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Secretário de Saúde Almir Gentil aposta em 2026
Depois de um ano de a ajustes, pasta da Saúde promete surpreender já na virada do ano

Secretário de Saúde Almir Gentil aposta em 2026
Médico gastroenterologista formado pela UFSC, com especialização na Espanha, Almir Gentil leva para o governo Topázio a experiência em gestão de saúde na área privada. (Foto: Leonardo Sousa/PMF)

Publicado em 29/12/2025

O médico Almir Gentil, que está à frente da Secretaria de Saúde de Florianópolis desde abril de 2025, afirma que o município está pronto para a temporada de verão, período em que as demandas na área aumentam cerca de 30%. O poder público, segundo ele, ajustou escalas e providenciou reforços pontuais para dar conta dos atendimentos nas unidades da rede municipal. "Sabemos que esse ano o movimento vai ser ainda maior, mas estamos preparados", afirma. Médico gastroenterologista formado pela UFSC, com especialização na Espanha, Almir leva para o governo Topázio a experiência em gestão de saúde na área privada. Nesta entrevista, o secretário fala também sobre os desafios do cargo, a utilização de ferramentas como a Inteligência Artificial e atualiza informações sobre o projeto de implantação do multihospital do Norte da Ilha de SC. Além disso, explica porque a capital catarinense segue como referência nacional no combate à mortalidade materna e infantil.

 
Imagem da Ilha: Quais os principais desafios quando se fala em gestão pública na área da saúde em Florianópolis?

Sec. Almir Gentil: O grande gargalo não é só financeiro, existem burocracias e você precisa trabalhar com criatividade. Um exemplo: tínhamos dinheiro em caixa para comprar um mamógrafo por emenda parlamentar, mulheres necessitando do exame — e levamos nove meses para conseguir adquirir o aparelho. A primeira licitação deu problema e a segunda foi impugnada por um detalhe de uma vírgula. É tudo muito complexo. Algo que na iniciativa privada se resolve em uma semana pode demorar nove meses no serviço público. Outro ponto é que a tabela do SUS não é atualizada com a necessidade de que deveria ser. Com isso, às vezes, a contratualização com a iniciativa privada não é tão fácil. Mas, apesar das dificuldades, o serviço público tem capacidade de se reinventar com inteligência em saúde e focando em diagnósticos precoces.

 

Os baixos números de mortalidade materna e infantil em Florianópolis impressionam. Como a cidade chegou a esse patamar?

É um resultado construído há muitos anos, começando com o programa Capital Criança, da ex-prefeita Angela Amin, que foi reconhecido pela ONU. É um marco na saúde em Santa Catarina e no Brasil. O programa mostrou que, com número adequado de consultas de pré-natal e cuidados básicos no nascimento, os índices e mortalidade materna e infantil caem drasticamente. Hoje, Florianópolis tem os melhores índices do Brasil, equivalentes aos da Europa. Nos países desenvolvidos, a mortalidade infantil - crianças que morrem até 1 ano - está em dígito único. Em algumas regiões do Brasil, supera 20. Florianópolis, por sua vez, tem 6 mortes por ano a cada mil nascidos. E as crianças que morrem - por isso não é zero em nenhum país do mundo - é porque nasceram com cardiopatias ou outras grandes complicações. A mortalidade materna tende a ser zero na capital catarinense. Em 2024, tivemos um óbito e neste ano estamos com zero até agora (22 de dezembro). Isso depende de uma serie de fatores, como as seis consultas de pré-natal. Porque as principais causas de morte são hipertensão e diabetes descompensada.

 

Como o município se preparou para a temporada de verão, quando a demanda de saúde aumenta cerca de 30% em Florianópolis?

Fizemos um estudo de fluxo, como na iniciativa privada. Ajustamos escalas e providenciamos reforços pontuais. No verão 2023/2024, tivemos filas históricas, de seis a oito horas para casos não graves. Com as medidas implementadas na temporada passada, ficamos dentro do padrão internacional: até duas horas para pacientes não graves, atendimento imediato para gravíssimos e 15 minutos para medianamente graves. Sabemos que esse ano o movimento vai ser ainda maior, mas estamos preparados. Ampliamos, por exemplo, o horário do Centro de Saúde dos Ingleses/Sítio Capivari até 22h, para evitar sobrecarga nas UPAs. Na vigilância sanitária e epidemiológica, reforçamos o controle de esgoto, contaminação e qualidade da água do mar. Em janeiro vamos ter as motolâncias, duas motos com socorristas altamente treinados, que chegam onde as ambulâncias não conseguem devido ao trânsito.

 

A secretaria tem adotado soluções tecnológicas e feito experiências em inteligência artificial?

Em relação à tecnologia de forma geral, estamos com várias iniciativas em andamento. Nas salas de vacina, por exemplo, testamos dispositivos que enviam alerta para os coordenadores no caso de queda de energia — evitando perda de vacinas no fim de semana. Em IA, estamos testando um modelo, acoplado ao prontuário eletrônico: o médico registra sintomas e o sistema sugere hipóteses diagnósticas e exames essenciais — aumentando assertividade e reduzindo custos. Estamos seguindo o que fazem hospitais como o Einstein e o Sírio Libanês.

 

Previstas para iniciar operação em janeiro, as motolâncias (duas motos com socorristas altamente treinados) já estão em funcionamento desde o fim de dezembro. A agilidade permite chegar a locais onde ambulâncias enfrentam dificuldades por causa do trânsito. (Foto: Imagem da Ilha) 

 

 

Como está o projeto para o multihospital do Norte da Ilha?

Fizemos, inicialmente, um levantamento sobre o que precisamos ter no Norte da Ilha para dar conta da população atual e do seu crescimento nos próximos 10 anos. A partir de Santo Antônio, temos 187 mil habitantes na região - equivalente à população de Lages. Definimos, por exemplo, as especialidades prioritárias: cardiologia, urologia e ortopedia. O projeto prevê uma UPA ampliada, centro de diagnóstico, CAPS, centro cirúrgico para procedimentos de day hospital, entra pela manhã e vai embora à noite. Realizamos um estudo preliminar sobre qual a necessidade de área física e agora estamos avaliando as questões de fluxo para definir o local. O entendimento da população é que o melhor local é ao lado do terminal de ônibus.

 

Entrevista, decupagem e edição: Fábio Gadotti

 

 

Da redação

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Sobre o autor

Fábio Gadotti

Fábio Gadotti

Jornalista com passagem pelos principais veículos de Santa Catarina


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