Pesquisa revela bastidores femininos da música instrumental
Projeto “O Palco que Nos Deve” promove encontros gratuitos, live nacional e pocket show em Florianópolis entre os dias 20 e 23 de maio
O projeto “O Palco que Nos Deve: Mulheres e a conquista do espaço na Música Instrumental” promove, entre os dias 20 e 23 de maio, uma série de encontros gratuitos para apresentar os resultados da pesquisa inédita que investiga a presença das mulheres na música popular instrumental brasileira. A programação inclui uma live aberta ao público no YouTube, apresentações presenciais em Florianópolis e um pocket show do Choro Mulheril.
Idealizado pelas pesquisadoras catarinenses Valentina Bravo e Caroline Cantelli, o projeto reúne dados quantitativos e qualitativos sobre a participação feminina em festivais de música instrumental no Brasil, além de entrevistas em profundidade com musicistas de diferentes regiões do país. A iniciativa busca ampliar a visibilidade de instrumentistas, compositoras, arranjadoras e educadoras musicais que historicamente ocuparam menos espaço nos palcos, nos registros e na narrativa oficial da música instrumental brasileira.
A primeira atividade será realizada no dia 20 de maio, às 18h30, em formato online, no canal @PalcoqueNosDeve, no YouTube. A live contará com a participação das pesquisadoras Valentina Bravo e Caroline Cantelli, além de Dani Ribas, doutora em Sociologia pela Unicamp, coordenadora do Instituto Abramus e especialista em tendências da indústria musical, responsável pela validação dos resultados da pesquisa.
No dia 21 de maio, às 18h30, o projeto realiza uma apresentação pública dos resultados no IEG – Espaço Cultural Gênero e Diversidade, na UFSC. O encontro contará também com um pocket show do Choro Mulheril, projeto idealizado pela violonista Natália Livramento e reconhecido nacionalmente por promover o protagonismo feminino no choro.
Já no dia 23 de maio, às 11h, acontece uma nova apresentação dos resultados da pesquisa no Bugio Centro, em Florianópolis, ampliando o diálogo com artistas, pesquisadores, estudantes e público interessado na música instrumental brasileira.
Além do levantamento de dados sobre festivais e circulação artística, “O Palco que Nos Deve” lançou uma plataforma digital com entrevistas, conteúdos audiovisuais e relatos de mulheres instrumentistas de diferentes gerações e territórios. Entre as artistas entrevistadas estão nomes como Léa Freire, Camila Alves, Larissa Umaytá e Suzete Santos, além de musicistas catarinenses que têm contribuído para fortalecer a cena instrumental no Estado.
A iniciativa foi contemplada pelo Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura – Edição 2025, promovido pelo Governo do Estado de Santa Catarina, por meio da Fundação Catarinense de Cultura (FCC).
Da Ilha para a cena instrumental brasileira
Entre as artistas catarinenses entrevistadas pelo projeto estão Natália Livramento, Mari Leonel e Denise de Castro, três musicistas que ajudam a construir a identidade da música instrumental produzida em Santa Catarina.
Violonista, compositora e educadora musical, Natália Livramento se tornou uma das principais referências contemporâneas do choro brasileiro. Mestre em Etnomusicologia pela Udesc, é idealizadora da Roda de Choro Mulheril, coletivo que reúne mais de 80 mulheres em ações de formação, circulação artística e fortalecimento do protagonismo feminino no gênero. Sua atuação também passa por festivais, projetos culturais e iniciativas de educação musical voltadas à democratização do acesso à música.
Pianista, compositora e arranjadora, Mari Leonel consolidou sua trajetória no jazz instrumental a partir de uma formação internacional nos Estados Unidos e de uma carreira marcada por projetos autorais e apresentações no Brasil e no exterior. Radicada em Florianópolis desde os anos 2000, criou o movimento FreedaJazz, voltado à valorização da presença feminina na cena jazzística local.
Já Denise de Castro construiu uma carreira ligada à valorização da identidade cultural catarinense. Pianista, cantora, compositora e professora, sua obra atravessa música, literatura e direção musical para teatro e audiovisual. Com trajetória entre Florianópolis, São Paulo e Portugal, Denise é reconhecida pela produção autoral inspirada na paisagem e na memória cultural da Ilha.
Da redação
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