Crise na Argentina leva Stellantis a cortes
Desaceleração nas vendas internas e queda nas exportações, especialmente para o Brasil, pressionam a produção no país vizinho
A recente lua de mel da indústria automobilística com a Argentina foi para lá de curta. Mais um voo de galinha que elevou as vendas internas a 580 mil unidades no ano passado, mas com forte participação de produtos importados, o que não permitiu a aceleração em igual medida da produção, também prejudicada pela queda das exportações.
O crescimento de 48% dos licenciamentos em 2025, é bom lembrar, se deu sobre o fraco resultado de 2024. Mesmo assim, diante dos números favoráveis dos primeiros meses e animados com o novo governo, dirigentes e especialistas chegaram a projetar que 2026 poderia ser ainda melhor, com até 700 mil negociados.
Após este primeiro bimestre, porém, o que se vê é quadro diametralmente oposto. Na comparação com igual período de 2025, o mercado doméstico encolheu 11%, para 70 mil unidades — os licenciamentos de veículos nacionais, aqueles realmente produzidos na Argentina, tiveram desempenho ainda pior, respondendo por somente 21,8 mil unidades, 36% abaixo.
As exportações, que seguem com 64% concentrados no Brasil, também não serviram de válvula de escape. Foram embarcados em janeiro e fevereiro apenas 25,7 mil veículos, 23% a menos do que em iguais meses do ano anterior.
Com mercado interno e exportações em baixa, as linhas de produção argentinas também desaceleraram e não foram além de 50,6 mil veículos, 30% abaixo do primeiro bimestre do ano passado.
Os primeiros efeitos desse novo cenário, que, na verdade, começou a ser delineadono transcorrer dos últimos meses de 2025, começam a ganhar visibilidade e dramaticidade.
A Stellantis, que deteve 30,5% das vendas argentinas de veículos no ano passado, com crescimento acima da média de 54%, decidiu reduzir a produção de sua fábrica de El Palomar, município da Grande Buenos Aires, de dois para um turno de trabalho.
A montadora também vai deflagrar um programa de demissões voluntárias a partir de maio para reduzir parcela ainda não revelada dos 2 mil funcionários da planta, o que sugere que a empresa não tem expectativa de uma rápida reviravolta do mercado local e regional.
A Stellantis tem uma segunda fábrica em Córdoba, base produtiva do sedã Fiat Cronos, da picape Fiat Titano e de sua irmã gêmea recém-lançada RAM Dakota. Em El Palomar são fabricados somente os modelos Peugeot 208 e 2008 e os comerciais leves Peugeot Partner e Citroën Berlingo.
A Peugeot é a segunda marca da Stellantis mais vendida na Argentina. Negociou 50 mil automóveis e comerciais leves no ano passado, o que lhe garantiu 8,6% de participação. Com 24,3 mil licenciamentos, a Citroën ficou na oitava posição, 4,2% das vendas, pouca coisa à frente da Jeep, que acumulou 21,9 mil emplacamentos, 3,8%.
A Fiat liderou as vendas do grupo ao somar 75 mil unidades, 12,9% do mercado, que teve a Toyota (16,8%) e Volkswagen (16,3%) nas duas primeiras posições.
Problemas também no Brasil para a Peugeot
Agora, com a queda das vendas internas na Argentina, a situação ganha contornos ainda mais dramáticos no caso Peugeot. Isso porque a marca vem se ressentindo de melhor aceitação no Brasil, mercado cinco vezes maior. E não de pouco tempo.
Somados os emplacamentos de automóveis e comerciais leves, a Peugeot vendeu somente 2,7 mil veículos no mercado brasileiro nos dois primeiros meses de 2026, participação de 0,8%, irrisória para um empresa generalista. De produtos argentinos, foram 1,3 mil unidades do 2008 e 1 mil do 208, além de meras 66 do Partner.
Enquanto os licenciamentos brasileiros avançaram 1,7% em 2026, a Peugeotr negociou 37% a menos e ocupa agora a 17ª colocação no ranking de marcas, atrás da novata Omoda & Jaecco, que entregou aos clientes finais mais de 3,5 mil SUVs com preços a partir de R$ 160 mil.
Cabe a comparação: oficialmente, a versão de entrada do 208 sai por R$ 107 mil — e o próprio site da marca pede somente R$ 94 mil promocionalmente — e do 2008 por R$ 155 mil, mas que vem sendo oferecida pela Peugeot por R$ 136 mil.
A marca terminou 2025 com 23,1 mil veículos vendidos no Brasil, equivalentes a 0,9% de participação. Um ano antes os emplacamentos ultrapassaram 28 mil unidades, 1,1% do total.
Da redação
Fonte: AutoIndústria
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