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Dor nas costas deixa de ser problema da idade
Dados do SUS indicam aumento de atendimentos por problemas na coluna entre jovens, fenômeno antes comum apenas após os 45 anos

Dor nas costas deixa de ser problema da idade
A dor nas costas deixou de ser um problema associado apenas ao envelhecimento e tem atingido cada vez mais jovens no Brasil. (Foto: Freepik)

Publicado em 13/03/2026

A dor nas costas, antes considerada um problema restrito à população acima dos 45 anos, tornou-se uma verdadeira epidemia entre os brasileiros e, surpreendentemente, cada vez mais jovens estão sendo afetados.

Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) revelam um crescimento exponencial nos atendimentos hospitalares e ambulatoriais relacionados a disfunções da coluna vertebral, com pacientes de apenas 18 ou 19 anos já apresentando sinais de degeneração discal, osteófitos (os conhecidos “bicos de papagaio”) e outras alterações que, até pouco tempo atrás, eram exclusivas da meia-idade, ou seja, acima dos 45 anos.

O início é de dores em determinados movimentos que exigem mais esforço ou em posições específicas, que fazem as pessoas mudarem um pouco a rotina e até mesmo tentarem se preservar de atividades físicas e passarem mais tempo descansando, como uma forma de se recuperarem para os afazeres que não podem ou não devem ser pausados, como o trabalho, por exemplo. É nesse tempo sem cuidado e na continuidade dos mecanismos lesionais que as disfunções vão se perpetuando.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 80% da população mundial sofrerá ao menos um episódio de dor lombar ao longo da vida. No Brasil, a dor nas costas já lidera os motivos de afastamento do trabalho, impactando não só a produtividade, mas também a qualidade de vida, o lazer e o convívio social.

Estudos da National Library of Medicine apontam que o sedentarismo, as posturas erradas­ — especialmente durante o home office improvisado, com cadeiras e mesas inadequadas — e o aumento do tempo em repouso são realmente os principais vilões dessa tendência. A falta de atividade física e o excesso de tempo sentado aceleram o processo de degeneração das articulações vertebrais.

A coluna vertebral é o eixo central do corpo humano, e toda a mobilidade de braços e pernas dependem dela. Ao mesmo tempo em que ela fornece estabilidade ao corpo, deve ser flexível o suficiente para uma variedade de movimentos, que recorrem a outras estruturas como ligamentos e músculos. Quando essa musculatura é negligenciada, aumentam os riscos de lesões e dores crônicas.

Dessa forma, o sedentarismo ou o repouso, são os principais inimigos da coluna vertebral, pois são músculos fortes e preparados que garantem essa estabilidade dinâmica e ajudam a reduzir o processo de degeneração das articulações da coluna. A atividade física regular é a recomendação mais certeira para prevenir dor nas costas e em diversos outros segmentos do corpo humano. Várias modalidades são capazes de fornecer ao nosso corpo o movimento necessário e o controle desses movimentos e da postura.

Como virar o jogo e fugir das estatísticas

A boa notícia é que a prevenção está ao alcance de todos. As principais recomendações fisioterapêuticas incluem:

-Desenvolver consciência corporal, conectando mente e corpo em todas as atividades;
Praticar exercícios que trabalhem força muscular e flexibilidade, como pilates, yoga ou treinamento funcional;

-Aplicar conceitos de ergonomia no ambiente de trabalho, ajustando cadeiras, mesas e telas à altura adequada, com pausas controladas durante as atividades;

-Controlar o estresse e buscar momentos de desconexão mental.

A atividade física regular é a intervenção mais eficaz para prevenir e tratar dores nas costas. Portanto, mexa-se! Sua coluna agradece.

Por, Fernanda M. Cercal Eduardo, fisioterapeuta.

 

 

Da redação

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