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Dieta sem sofrimento ganha espaço entre brasileiros
Nutricionista destaca que planejamento realista aumenta as chances de manter a alimentação equilibrada

Dieta sem sofrimento ganha espaço entre brasileiros
A busca por emagrecimento rápido ainda leva muitas pessoas a adotarem planos rígidos. No entanto, a falta de flexibilidade e de planejamento realista contribui para o abandono em poucas semanas. (Foto: Freepik)

Publicado em 27/03/2026

Muitas pessoas estão em busca de uma vida mais saudável, com alimentação balanceada, seja para perda de peso ou com foco em um futuro mais longevo. No entanto, poucas conseguem manter a dieta por mais do que algumas semanas. Para a nutricionista Ana Paula Gonçalves, o problema não está na falta de força de vontade, mas na forma como esses planos costumam ser construídos.

Segundo a especialista, quando a alimentação exige esforço excessivo, ela simplesmente não se sustenta no dia a dia. “Manter a dieta não tem relação apenas com a motivação, mas sim com um planejamento realista. A maioria das pessoas quer mudar tudo de uma vez, sem considerar rotina, trabalho, cansaço, vida social e família”, explica.

Um erro comum é apostar em dietas muito restritivas, que cortam grupos alimentares inteiros e ignoram os sinais do corpo. “Ainda existe a ideia de que emagrecer exige sofrimento. Isso gera queda de energia, irritabilidade, aumento da vontade por doces e episódios de compulsão. O abandono acontece porque o plano não conversa com a realidade de quem precisa colocá-lo em prática”, afirma.

Antes mesmo de pensar em cardápio ou calorias, Ana Paula destaca que o primeiro passo para quem quer recomeçar é olhar para o comportamento. Avaliar a qualidade do sono, o nível de estresse, a rotina de trabalho e até quem prepara as refeições, faz toda a diferença. “O emagrecimento começa na rotina, não no prato. Sem esse mapeamento, a dieta vira apenas mais uma tentativa frustrada”, diz.

Para aumentar as chances de sucesso, a nutricionista recomenda trocar metas complexas por objetivos menores e mais específicos. “Metas grandes desmotivam as pessoas porque parecem distantes demais. Ações simples, como melhorar o café da manhã ou organizar melhor o jantar durante a semana, geram constância. O corpo responde à repetição, não à promessa”, ressalta.

A praticidade também é fundamental para quem tem pouco tempo e vive sob pressão. Refeições repetidas, listas de compras prontas e cardápios base ajudam a reduzir o número de decisões ao longo do dia. “Quanto mais escolhas a pessoa precisa fazer, maior a chance de desistir. Alimentação saudável precisa ser prática e previsível”, orienta.

Ana Paula também reforça que alguns mitos precisam ficar para trás. A ideia de que dieta boa é rígida, que carboidrato é vilão ou que uma refeição fora do planejado invalida todo o processo, só alimenta a culpa e o efeito sanfona. “Emagrecimento consistente é feito de ajustes, não de controle extremo”, pontua.

Por fim, ela lembra que a balança não é o único indicador de evolução. Melhor qualidade do sono, mais disposição, redução do inchaço e uma relação mais equilibrada com a comida são sinais claros de que o corpo está respondendo. “Muitas vezes, o organismo se reorganiza antes mesmo da redução do peso, e isso faz parte do processo”, explica.

Para quem já tentou diversas vezes e desistiu, a mensagem é clara: recomeçar é possível. “O que falhou foi o método, não a pessoa. Não é preciso ser radical e nem perfeito. Quando o plano respeita o corpo e a vida real, o resultado vem e permanece”, conclui a nutricionista.

 

 

 

Da redação

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