00:00
21° | Nublado

Como funcionava o esquema de corrupção
Investigação detalha como a organização desviava recursos da prefeitura

Polícia conclui inquérito sobre desvios de recursos públicos em Florianópolis. Ex-secretário Ed Pereira é apontado como líder do esquema de corrupção. (Foto: Divulgação)

Publicado em 03/04/2025

A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu o inquérito da primeira fase da Operação Presságio e indiciou 23 pessoas por envolvimento em uma organização criminosa que teria desviado recursos da Secretaria Municipal de Turismo, Cultura e Esporte de Florianópolis. De acordo com as investigações, o ex-secretário municipal Ed Pereira seria o líder do grupo, que atuava dentro da própria estrutura da pasta para cometer crimes contra a administração pública.

As irregularidades identificadas envolvem repasses financeiros ao Instituto Bem Possível, configurando crimes de peculato e falsidade ideológica. O grupo é suspeito de causar prejuízo de aproximadamente R$ 10 milhões aos cofres municipais.

Indiciados na Operação Presságio

Entre os 23 indiciados estão ex-servidores públicos e pessoas utilizadas como "laranjas" para operacionalizar o esquema. A investigação indicou 18 pessoas pelo crime de formação de organização criminosa, enquanto dez também responderão por peculato e falsidade ideológica.

Os indiciados são:

Edmilson Carlos Pereira Junior (organização criminosa, peculato e falsidade ideológica);

Samantha Santos Brose (organização criminosa, peculato e falsidade ideológica);

Renê Raul Justino (organização criminosa, peculato e falsidade ideológica);

Gilliard Osmar dos Santos (organização criminosa);

Cleber José Ferreira (organização criminosa, peculato e falsidade ideológica);

Lucas da Rosa Fagundes (organização criminosa);

Guilherme Dias Pires (organização criminosa, peculato e falsidade ideológica);

Leonardo Silvano (organização criminosa);

Adriano de Souza Ribeiro (organização criminosa);

Fernando Lopes Nascimento (peculato e falsidade ideológica);

Gabriel Antônio Euzébio (organização criminosa);

Ezequiel Luiz Costa de Lima (organização criminosa);

Luiza Dozol Pires (peculato e falsidade ideológica);

Evelyn Caroline da Silva (organização criminosa);

Robson Vilela (organização criminosa);

Tanaiha Justino (organização criminosa);

Vanessa Martinelli (organização criminosa);

Filipe André Caetano (organização criminosa);

Renan Dias Pires (organização criminosa);

Gustavo Simas (peculato e falsidade ideológica);

Marilu Martins Pinheiro (peculato e falsidade ideológica);

Michele Pereira Portela (peculato e falsidade ideológica);

Daniel Rodrigues Ribeiro de Lima (organização criminosa).

Estrutura da organização criminosa

As investigações apontam que o esquema era dividido em quatro níveis:

Liderança: Ed Pereira;

Núcleo administrativo e financeiro: Samantha Santos Brose e Renê Raul Justino;

Núcleo operacional: Gilliard Osmar dos Santos, Lucas da Rosa Fagundes, Cleber José Ferreira, Adriano de Souza Ribeiro, Leonardo Silvano, Gabriel Antônio Euzébio, Guilherme Dias Pires, Filipe André Caetano e Renan Dias Pires;

Núcleo dos "laranjas": Ezequiel Luiz Costa de Lima, Daniel Rodrigues Ribeiro de Lima, Robson Vilela, Evelyn Caroline da Silva, Tanaiha Lima Justino e Vanessa Espíndola Martinelli.

Funcionamento do esquema

As investigações indicam que Edmilson Pereira e sua esposa, Samantha Santos Brose, eram os responsáveis por coordenar os projetos sociais do Instituto Bem Possível, que recebeu repasses para atividades socioeducativas. Entre 2017 e 2023, a entidade recebeu R$ 875.169,63 em verbas públicas.

Para ocultar os desvios, o grupo utilizava terceiros como "laranjas". Renê Raul Justino, conforme a polícia, desempenhava o papel de "testa de ferro" no esquema.

Fases da Operação Presságio

A primeira fase da investigação levou ao afastamento de Ed Pereira do cargo, em janeiro de 2024. A segunda fase resultou na prisão preventiva do ex-secretário, em maio do mesmo ano, juntamente com Renê Raul Justino, Lucas Fagundes da Rosa e Cleber José Ferreira. Durante esta etapa, foram comprovados crimes como corrupção ativa, corrupção passiva, emissão de notas fiscais falsificadas, peculato e formação de organização criminosa.

Na terceira fase, foram cumpridos 24 mandados de busca e apreensão contra 20 investigados, além do afastamento de servidores públicos suspeitos de envolvimento. A investigação segue em andamento.

Defesas e contrapontos

A equipe jurídica de alguns indiciados foi contatada, mas até o momento apenas a defesa de Renê Raul Justino se manifestou. Os advogados Wiliam Shinzato e Marina Shinzato informaram que estão analisando a situação e emitirão um pronunciamento oportunamente. O espaço segue aberto para novas manifestações dos envolvidos.

 

 

 

Da redação

Para receber notícias, clique AQUI e faça parte do Grupo de WHATS do Imagem da Ilha.

Gostou deste conteúdo? Compartilhe utilizando um dos ícones abaixo!

Pode ser no seu Face, Twitter ou WhatsApp!

Para mais notícias, clique AQUI