histórico complicado dos processos licitatórios de Zona Azul em Florianópolis. Então, estamos tomando o máximo de cuidado para montar um processo seguro e tecnicamente adequado, sem cometer erros que gerem novos problemas. Além disso, a tecnologia mudou muito. Estamos estudando modelos, porque sistemas que existiam no ano passado já ficaram obsoletos. Queremos fazer um bom edital. A ideia é criar uma área amarela no centro e hipercentro, com rotatividade maior e valor de estacionamento mais alto — equivalente ao preço da tarifa de ônibus. Quer vir de carro? Pode. Mas cada hora estacionada vai custar uma passagem. O hipercentro inclui Gama D’Eça, Osmar Cunha, Francisco Tolentino, Rio Branco, Beira Mar Norte, entre outras. Manteremos Zona Azul de duas horas e Zona Branca de cinco horas em áreas mais afastadas, incluindo continente, Santa Mônica, Trindade e alguns balneários na temporada. A ideia é usar menos monitores de rua e mais tecnologia com câmeras de leitura de placa, ganhando escala na fiscalização. Pesquisamos editais no Brasil todo e vimos que o país está migrando para o modelo de serviço, e não concessão. 

 

Imagem da Ilha: Sobre o transporte, há alguma mudança importante prevista?

Hahne - Sim. A partir de 5 de janeiro, o sistema de transporte não aceitará mais dinheiro nos ônibus. Como no verão o uso por turistas cresce, vamos iniciar uma campanha de comunicação com CDL, Acif, supermercados, rede hoteleira e outros, explicando como funciona o cartão turista, que agora será um cartão colecionável. Muitas cidades do mundo fazem isso: o cartão vira um souvenir com imagens da cidade. Ele funciona como um cartão normal, recarregável. A diferença é que o cartão turista tem o mesmo valor do vale-transporte — um pouco mais caro que o cartão cidadão — pois não faz sentido subsidiar a tarifa do turista.

 

Máquinas seguem operando na SC-401 durante a madrugada para evitar impacto no fluxo. Clique aqui e veja! 

 

 

Confira um trecho da entrevista de Fábio Gadotti com o secretário Rafael Hahne.

 

 

Entrevista, decupagem e edição: Fábio Gadotti

Direção, fotos, vídeo e supervisão: Herman Byron Neto

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Sobre o autor

Fábio Gadotti

Fábio Gadotti

Jornalista com passagem pelos principais veículos de Santa Catarina


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