00:00
21° | Nublado

Fórum de Natureza reúne cineastas e reforça urgências
Bodanzky e Carelli analisam trajetória, processos criativos e desafios políticos e ambientais que atravessam suas obras

Fórum de Natureza reúne cineastas e reforça urgências
No encontro, Bodanzky exibiu registros históricos da Amazônia dos anos 1970, enquanto Carelli respondeu perguntas sobre sua atuação junto a povos indígenas. Na imagem: Jorge Bodanzky, Eduardo Paredes e Vicent Carelli. (Foto: Marco D'Elboux)

Publicado em 09/12/2025

Depois de dois dias de rodadas de negócios, apresentação de projetos em pitchings e oficinas sobre uso de drone, storytelling e fotografia cinematográfica, o II Fórum Audiovisual de Natureza termina com o debate entre os cineastas Jorge Bodanzky e Vincent Carelli. Os dois realizadores têm uma longa trajetória de produções documentais, são referência para a cinematografia brasileira e fizeram filmes sobre a Amazônia.  

O filme “Iracema - uma transa amazônica” (1974), de Jorge Bodanzky, e o projeto “Vídeo nas aldeias”, precursor na produção audiovisual indígena no Brasil, iniciado em 1986 por Vincent Carelli, são referências da obra dos dois realizadores. Os cineastas estiveram entre os principais convidados do Fórum de Audiovisual de Natureza, uma iniciativa do Festival Planeta.Doc. Bodanzky, com 82 anos, e Carelli, com 72 anos, falaram de temas fundamentais da realidade atual e da história brasileiras em suas participações no evento, apresentaram e comentaram suas obras e ainda apresentaram filmes que estão hoje em produção. Bodanzky estreia neste sábado (6), às 21h, na Globonews, o filme “Amazônia, a nova Minamata?”, sobre a contaminação de terras e comunidades amazônicas com mercúrio em lugares onde há extração de ouro. Eles encerraram o evento com um debate sobre a Amazônia, mediado pelo cineasta e representante da TV Brasil no evento, Eduardo Paredes. 

Memória, ditadura e o papel do audiovisual indígena

Durante o debate, Jorge Bodanzky exibiu ainda “Transamazônica e Belém-Brasília”, de 1973, imagens em Super 8 que fazem parte do acervo do Instituto Moreira Salles, na coleção Jorge Bodanzky. Estão reunidas filmagens realizadas na Amazônia da época da inauguração da rodovia Transamazônica, no começo da década de 1970. Vindo do jornalismo, Bodanzky contou que começou como cinegrafista para imprensa internacional durante a ditadura militar, quando também registrou por conta própria, em Super 8, o cotidiano na Universidade de Brasília e, por 30 anos, entrevistas com pessoas que conviveram com ele nessa época sobre repressão, universidade, liberdade e outros temas. Bodanzky também foi repórter fotográfico da Realidade, uma importante revista editada no Brasil na década de 1960, conhecida pelas reportagens em profundidade e por reunir repórteres de referência do jornalismo brasileiro como José Hamilton Ribeiro.

Vincent Carelli comentou e respondeu perguntas do público sobre as suas produções com indígenas na Amazônia. O cineasta é precursor em produções de cinema sobre e com indígenas brasileiros. Ambos os realizadores falaram de questões de produção das suas obras, da relação com a censura durante a ditadura, da relação com os temas que abordaram e com as pessoas que filmaram. Refletiram também sobre as mudanças na suas cinematografias ao longo do tempo, das mudanças tecnológicas e da preponderância do audiovisual dentro de diversos projetos pelo país. 

A plateia fez perguntas e ressaltou a importância dos dois cineastas para o documentário brasileiro. Eduardo Paredes também falou da importância dos cineastas e elogiou a realização do Fórum Audiovisual e do Festival Planeta.Doc e a potência do cinema socioambiental. Mônica Linhares, diretora do Festival fez um balanço extremamente positivo do evento e lembrou que a proposta é de uma edição anual. E encerrou com uma pergunta aos convidados sobre o futuro. Carelli destacou as dificuldades da Amazônia hoje, especialmente em relação ao garimpo ilegal. Bodansky concordou e lembrou sobre o alerta dos cientistas sobre o ‘ponto de não retorno’ em relação às mudanças climáticas. E aposta que as respostas, se vierem, virão dos indígenas.

 

Leia também:

- Prêmio Catarinense de Cinema inicia nova seleção

 

 

Da redação

Para receber notícias, clique AQUI e faça parte do Grupo de WHATS do Imagem da Ilha.

Gostou deste conteúdo? Compartilhe utilizando um dos ícones abaixo!

Pode ser no seu Face, Twitter ou WhatsApp!

Para mais notícias, clique AQUI