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Onde a arte encontra afeto, está Sassá Moretti
De uma proposta simples em sala de aula, nasceu um dos maiores festivais de teatro de animação do Brasil

Onde a arte encontra afeto, está Sassá Moretti
A professora e artista Sassá Moretti idealizou o FITA a partir de um desejo de mostrar o teatro aos alunos e acabou transformando o cenário cultural de Florianópolis. (Foto: Divulgação)

Publicado em 12/11/2025

E a nossa Personagem da Semana é Sassá Moretti, professora da Universidade Federal de Santa Catarina, artista, pesquisadora e idealizadora do Festival Internacional de Teatro de Animação. Quem a encontra hoje à frente de um dos eventos mais reconhecidos da área, talvez não imagine que tudo começou de forma simples, dentro de uma sala de aula, com o desejo de oferecer aos alunos algo que fosse além dos livros.

“Ainda quando eu era professora colaboradora na Udesc, onde fiquei de 1997 até 2007, sentia falta de que os alunos assistissem aos espetáculos ao vivo. Mesmo que fossem pequenos. Mas como eu gosto do grande, do bonito, quis fazer um festival internacional em Floripa”, recorda. A vontade de mostrar o que ensinava acabou se transformando em um projeto que mudaria o cenário cultural da cidade.

 

O FITA nasceu do desejo de levar o teatro para além da sala de aula e hoje reúne artistas do Brasil e do mundo.

 

O primeiro FITA nasceu quase por acaso. “Eu e alguns bonequeiros de Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba pensamos em uma caravana entre os três estados que represntávamos, mas só eu acabei conseguindo o patrocínio para fazer por aqui. O Armando Appel me ligou e disse: ‘Sassá, tu tens um projeto assim, queres que eu arrume patrocínio bom?’ Foi lindo. Ele conseguiu captar os recursos e veio aí o primeiro FITA.” A partir desse início improvisado, o festival cresceu, ganhou força e se consolidou como referência no teatro de animação, reunindo artistas do Brasil e de outros países.

Uma empreendedora movida pela arte

Sassá se tornou, ainda que sem planejar, uma empreendedora cultural. “Nunca pensei em ser empreendedora, aconteceu por acaso. Mas hoje vejo que sou, sim. Acredito no poder transformador da arte. Atuo conectando projetos e espetáculos que inspiram as pessoas. Meus alunos e ex-alunos são muito atuantes, e eu vibro quando percebo que minha força os atinge positivamente.”

O olhar de professora continua presente, mas ampliado pela experiência de quem aprendeu a lidar com editais, captação de recursos e a gestão de um evento de grande porte. “O maior desafio foi o primeiro FITA. Eu atuava apenas como professora e não imaginava o que viria depois. Com o tempo, nos organizamos e o festival hoje acontece com tranquilidade, mas o problema sempre é o patrocínio. Conseguimos editais facilmente, mas o patrocínio direto é sempre o desafio.”

Ao longo dos anos, o FITA foi se transformando. “No início, a curadoria era só minha. Agora somos cinco: eu, Zélia Sabino, coordenadora executiva, e o Gustavo Bieberbach, que há cinco anos está na coordenação conosco, além de Ricardo Goulart e Igor Gomes Faria. Cada um tem um olhar diferente e isso é muito enriquecedor. Nesta 15ª edição tivemos o patrocínio da Petrobras pela primeira vez, o que foi muito importante.”

Aos 67 anos, Sassá fala com entusiasmo e uma curiosidade intacta. “Lá no início eu queria muito, agora quero muito mais. Quero o espetáculo da cidade toda, do país todo e de fora do país também. Quero que todos vejam o que eu amo.”

 

O FITA nasceu do desejo de levar o teatro para além da sala de aula e hoje reúne artistas do Brasil e do mundo.

 

O FITA como espaço de afeto e resistência

Quando fala sobre o que torna o festival especial, ela responde sem hesitar. “O FITA é feito com muito amor. Desde o início, cada pessoa contratada sabe que tudo aqui é feito com dedicação e respeito. A gente se olha olho no olho. Os grupos que vêm trabalhar saem agradecendo o carinho. Isso me toca muito.”

Mesmo diante das dificuldades que o setor enfrenta no país, o FITA continua firme. “Nosso problema é sempre orçamentário. Não enfrentamos obstáculos deliberados, mas sim a falta de patrocínio, de recursos. É sempre isso.” Ainda assim, a força da iniciativa e o engajamento de quem acredita na arte mantêm o festival vivo.

Hoje, o FITA dialoga com os debates atuais da sociedade e busca ampliar o alcance do teatro de animação. “A missão do festival é encontrar nos espetáculos essa contemporaneidade. Procuramos diversidade, inclusão e acessibilidade. Os artistas de animação estão muito ligados a esses temas. Eles têm muito a nos oferecer.”

Sassá fala com a segurança de quem construiu, com trabalho e afeto, algo que ultrapassou a ideia inicial. O FITA nasceu de uma vontade de mostrar o teatro aos alunos e se tornou um espaço de formação, encontro e criação coletiva. Na essência de tudo está o que ela acredita desde o começo: a arte como um modo de inspirar pessoas e transformar realidades. “É muito importante ressaltar que desde o início, o Festival é feito por professora, alunos e - atualmente - os ex-alunos, o FITA não é meu, ele é nosso!”

Para finalizar, Sassá deixa uma mensagem para as mulheres que sonham em empreender na arte. Confira aqui.

 

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Da redação

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