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As plantas também entram no ritmo do inverno
Temperaturas mais baixas reduzem crescimento e alteram cuidados com plantas dentro de casa

As plantas também entram no ritmo do inverno
Quem cultiva plantas dentro de casa talvez já tenha percebido: no inverno, elas parecem “parar no tempo”. (Foto: Divulgação)

Publicado em 20/05/2026

Ter plantas em casa vai muito além de decoração - é criar uma rotina de cuidado que acompanha o ritmo da natureza. E, assim como nós sentimos as mudanças de temperatura, as plantas também respondem de forma diferente em temporadas mais frias, exigindo alguns ajustes simples, mas importantes, na manutenção do dia a dia.

Mesmo espécies bastante comuns nos lares brasileiros, como a Espada-de-São-Jorge, o Lírio-da-Paz e a Costela-de-Adão, passam por mudanças nesse período. Embora resistentes, essas plantas também desaceleram seu crescimento nos meses de outono e inverno, e pedem uma atenção diferente, especialmente quando o assunto é adubação.

O agrônomo Valter Casarin, coordenador-geral da iniciativa Nutrientes Para a Vida (NPV), explica que, ao longo do tempo, o solo dos vasos perde nutrientes conforme a planta se desenvolve, o que torna a reposição essencial para manter sua saúde. No entanto, em temporadas mais frias, esse processo deve acompanhar o ritmo da planta. “Com a desaceleração do metabolismo, a demanda por nutrientes diminui. Por isso, mais do que manter uma frequência fixa, é importante ajustar a adubação ao momento da planta”, explica. Dessa forma, o cuidado deixa de ser automático e passa a ser mais estratégico.

Apesar de o período de frio ser associado à pausa no crescimento, a maioria das plantas domésticas não entra em dormência total. Na prática, todas passam a consumir menos água e, consequentemente, exigem menos nutrientes. Algumas mais, outras menos. Por isso, em vez de suspender completamente, o ideal é ajustar o cuidado à nova realidade da planta, respeitando esse período de menor atividade.

Casarin explica que, para manter o desenvolvimento, uma boa estratégia é reposicionar os vasos em locais com maior incidência de luz natural, como próximo a janelas. Isso ajuda espécies como o Lírio-da-Paz e a Costela-de-Adão a continuarem metabolicamente ativas, mesmo que em ritmo mais lento. “A fotossíntese segue ocorrendo, as células continuam funcionando e a planta mantém suas funções vitais. O que muda, na prática, é a intensidade dessa atividade”, enfatiza Casarin.

Cronograma

Seguir um cronograma de adubação ao longo do ano é uma forma eficiente de garantir a nutrição adequada das plantas, mas ele precisa acompanhar, de forma estratégica, o ciclo natural de crescimento. Ainda segundo o agrônomo, o ideal é deixar de encarar a adubação como uma resposta a sinais visíveis - como folhas amareladas ou crescimento lento - e passar a tratá-la como uma prática preventiva, guiada pelas estações do ano.

Durante o verão e a primavera, o aumento da luz intensifica a fotossíntese e coloca as plantas em pleno crescimento ativo, logo, a agenda deve ser intensificada: fertilizantes líquidos podem ser aplicados a cada 15 dias ou até semanalmente, especialmente em espécies de crescimento mais rápido, como a samambaia, enquanto os granulados pedem intervalos maiores, de uma a duas aplicações por mês.

Já na transição para o outono e durante o inverno, o movimento é o inverso. Com dias mais curtos e menor incidência de luz, o metabolismo desacelera, reduzindo tanto o consumo de água quanto a necessidade de nutrientes. Nesse contexto, o ideal não é interromper totalmente a adubação, mas espaçá-la e reduzir as doses, mantendo apenas o suporte necessário para as funções vitais da planta.

Outro ponto importante destacado por Casarin é que, embora exista variação entre espécies, a maioria das plantas domésticas responde bem a um cronograma relativamente uniforme, com ajustes pontuais conforme o tipo, como suculentas, orquídeas ou plantas de folhagem. “Mais do que a precisão absoluta, o que garante bons resultados é a consistência ao longo do tempo e o alinhamento com o ritmo natural de cada estação”, conclui.

 

 

Da redação

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