00:00
21° | Nublado

Governo chinês quer impedir concorrência desleal
Medidas miram concorrência interna, mas prática de dumping no exterior permanece no radar de outros países

Governo chinês quer impedir concorrência desleal
O governo da China determinou o fim das vendas no atacado abaixo do custo e proibiu pressões sobre concessionárias para reduzir preços. (Foto: Divulgação)

Publicado em 21/02/2026

A escalada de descontos no maior mercado automotivo do planeta passou a incomodar o comando central em Pequim. O governo chinês determinou que as montadoras locais interrompam a prática de reduzir preços de forma agressiva para ampliar participação. Entre as medidas anunciadas estão a proibição de vendas no atacado abaixo do custo, o veto a pressões sobre concessionárias para cortar valores e a criação de uma plataforma digital para monitorar eventuais fraudes.

A iniciativa mira a chamada concorrência predatória dentro do país. Fora dele, porém, a lógica é diferente. As exportações seguem sem o mesmo rigor, inclusive com embarques a preços inferiores ao custo de produção. Para sustentar essa estratégia, houve financiamento maciço à construção de navios ro-ro de última geração, facilitando o envio de veículos ao exterior. Na prática, trata-se de dumping, prática que transfere a outros países a responsabilidade de impor barreiras defensivas.

Mercado em transição

A mudança de postura ocorre num momento em que a economia chinesa já não apresenta o mesmo fôlego das últimas duas décadas. Depois de se tornar, com folga, o maior mercado automotivo do mundo, o país enfrenta sinais de desaceleração, especialmente no segmento de elétricos.

A plataforma Energy News Beat avaliou que, apesar da liderança global, o setor de veículos elétricos na China se aproxima de um ponto crítico em razão de ineficiências internas e obstáculos externos. Para a publicação, a retirada gradual de subsídios e maior consolidação via forças de mercado poderiam funcionar como um “desfibrilador” para a indústria, evitando impactos em cadeias produtivas e nas metas ambientais do país.

A leitura é considerada exagerada por parte do mercado. A filial chinesa da Automotive News questionou por que uma indústria até então vista como imparável dá sinais de perda de tração no próprio território. Já a S&P Global projetou retração de cerca de 267 mil unidades nas vendas em 2026, reflexo do fim de incentivos concedidos em 2025 e do menor crescimento econômico. A consultoria também aponta que a eletrificação deve avançar com maior complexidade, combinando elétricos a bateria com híbridos e híbridos plugáveis.

Yaris Cross Hybrid flex em foco

No Brasil, a Toyota aposta no inédito conjunto híbrido pleno flex do Yaris Cross, o único do tipo entre os SUVs compactos. Dados do Inmetro indicam consumo de 17,9 km/l na cidade e 15,3 km/l na estrada com gasolina, além de 13,2 km/l e 10,7 km/l com etanol.

Em avaliação inicial no autódromo Capuava, em Indaiatuba, o modelo demonstrou equilíbrio em curvas e frenagens consistentes. O conjunto híbrido entrega potência combinada de 111 cv. O desempenho não é seu principal atributo, mas o motor elétrico de 80 cv e 14,4 kgf·m contribui de forma decisiva nas retomadas. A estimativa de 0 a 100 km/h gira em torno de 12 segundos.

Sob aceleração máxima, o nível de ruído e vibração se destaca negativamente, algo menos perceptível em rotações intermediárias. O tanque de 36 litros, apesar do volume contido, garante autonomia estimada de até 644 km em uso urbano com gasolina. O espaço interno atende bem à proposta, inclusive para passageiros traseiros, com bom padrão de acabamento. Há teto solar panorâmico, mas falta ajuste elétrico para o banco do motorista.

Fábricas sem luz

Especialistas projetam que a primeira “fábrica escura” totalmente operacional, com montagem integral por robôs e sem presença humana na linha, deve surgir na China ou nos Estados Unidos até 2030. O conceito prevê instalações literalmente sem iluminação, apoiadas em inteligência artificial e robótica avançada para reduzir custos e prazos.

Unidades da Tesla em Xangai e diversas fabricantes chinesas já operam com alto nível de automação e presença humana reduzida. Ainda assim, a automação completa é vista como realidade consolidada apenas nos próximos quatro anos.

A transformação traz ganhos de eficiência, mas também desafios relevantes. O investimento inicial é elevado e os veículos precisam ser concebidos desde o início para esse padrão produtivo. A redução de postos de trabalho pode chegar a um sétimo do contingente atual, concentrando as funções remanescentes em manutenção, engenharia e gestão de dados. Por outro lado, surgem novas ocupações ligadas a análise de big data, mineração de informações e administração de redes digitais.

HR-V Touring 2026

Lançado em 2015, o Honda HR-V consolidou trajetória consistente no segmento de SUVs compactos. Após liderar a categoria em diferentes momentos, encerrou 2024 na sétima posição e, no ano seguinte, avançou para o terceiro lugar, ficando a 373 unidades do Chevrolet Tracker.

Na versão Touring 2026, as mudanças visuais são discretas. A grade frontal cresceu levemente e ganhou acabamento preto, enquanto as setas sequenciais acima dos faróis, as rodas de 18 polegadas e as duas saídas de escapamento reforçam o visual.

O motor 1.5 turbo flex de quatro cilindros mantém 177 cv e 24,5 kgf·m com gasolina ou etanol, característica incomum. O câmbio é CVT com sete marchas simuladas. Segundo o Inmetro, o consumo é de 11,5 km/l na cidade e 12,9 km/l na estrada com gasolina; com etanol, 8,1 km/l e 9,1 km/l, respectivamente. O tanque de 50 litros garante alcance urbano de até 455 km com gasolina.

O comportamento dinâmico é um dos destaques, com respostas rápidas ao acelerador, sobretudo no modo Sport. O conjunto se mantém estável em curvas, dentro das limitações típicas de SUVs com tração 4×2. No interior, o assoalho traseiro plano e o sistema Magic Seat ampliam a versatilidade. A central multimídia de 7 polegadas parece pequena diante dos padrões atuais, mas há espelhamento sem fio, carregador por indução e portas USB-C. Recursos como auto-hold e a câmera lateral acionada pela alavanca de seta completam o pacote tecnológico.

 

 

 

Da redação

Fonte: AutoIndústria

Para receber notícias, clique AQUI e faça parte do Grupo de WHATS do Imagem da Ilha.

Gostou deste conteúdo? Compartilhe utilizando um dos ícones abaixo!

Pode ser no seu Face, Twitter ou WhatsApp!

Para mais notícias, clique AQUI

Siga-nos no Google notícias

Google News