Quando a amizade vai além da corrida
Grupo de mulheres paulistanas aceita o desafio e completa a 'Volta à Ilha'
A tradicional prova de resistência Volta à Ilha, realizada em Florianópolis, ganha neste ano um destaque especial: a estreia da equipe feminina “Senhorinhas”, formada por 13 corredoras com histórias diversas no esporte, mas um objetivo em comum — superar limites.
Com um percurso desafiador de aproximadamente 140 quilômetros, dividido em 19 trechos, a competição é conhecida por exigir não apenas preparo físico, mas também estratégia, integração e resistência mental. As equipes podem variar entre 5 e 19 participantes, o que torna a dinâmica da prova ainda mais complexa.
No caso das Senhorinhas, o diferencial começa pela composição do grupo. Com idade média acima dos 40 anos, a equipe reúne atletas experientes em diferentes modalidades esportivas — da corrida de rua ao ciclismo e ao treinamento funcional. A exceção é Sossô, de 22 anos, a integrante mais jovem, que dá nome ao time e simboliza a conexão entre gerações.
Apesar de algumas corredoras já terem participado de provas individuais, esta será a primeira experiência do grupo em uma corrida de revezamento desse porte. Para enfrentar o desafio, a preparação foi levada a sério: ao longo de seis meses, a equipe estruturou uma rotina de treinos que combinou resistência, velocidade e adaptação aos diferentes tipos de terreno encontrados na ilha.
Mais do que a performance, a participação das "Senhorinhas" carrega um forte componente simbólico. Em um cenário esportivo ainda marcado por desafios relacionados à representatividade feminina, especialmente em provas de endurance, o grupo surge como exemplo de determinação, diversidade e colaboração.
Na chegada, a comemoração do sucesso do planejamento e resiliência (foto: Divulgação)
A expectativa não é apenas completar o percurso, mas vivenciar a experiência coletiva que a Volta à Ilha proporciona — onde cada trecho percorrido é resultado do esforço individual colocado a serviço do time.
Entre subidas íngremes, trechos de areia, asfalto e trilhas, as "Senhorinhas" chegam à competição com um espírito que vai além da disputa: o de provar que não há idade certa para encarar novos desafios — apenas a decisão de começar.
Como o grupo começou
Formado por mães de uma mesma escola e por amigas de círculos próximos na cidade de São Paulo, a equipe "Senhorinhas" nasceu da afinidade fora das pistas e ganhou força dentro delas. Com participação frequente em corridas de rua na capital paulista, o grupo decidiu dar um passo além: encarar, pela primeira vez, o desafio da Volta à Ilha, em Florianópolis.
A transição do asfalto urbano para os variados terrenos da ilha exigiu adaptação e disciplina. Ainda assim, o espírito coletivo foi o principal motor da equipe desde o início. Para Flávia Pini, uma das participantes do grupo, a experiência vai além da competição: “Estar aqui já é ótimo. Participar de uma prova de revezamento com este grupo maravilhoso, em um lugar paradisíaco como Floripa, já é uma dádiva.”
A largada aconteceu às 4h20 da manhã de sábado, marcando o início de uma jornada intensa e repleta de superação. Dentro das expectativas traçadas ao longo dos seis meses de preparação, o desempenho da equipe foi consistente: "Senhorinhas" e conquistou o 16º lugar na categoria feminina e a 44ª colocação na classificação geral, entre 124 equipes participantes.
Com um percurso extremamente difícil nos mais variados terrenos como praia, trilha e asfalto, a equipe Senhorias e Sosô realizou uma bela corrida! (foto: Divulgação)
O tempo total de prova foi de 14h08min40s, com média de 9,89 km/h — números que refletem não apenas o preparo físico, mas também a organização e o entrosamento do grupo ao longo dos 19 trechos do percurso.
Entre os momentos mais marcantes, Flávia destaca dois trechos especiais, cada um à sua maneira. O primeiro, inusitado e cheio de descontração, foi o percurso entre Sambaqui e Praia da Daniela, onde a travessia aconteceu em cima de um Banana Boat. “Foi, sem dúvida, o trecho mais divertido da prova”, relembra.
O segundo, já na reta final, foi carregado de significado: a última corredora não seguiu sozinha, mas acompanhada por outras quatro participantes do grupo. Mesmo exaustas, escolheram cruzar a linha de chegada juntas — um gesto simples, mas poderoso, que traduziu a essência do time.
Mais do que os resultados, a estreia do "Senhorinhas" consolida o grupo como exemplo de união, coragem e paixão pelo esporte — valores que começaram em São Paulo e agora ecoam pelas paisagens de Florianópolis.
Da redação
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