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Luto por pets exige mais do que força
Minimizar a dor ou esconder sentimentos tende a prolongar o sofrimento emocional

Luto por pets exige mais do que força
A tentativa de esconder sentimentos ou manter uma postura de força constante pode gerar isolamento emocional e impedir que o tutor busque apoio durante o luto. (Foto: Freepik)

Publicado em 05/04/2026

Passado o Dia da Mentira, celebrado em 1º de abril, uma discussão segue atual e necessária: as narrativas que as pessoas criam para si mesmas diante da perda de um animal de estimação. No luto pet, esse tipo de autoengano pode surgir como uma tentativa de amenizar a dor, mas, segundo especialistas, tende a prolongar o sofrimento e até desencadear efeitos emocionais e físicos.

Em muitos contextos, a perda de um pet ainda é vista como uma dor menor. Esse olhar contribui para que tutores adotem discursos internos que minimizam o vínculo ou aceleram, de forma artificial, o processo de superação. A psicóloga Natália Nigro de Sá, doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo, explica que essas narrativas funcionam como mecanismos de defesa.

Segundo a especialista, esse tipo de pensamento atua como uma espécie de anestesia emocional. Embora não seja intencional, acaba impedindo que a dor seja processada de forma saudável, dificultando a elaboração do luto ao longo do tempo.

A pressão para parecer forte

Entre os comportamentos mais comuns está a tentativa de manter uma postura de força constante. De acordo com Natália, a ideia de que é preciso seguir em frente rapidamente e esconder o sofrimento é socialmente aceita, mas pode gerar isolamento emocional. Ao sustentar essa postura, a pessoa passa a sinalizar que não precisa de apoio, o que dificulta o acesso a acolhimento.

Esse esforço contínuo para reprimir sentimentos, conforme aponta a psicóloga, leva ao desgaste mental. Com o tempo, podem surgir sintomas como cansaço persistente, irritabilidade e dificuldade de concentração, reflexo de uma tentativa constante de evitar o contato com a dor.

Minimizar a dor também é um risco

Outra narrativa frequente é a tentativa de reduzir a importância da perda, com pensamentos que desvalorizam o vínculo com o animal. Segundo a especialista, esse tipo de racionalização costuma estar ligado ao medo de julgamento externo, mas acaba invalidando a própria experiência emocional.

Ela destaca que a intensidade do luto está diretamente relacionada ao vínculo construído, independentemente de se tratar de um animal. Ao negar essa conexão, o tutor não elimina a dor, apenas adia sua elaboração.

Culpa e a falsa sensação de controle

A sensação de culpa também aparece como uma forma de lidar com a perda. Natália explica que, muitas vezes, o cérebro prefere construir hipóteses sobre o que poderia ter sido feito diferente, criando uma ilusão de controle sobre uma situação que, na prática, envolve a finitude da vida.

Esse processo pode aprisionar o tutor em pensamentos repetitivos, dificultando a aceitação e prolongando o sofrimento.

Sinais que vão além do emocional

Quando o luto não é vivido de forma consciente, ele tende a se manifestar em outros aspectos da vida. Segundo a psicóloga, sintomas físicos e comportamentais podem surgir, como insônia, dores musculares, cansaço constante e dificuldade de se reconectar com a rotina ou com outras pessoas.

Outro indicativo é a necessidade constante de evitar momentos de silêncio. Manter-se ocupado o tempo todo pode ser uma estratégia para fugir dos próprios pensamentos, o que impede o enfrentamento da perda.

Para a especialista, o caminho mais saudável passa pelo reconhecimento da dor. Permitir-se sentir e aceitar a vulnerabilidade são etapas fundamentais para atravessar o luto de forma mais equilibrada. Ignorar ou mascarar esse processo, por outro lado, pode transformar uma dor natural em um sofrimento prolongado.

 

 

 

Da redação

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