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Sobrecarga de dezembro amplia risco de burnout
Pressão por resultados, prazos curtos e vida pessoal sobrecarregada deixam muitos profissionais exaustos antes mesmo do recesso

Sobrecarga de dezembro amplia risco de burnout
Pressão por produtividade e tarefas acumuladas transforma o fim do ano em um dos períodos mais intensos para a saúde mental, elevando sinais de cansaço extremo e burnout. (Foto: Freepik)

Publicado em 21/11/2025

O fim do ano chega e, junto com ele, uma corrida invisível: metas, prazos e balanços no trabalho, misturado com demandas pessoais como organização de festas e férias, provas escolares dos filhos e outros compromissos. A sensação é de que é preciso “fechar tudo antes do recesso”. Essa mistura de sobrecarga emocional, fadiga acumulada e autocobrança tem deixado muitos profissionais à beira do esgotamento — e, em alguns casos, com sintomas típicos de burnout.

Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma síndrome ocupacional, o burnout é resultado do estresse crônico no trabalho, caracterizado por exaustão física e mental, dificuldade de concentração, queda de desempenho, irritabilidade, alterações no sono e no apetite e distanciamento emocional. Essa condição tende a se intensificar nos últimos meses do ano, quando o acúmulo de demandas e o ritmo acelerado impedem o descanso adequado.

“O fim do ano se tornou um gatilho para muitas pessoas, mas não adianta querer resolver agora tudo o que não foi resolvido ao longo do ano, como dieta, consultas médicas, enfim, todas as metas que não foram cumpridas. Há uma cobrança coletiva por produtividade e até por se divertir. Esse excesso de expectativa gera ansiedade e esgota os recursos mentais”, explica Danielle Admoni, psiquiatra da infância e adolescência, supervisora na residência de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp/EPM) e especialista pela ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria).

A cultura do “não parar” e a crença de que é preciso “dar conta de tudo” antes das férias tornam o descanso quase impossível, já que muita gente chega ao recesso completamente exausta e passa as férias tentando se recuperar, em vez de aproveitar o tempo livre. Segundo a psiquiatra Danielle Admoni, o período de festas de fim de ano é ideal para curtir a família, especialmente com quem mora longe, e tentar fazer atividades mais prazerosas e relaxar de fato.

Eis algumas atitudes simples para prevenir o esgotamento emocional nas próximas semanas:

- Repriorizar tarefas e listar o que realmente precisa ser feito em novembro e dezembro. Abandone a ideia de que a sua vida inteira precisa ser resolvida até o final do ano;

- Criar pequenas pausas diárias, mesmo de poucos minutos, para respirar e desconectar;

- Definir limites entre trabalho e vida pessoal, evitando levar demandas para casa e trabalhar a qualquer hora, de noite e nos fins de semana;

- Cuidar do corpo com sono adequado, alimentação equilibrada e atividade física;

- Para o próximo ano, pense em metas mais realistas e palpáveis, para não viver uma sensação de impotência. “Se traçarmos uma proposta de fazer menos coisas e ter objetivos mais reais, não gera tanta frustração”, diz Danielle Admoni.

Encerrar o ano bem não significa entregar mais, significa chegar com bem-estar e boa saúde mental. O descanso também é uma forma de produtividade.

 

 

 

Da redação

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