Alice Viana Bononi lidera nova fase do Inst. Collaço Paulo
Professora da Udesc assume o cargo em fase de crescimento e ampliação de público da instituição
E o nosso primeiro "Personagem da Semana" de 2026 é Alice Viana Bononi, a nova curadora-chefe do Instituto Collaço Paulo – Centro de Arte e Educação, em Florianópolis. Professora da Udesc e pesquisadora com trajetória consolidada na teoria e história da arte, ela assume o cargo em um momento de crescimento da instituição, que desde 2022 já recebeu cerca de 20 mil visitantes em exposições e atividades educativas gratuitas.
Radicada na capital catarinense desde 1997, Alice construiu sua relação com a arte ao longo da formação acadêmica. A escolha inicial pela arquitetura, ainda no ensino médio, já indicava um interesse pelo patrimônio cultural, aprofundado durante uma viagem às cidades históricas de Minas Gerais. Mas foi na graduação que uma nova perspectiva surgiu. Ao assistir a uma palestra da professora Sandra Makowiecky sobre a relação entre arte e cidade, identificou um campo de investigação que conectava sensibilidade, espaço urbano e produção artística, ponto que passou a orientar sua trajetória.
Curadoria como construção coletiva
Ao chegar ao Instituto Collaço Paulo, a nova curadora-chefe adota uma postura de escuta. A prioridade, segundo ela, é compreender a história da instituição, seu funcionamento e a relação com o público. A proposta não é estabelecer uma identidade rígida, mas acompanhar o desenvolvimento do espaço, ainda em processo de consolidação, contribuindo para um crescimento consistente e de longo prazo.
Criado com foco na articulação entre arte e educação, o Instituto mantém uma atuação voltada especialmente a jovens e crianças. Atualmente, a instituição apresenta a exposição “Céu e Terra dos Andes (2025)”, com curadoria de pesquisadores ligados a uma universidade peruana, reforçando o caráter internacional e formativo das ações.
Entre teoria, história e espaço
A formação interdisciplinar de Alice, que reúne arquitetura e artes visuais, influencia diretamente sua atuação curatorial. Para ela, teoria e história da arte são inseparáveis e sustentam a leitura crítica das obras. Ao mesmo tempo, a arquitetura amplia o entendimento da exposição como um espaço construído, onde a disposição das obras, os percursos e a materialidade interferem na experiência do público.
Essa combinação orienta a criação de narrativas que vão além da simples apresentação do acervo, considerando também as relações entre as obras e o ambiente expositivo.
Com trajetória construída entre arquitetura e artes visuais, a curadora propõe uma atuação baseada na escuta e no entendimento do funcionamento do instituto.
Educação como eixo central
No Instituto, a mediação cultural ocupa papel central. Mais do que complementar as exposições, ela é vista como parte estruturante do projeto. A proposta é desenvolver estratégias que permitam diferentes níveis de leitura das obras, tornando o conteúdo acessível a públicos diversos.
A intenção da nova gestão é ampliar esse diálogo, especialmente com escolas e professores, fortalecendo o Instituto como espaço de formação e reflexão. A experiência com a arte, nesse contexto, é entendida como ferramenta para construção de pensamento crítico.
Formação e pensamento crítico
A sua história acadêmica também foi marcada por momentos decisivos. Durante o mestrado na Udesc, Alice teve contato com pesquisadoras de referência em Santa Catarina, como Sandra Makowiecky (hoje conselheira do Instituto Collaço Paulo), Sandra Ramalho e Rosângela Cherem. Um conselho recebido nesse período influenciou diretamente seu percurso: a importância de não abandonar os clássicos da historiografia da arte, mesmo diante de abordagens contemporâneas.
A partir dessa orientação, aprofundou seus estudos no doutorado, realizado na USP com período na Universidade de Zurique, buscando equilibrar tradição e atualização crítica. Esse diálogo entre passado e presente segue como base de sua atuação.
Ao assumir a curadoria-chefe, Alice Viana Bononi passa a integrar uma equipe que já desenvolve ações de pesquisa, educação e produção cultural em torno da Coleção Collaço Paulo. O desafio, agora, é dar continuidade a esse trabalho, fortalecendo a relação entre arte, pensamento e formação de público em Santa Catarina.
Da redação
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