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Rachel Teixeira mostra como a moda pode ser afeto e cidadania
Idealizadora do Motirõ e referência em moda sustentável, a personal stylist une estética, propósito e colaboração para repensar o consumo em Florianópolis

Rachel Teixeira mostra como a moda pode ser afeto e cidadania
À frente do Motirõ, Rachel Teixeira Dantas celebra uma década de um projeto que transforma o consumo em conexão humana. (Foto: Divulgação)

Publicado em 15/10/2025

O nosso Personagem da Semana é Rachel Teixeira Dantas, uma mulher que transformou uma inquietação em movimento e uma ideia em inspiração coletiva. Idealizadora do Motirõ, ela é também a mente por trás do Laboratório de Figurino do Departamento de Artes da UFSC, onde pesquisa e ensina sobre o vestir como expressão cultural e ética. Personal stylist por formação e por essência, Rachel une sensibilidade estética e propósito social para falar de moda de um jeito que vai além das vitrines: um jeito que convida à troca, à empatia e à sustentabilidade.

Um movimento que nasceu do afeto

O Motirõ, palavra de origem Tupi-Guarani que significa “reunião de pessoas para colher ou construir algo juntas”, nasceu em 2015 movido pela vontade de repensar o consumo. O ponto de partida foi simples, mas carregado de significado: criar um espaço de trocas em que roupas, livros e objetos pudessem ganhar novas histórias nas mãos de outras pessoas. O que começou como uma experiência afetiva entre amigos se transformou em um evento de referência em consumo consciente na capital catarinense, reunindo centenas de participantes a cada edição.

Ao celebrar dez anos, o Motirõ reafirma um princípio essencial: quando há propósito, afeto e colaboração, as ideias criam raízes. Para Rachel, ver o projeto crescer é uma emoção profunda, a confirmação de que o consumo pode ser repensado de forma coletiva, criativa e humana.

Trocar é também conviver

No Motirõ não há dinheiro envolvido, há diálogo. Rachel acredita que a troca aproxima as pessoas de um jeito que o dinheiro não consegue. A cada encontro, surgem histórias e amizades que vão muito além dos objetos. Roupas trocadas carregam memórias, risadas e experiências compartilhadas. O impacto social está justamente nesse encontro genuíno, onde o valor das coisas passa a ser medido pelo afeto, pela utilidade e pela relação que se constrói, não pelo preço.

Participar do evento, segundo Rachel, é um exercício de cidadania afetiva. O público desenvolve empatia, escuta e paciência. Aprende a negociar de forma respeitosa, a valorizar o tempo do outro e a redescobrir o prazer de compartilhar. Há um aprendizado silencioso e potente em perceber que o consumo consciente não é um sacrifício, e sim uma forma mais criativa de estar no mundo.

 

Trocar é mais divertido que comprar!

 

Desafios e caminhos da moda sustentável

Quando o assunto é moda, Rachel é direta: o maior desafio é romper com a lógica da velocidade. O modelo atual estimula o novo a qualquer custo, em detrimento da durabilidade e da ética. Apesar de o discurso da sustentabilidade estar em alta, ainda há um descompasso entre falar e agir. Falta investimento em educação para o consumo e políticas que incentivem a economia circular, além de maior valorização do trabalho artesanal e local.

Para ela, a mudança precisa vir tanto de políticas públicas quanto da cultura cotidiana. É necessário ressignificar o que é ter sucesso. Consumir menos não é ter menos, é viver melhor.

Estilo com propósito

Como personal stylist, Rachel mostra que sustentabilidade e estilo não são opostos, e sim complementares. O segredo está em olhar com novos olhos para o que já se tem. Muitas vezes, basta combinar de outro jeito, redescobrir peças esquecidas, investir em roupas de qualidade e em marcas que respeitam pessoas e o meio ambiente.

Ela acredita que a consultoria de imagem pode ter um papel educativo importante, ajudando as pessoas a se vestirem com autenticidade e consciência, sem estímulo ao consumo desenfreado.

Um futuro entre tecnologia e ancestralidade

Ao olhar para o futuro da moda brasileira, Rachel enxerga otimismo e potência criativa. O Brasil tem uma tradição de fazer muito com pouco, e isso é puro potencial para a inovação sustentável. Ela cita o uso de materiais reaproveitados, tingimentos naturais e processos colaborativos como exemplos de caminhos que unem tecnologia e ancestralidade, o novo e o artesanal. Para Rachel, sustentabilidade também é identidade.

Pequenos gestos, grandes transformações

Para quem ainda vê a sustentabilidade como algo distante, Rachel deixa um convite: começar pelo simples. Não é sobre perfeição, é sobre caminho. Trocar, reparar, reutilizar e pensar duas vezes antes de comprar são gestos pequenos, mas que fazem diferença.

No fim, o Motirõ é mais do que um evento. É um lembrete de que a mudança começa quando a gente decide olhar para o consumo com mais afeto e menos pressa. Rachel Teixeira Dantas segue provando, há uma década, que transformar o mundo pode começar com algo tão simples quanto uma troca de roupas, de ideias e de propósito.

SERVIÇO

O que: Motirõ - Trocar é mais divertido que comprar
Quando: Domingo, 19 de outubro de 2025
Onde: Jardim Botânico de Florianópolis – 14h às 18h
Entrada: Gratuita, mas é importante fazer reserva pelo Sympla

 

Leia também:

- Florianópolis vive um dia de trocas no Motirõ

 

 

Da redação

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