Filme sobre o pintor de “O Grito” - Edvard Munch - estreia nesta semana no Paradigma Cine Arte
O artista mais famoso do mundo é também o mais desconhecido. Deixou nada menos que 28 mil obras de arte, embora seja mundialmente lembrado por apenas uma
Esta é a quarta obra da série de documentários sobre arte, lançada em 2025 pela Autoral Filmes. Começou com “Andy Warhol, um Sonho Americano” depois foi a vez de “Picasso, um Rebelde em Paris”; no mês passado “Maldito Modigliani” fez sucesso nas telonas e agora é a vez de Edvard Munch ser retratado com maestria. O documentário italiano e assinado por Michelle Mally, recebeu o nome de "Munch: Amor, Fantasmas e Vampiras" ("Munch: Love, Ghosts and Lady Vampires") e convida a refletir sobre a obra multifacetada do pintor norueguês, autor do quadro 'O Grito'.
O longa parte em busca das raízes e da identidade do pintor Edvard Munch, que viveu entre 1863 e 1944 e nos convida a refletir sobre o tema central da obra do artista: sua ideia de "tempo". Nenhum artista no mundo é ao mesmo tempo tão famoso e tão desconhecido quanto Edvard Munch. Se o seu "O Grito" se tornou um ícone de nossa época, o restante de sua obra não alcançou a mesma notoriedade.
O documentário busca lançar uma nova luz sobre Edvard Munch: um homem profundamente misterioso e fascinante, um precursor e mestre para todos que vieram depois dele. Munch escreveu: "Não pinto o que vejo, mas o que vi." E, de fato, ele repetia seus temas, pintando e repintando as mesmas imagens e guardando-as em seu ateliê, lançando as bases para a produção dos múltiplos. Seu conceito pessoal de "tempo" se reflete em um equilíbrio delicado e original entre passado e presente uma ferramenta para viver a própria existência, uma ponte entre as dimensões do universo, permitindo o contato com o mundo dos fantasmas e espíritos.
"Munch" começa na casa de Edvard Munch em Åsgårdstrand. Numa noite de inverno, diante da lareira, uma jovem a atriz Ingrid Bolsø Berdal ("A Espia"), que nos guia nessa jornada lê para as crianças um conto popular norueguês. É o mundo do Grande Norte, onde os ventos falam, ursos carregam meninas em suas costas e trolls lançam feitiços. As crianças escutam encantadas, enquanto a neve cai e uma música distante aquece o coração. A produção reúne depoimentos de artistas, curadores e historiadores da arte, como Jon-Ove Steihaug (chefe de exposições e coleções do MUNCH em Oslo), Giulia Bartrum (curadora do British Museum por décadas) e Frode Sandvik (curador do Kode, em Bergen), que analisam os temas, as obsessões, mas também as habilidades técnicas e os diversos meios que o artista utilizou.
A pesquisa de Munch sobre a alma humana, sua tentativa de traduzir emoções em tela ou papel, foi acompanhada por técnicas experimentais o que torna suas obras, como explica a restauradora Linn Solheim, extremamente frágeis hoje. Na tela, visitamos os lugares queridos por Munch: as florestas e praias de Åsgårdstrand; Vågå, com as montanhas de seus ancestrais paternos; a casa de pescadores em Warnemünde, na Alemanha; e a propriedade de Ekely, perto de Oslo, onde viveu os últimos trinta anos, sozinho com seu cavalo Rousseau e seus cães, ocasionalmente visitado por jovens modelos. Lá, voltava repetidamente aos mesmos temas, numa espécie de repetição compulsiva. Nos autorretratos da velhice de Munch, seus olhos refletem a história do início do século XX, as vibrações do éter das novas descobertas científicas eletromagnéticas e as ambíguas relações de amor e dor que marcaram sua vida.
Ainda assim - como sugerem os historiadores da arte Elio Grazioli e Øivind Lorentz Storm Bjerke -, é justamente nessa repetição contínua e nos experimentos visuais com filme e fotografia que encontramos a chave para entrar no Tempo de Munch. O que permanece é uma busca por salvação, uma abertura para os espíritos, para os fantasmas que nos cercam, "com moléculas leves e intangíveis".
Onde assistir: Paradigma Cine Arte, a partir desta quinta-feira, 11, em duas sessões diárias, às 11h25 e às 18h30.
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Sobre o autor
Karin Verzbickas
Jornalista conhecida por suas resenhas de filmes no Jornal Imagem da Ilha
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