Lúcia Prazeres constrói festas como enfrenta a vida
Aos 64 anos, produtora de eventos defende organização, clareza e preparo como base do trabalho
Lúcia Prazeres fala da vida com a mesma naturalidade com que organiza uma festa, e a nossa Personagem da Semana é prova disso. Aos 64 anos, produtora de eventos, ela não romantiza o caminho, mas trata cada desafio como parte do jogo. “A vida foi feita para a gente ser feliz”, diz, com uma convicção que atravessa toda a sua história. Para ela, quase tudo tem solução. Quase. “A única coisa que eu não levanto é morto. O resto, eu faço com prazer.”
Esse olhar otimista não é discurso pronto. É método de trabalho, é postura diante dos imprevistos e é também a base de uma carreira construída sem medo do tamanho das tarefas. Lúcia não fala em dificuldades. A palavra, segundo ela, simplesmente não existe no seu vocabulário profissional.
Produzir é planejar para dar certo
Uma das produções que carrega com especial carinho é a Feijoada da ACI, evento que, na última edição, realizada neste mês, reuniu mais de 200 pessoas. Para Lúcia, o segredo do sucesso não está em fórmulas mirabolantes, mas na organização rigorosa e no respeito ao que foi combinado. “A gente planeja tudo antes, faz planilha, trabalha dentro do preço que o cliente quer e da qualidade que vai entregar”, explica. E completa: “A gente sempre entrega mais do que promete”.
O clima, especialmente em Florianópolis, é um dos poucos fatores que escapam do controle. Lúcia já enfrentou eventos interrompidos pela chuva ou desmontados pelo vento. Ainda assim, trata esses episódios como parte do ofício. “É prestar atenção no que está fazendo e usar bem o tempo para não correr risco”, resume.
A Feijoada da ACI, idealizada a partir de uma proposta da V.P. Lúcia Helena Vieira, ganhou forma com essa lógica. Festa diurna, organizada nos mínimos detalhes, com comida elogiada, bar eficiente e música bem escolhida. Para a nossa Personagem, o sucesso não está em evitar perrengues, mas em não se deixar paralisar por eles. “Eu nunca vejo o perrengue”, afirma.
O que o público não enxerga
Quem participa de um evento costuma ver apenas o resultado final. O que fica fora do campo de visão, segundo Lúcia, é decisivo. “É a equipe coesa, todo mundo trabalhando com o mesmo objetivo, e a logística feita antes.” Um evento, muitas vezes, começa meses antes de acontecer. Três, quatro meses ou mais de planejamento para que, no dia, tudo pareça simples.
Essa combinação de logística bem feita, controle de orçamento e criatividade não é um malabarismo improvisado. Lúcia diz que sempre trabalha a partir do que o cliente deseja, sem surpresas financeiras depois. A criatividade vem da observação constante, da busca por referências e, sobretudo, do envolvimento emocional com o trabalho. “Quando tu ama, tu faz perfeito. Ou tenta, pelo menos.”
Corporativo ou celebração, tudo passa pelo cuidado
Na avaliação de Lúcia, eventos corporativos e festas comemorativas têm naturezas diferentes, mas compartilham um ponto central. O amor pelo que se faz. Em celebrações familiares, como aniversários ou festas de fim de ano, o nível de atenção aos detalhes costuma ser ainda maior. “É menos gente, elas olham tudo”, diz. Por isso, o capricho precisa ser redobrado.
Essa sensibilidade aparece também nas dicas práticas que ela oferece para quem quer montar uma ceia elegante sem exageros. A solução, muitas vezes, está no simples. Galhos, pinheiros, elementos naturais, uma mesa que permita que todos se olhem. Lúcia conta que organiza ceias para cerca de 30 pessoas da família e que esse costume vem desde a infância, quando ganhou o apelido de “Lúcia do laço”, pela paixão em decorar o Natal.
Elementos naturais, cores equilibradas e mesas que convidam ao encontro definem seu estilo.
Elegância como escolha, não como tendência
Quando fala em tendências, Lúcia relativiza o conceito. Para ela, a elegância clássica não passa de moda. Vasos com flores iguais, jardins bem compostos, cores equilibradas. Menos excesso, mais intenção. “Ser elegante é mostrar que tu tá feliz em receber as pessoas”, resume. Esse cuidado não se restringe a grandes ocasiões. Às vezes, basta acordar com vontade de fazer bonito até para um almoço comum.
O que transforma uma festa em algo memorável, segundo ela, é a soma de fatores. Os convidados, a comida, a bebida, a música. Aquilo que permanece na memória, quase como um cheiro que volta quando se fecha os olhos. Nem sempre é o tamanho do evento que define a experiência. Às vezes, duas pessoas já são suficientes para criar um encontro inesquecível.
Todas as produções viram “meninas dos olhos”
Perguntada sobre uma produção favorita, Lúcia não escolhe uma só. Todas acabam virando “meninas dos olhos”. Seja um evento tropical, uma festa corporativa ou um casamento. Ela gosta especialmente quando a noiva confia, diz o que gosta e deixa o resto acontecer. Aí surgem os detalhes que ela aprecia: anel de guardanapo, alecrim da igreja, pequenos gestos que constroem identidade. “Eu só faço o que eu gosto”, afirma. E isso transparece no resultado.
Lúcia costuma viajar acompanhada da família e transforma cada destino em experiência compartilhada.
Viagens, aventura e curiosidade intacta
Fora do trabalho, Lúcia carrega o mesmo espírito inquieto. Gosta de viajar, prefere períodos mais curtos e quase nunca vai sozinha. Leva a família, a equipe, pessoas próximas. Em janeiro, realiza um sonho antigo: ver a aurora boreal, fenômeno que está mais intenso por conta da relação entre o Sol e a Terra até abril de 2026. Mesmo não sendo fã de frio, decidiu viver a experiência.
As viagens raramente são muito planejadas. Lúcia gosta de abrir o atlas, olhar mapas e decidir o destino quase por impulso. Já dormiu no deserto do Saara, chegou de camelo, montou tenda, viveu aventuras com o neto ainda pequeno. Hoje, com o tempo, busca um pouco mais de conforto, mas sem abrir mão da curiosidade. “Se eu pudesse, faria isso com mais frequência”, diz.
Entre planilhas, mesas bem-postas, festas memoráveis e destinos improváveis, Lúcia Prazeres construiu uma forma muito própria de estar no mundo. Trabalha como vive: sem medo, com entrega e com a certeza de que, enquanto há vida, sempre há solução.
Da redação
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