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Sinais silenciosos podem esconder sofrimento
Especialista destaca a importância da escuta, dos vínculos e da atenção às mudanças de comportamento

Sinais silenciosos podem esconder sofrimento
Medo do julgamento e dificuldade para pedir ajuda podem agravar o isolamento durante uma crise. (Foto: Freepik)

Publicado em 23/08/2026

Todos os anos, o Setembro Amarelo amplia o debate sobre prevenção ao suicídio. Um dos principais desafios, porém, permanece: muitas pessoas enfrentam sofrimento emocional intenso sem conseguir expressar o que estão vivendo.

A ideia de que quem precisa de ajuda sempre demonstra claramente seu sofrimento ainda faz parte do imaginário coletivo. Na prática clínica, o cenário pode ser bastante diferente. Há pessoas que continuam trabalhando e mantendo a rotina enquanto atravessam uma crise importante.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo. O suicídio também permanece entre as principais causas de morte de jovens entre 15 e 29 anos. No Brasil, levantamento da Universidade Estadual de Campinas, utilizado como referência pelo Centro de Valorização da Vida, aponta que 17% dos brasileiros já pensaram em dar fim à própria vida em algum momento. Entre eles, 4,8% chegaram a elaborar um plano.

Para a psicóloga Dra. Cristiane Pertusi, um dos obstáculos para a prevenção está justamente na expectativa de que o sofrimento seja facilmente reconhecido. “Existe a expectativa de que quem está sofrendo vá demonstrar isso de forma evidente. Muitas vezes acontece o contrário. A pessoa continua cumprindo compromissos e segue funcionando. Essa capacidade de manter a rotina pode mascarar um sofrimento profundo”, explica.

O medo do julgamento também pode dificultar o pedido de ajuda. Segundo a especialista, muitas pessoas associam a necessidade de apoio à fraqueza ou acreditam que deveriam conseguir resolver a situação sozinhas. Esse pensamento pode favorecer o isolamento justamente em um momento de maior vulnerabilidade.

Para Dra. Cristiane, compreender o sofrimento exige olhar também para as relações e para o contexto em que a pessoa está inserida. Rupturas afetivas ou conflitos familiares podem aumentar a vulnerabilidade emocional. Por outro lado, vínculos significativos podem funcionar como fator de proteção, principalmente durante uma crise.

“Em momentos de sofrimento intenso, a percepção sobre o futuro pode ficar muito estreita. A presença de alguém que escuta e permanece próximo ajuda a ampliar novamente esse campo de possibilidades,” explica. A especialista também chama atenção para histórias familiares em que falar sobre vulnerabilidade ou pedir ajuda nunca encontrou espaço. “Há pessoas que cresceram aprendendo que precisam suportar tudo sozinhas. Prevenir também significa transformar a forma como as famílias conversam sobre sofrimento e pedido de ajuda.”

Como oferecer apoio:

Diante de uma mudança importante de comportamento, algumas atitudes podem ajudar:

Aproxime-se e escute: A conversa precisa oferecer espaço para que a pessoa consiga falar sobre o que está vivendo.

Leve o sofrimento a sério: Frases que diminuem a experiência podem aumentar a sensação de incompreensão.

Ajude de forma concreta: Buscar um profissional, localizar atendimento ou acompanhar a pessoa pode tornar o pedido de ajuda mais possível.

Observe situações de risco: Diante de risco imediato, a orientação é permanecer com a pessoa e buscar atendimento de urgência.

Para Dra. Cristiane, a prevenção precisa ir além da identificação de sinais. “Uma pergunta importante é: com quem essa pessoa pode contar neste momento? A experiência de pertencimento também faz parte da prevenção.”

O Setembro Amarelo amplia a circulação de informação sobre saúde mental, mas o cuidado precisa continuar depois que a campanha termina. “Informação qualificada é importante. A possibilidade de pedir ajuda e encontrar alguém disponível para escutar também pode salvar vidas”, conclui Dra. Cristiane Pertusi.


 

Da redação

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