O tal do imediatismo, por Octávio Lebarbenchon
Falta de paciência e planejamento compromete resultados sustentáveis
Tenho vivido uma experiência muito interessante na minha vida, tanto pessoal como profissional.
Alguns chamam isso de falta de paciência, outros chamam de soluções rápidas; eu chamo de incapacidade de entender o ritmo da vida.
Ou o nome mais fácil que o mercado usa: o tal de imediatismo.
Percebo que as pessoas e, consequentemente, as empresas querem resolver seus problemas de anos em dias ou meses.
A incapacidade de perceber o tempo do tempo e a forma de existir da humanidade faz com que queiramos resolver problemas crônicos, persistentes e contínuos em pouco tempo.
Certa vez, um amigo empresário me chamou para eu ajudá-lo em um problema que estava ocorrendo no seu negócio. Ficamos meia hora no telefone e, depois, o convidei para uma reunião mais específica sobre o tema. Após a reunião, ele estava muito nervoso para resolver um problema que estava ocorrendo há mais de seis meses e ele gostaria de uma solução em 15 dias. Disse a ele: calma, respira, meu amigo.
Muitas vezes, percebo que as pessoas vêm buscar milagres para problemas que vêm acontecendo há anos, ou entendemos que os problemas têm tempo para acontecer, tempo para maturar e tempo para ser resolvido, ou a ansiedade, uma das dores desse mundo, vai tomar conta da nossa alma e impedirá que possamos tomar as melhores decisões.
Um conselho, uma ideia sozinha não resolve nada; precisa de execução, precisa de ação, e é isso que muitas vezes percebemos que não ocorre.
Milagres, tanto na vida pessoal quanto na profissional, são raros de acontecer, quando acontecem.
Portanto, o imediatismo, a vontade de resolver tudo de uma vez só, como se isso fosse possível, transforma muitas organizações em empresas frágeis, tornando-as incapazes de encontrar o melhor caminho, pois não tiveram tempo para pensar no problema, menos ainda na solução.
Assim como a vida, dentro do seu caráter pessoal, é resultado de uma construção de atos e ações contínuas do dia a dia, também as organizações são resultados de decisões e escolhas que fazemos todos os dias.
O que eu chamo de total imediatismo nada mais é do que a falta de vontade, de paciência, de resiliência, de estudo, que normalmente resulta em decisões frágeis, de resultado de curto prazo, que normalmente não resolvem a base do problema.
Minha vivência como conselheiro profissional que sou me permite dar um conselho: primeiro, não deixe o problema ficar insolúvel, pois aí não haverá nenhuma decisão a ser tomada; segundo, entenda que todo problema, seja pessoal, profissional ou empresarial, é resultado de um conjunto de decisões temporais e, se você não estudar com cuidado todas as variáveis, todas as causas, todas as ações que deverão ser tomadas, certamente tomará uma decisão errada ou que não tem sobrevivência ao tempo ou, como eu chamo, sem sustentabilidade.
Entenda que planejamento, uma palavra tão antiga, deve ser usada como ferramenta tanto nas empresas como na vida das pessoas.
Precisamos de um bom tempo para que possamos estudar as verdadeiras causas desses problemas e, certamente, conseguiremos identificar as opções corretas para que tomemos as melhores decisões.
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Sobre o autor
Octávio Lebarbenchon
Empresário, consultor, conselheiro e professor universitário há mais de 30 anos na UDESC/Esag das matérias de negociação, vendas e liderança.
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