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Pressão alta ameaça visão de forma silenciosa
Comprometimento da retina está entre os principais riscos da hipertensão não controlada

Pressão alta ameaça visão de forma silenciosa
Celebrado em 26 de abril, o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial chama atenção para uma doença que atinge milhões de brasileiros e pode evoluir sem sintomas. (Foto: Divulgação)

Publicado em 24/04/2026

O Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, celebrado em 26 de abril, reforça a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento contínuo dessa condição que, muitas vezes, evolui sem sinais aparentes. De acordo com o Ministério da Saúde, 338 pessoas morrem diariamente no Brasil em decorrência da hipertensão, um número que evidencia a gravidade do problema e a necessidade de conscientização. Embora seja herdada dos pais em cerca de 90% dos casos, a doença também está diretamente relacionada ao estilo de vida, incluindo alimentação, sedentarismo e níveis de estresse.

Pouco se fala, no entanto, sobre os impactos que a pressão elevada pode causar na saúde ocular. O comprometimento dos vasos sanguíneos da retina é uma das principais consequências, podendo levar à perda visual progressiva. “A hipertensão provoca alterações na circulação sanguínea dos olhos, especialmente na retina, que é uma região extremamente sensível. Esse processo pode acontecer de forma silenciosa, sem que o paciente perceba qualquer mudança inicial na visão”, explica o oftalmologista, Dr. Christian M. Campos.

Entre as alterações mais comuns está a retinopatia hipertensiva, condição caracterizada pelo estreitamento dos vasos, hemorragias e até inchaço do nervo óptico. Em estágios mais avançados, o quadro pode resultar em danos irreversíveis. Além disso, a pressão arterial elevada também aumenta o risco de obstruções vasculares na retina, conhecidas como oclusões venosas ou arteriais. Esses eventos comprometem a circulação sanguínea ocular de forma aguda, podendo causar perda visual súbita e, em muitos casos, permanente. “Quando não há controle adequado, as estruturas oculares sofrem com a falta de oxigenação e nutrientes. Isso compromete a função visual e, em casos extremos, pode levar à cegueira”, alerta.

Outro ponto de atenção é que, diferentemente de outras doenças oftalmológicas, os sinais costumam surgir apenas quando o comprometimento já está mais avançado. Visão embaçada, manchas escuras ou dificuldade para enxergar detalhes podem indicar que o problema já está instalado. “O grande desafio é justamente esse caráter silencioso. Muitas pessoas só procuram ajuda quando percebem alterações significativas, o que reduz as chances de reversão do quadro”, destaca.

A recomendação é que pacientes diagnosticados com hipertensão mantenham acompanhamento regular não apenas com o cardiologista, mas também com o oftalmologista. Exames de rotina permitem identificar precocemente qualquer alteração na retina, possibilitando intervenções mais eficazes. “O cuidado com a saúde precisa ser integrado. Controlar os níveis de pressão arterial e realizar avaliações periódicas dos olhos são medidas fundamentais para preservar a qualidade de vida”, orienta.

Adotar hábitos saudáveis, como manter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas e evitar o consumo excessivo de sal, também contribui diretamente para reduzir os riscos associados à condição. “A conscientização, especialmente em datas como esta, é essencial para incentivar a prevenção e evitar complicações que podem comprometer não apenas o coração, mas também a visão”, finaliza o Dr. Christian M. Campos. 

 

 

 

Da redação

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