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O duo 'A Corda em Si' percorre cinco cidades catarinenses

O duo 'A Corda em Si' percorre cinco cidades catarinenses
Mateus Costa e Fernanda Rosa, do duo A Corda em Si, e Rodrigo Gudin Paiva em ensaio para o álbum 'As Paredes Têm Ouvidos', que entra em turnê por cinco cidades de Santa Catarina, a partir de 12 de novembro. (Foto: Ana Clara Miranda)

Publicado em 08/11/2026

O duo catarinense A Corda em Si, formado por Fernanda Rosa (voz) e Mateus Costa (contrabaixo), neste projeto com a parceria do percussionista Rodrigo Gudin Paiva iniciam, em novembro, uma turnê por Santa Catarina com o espetáculo “As Paredes Têm Ouvidos”. A circulação começa em Balneário Camboriú, no dia 12 de novembro, no Teatro Bruno Nitz, e segue para Joinville (19/11), na Sociedade Harmonia Lyra; Blumenau (21/11), no Teatro Carlos Gomes - Auditório Willy Sievert; Criciúma (25/11), no Espaço CRIO; e Florianópolis (04/12), no Teatro Pedro Ivo, sempre às 19h, com ingressos gratuitos disponíveis no Sympla. No palco, os três artistas apresentam um trabalho que combina música autoral, experimentação sonora e sensibilidade, convidando o público a redescobrir outras formas de ouvir, sentir e perceber a música. 

Com 17 anos de trajetória, o A Corda em Si desenvolve uma linguagem musical própria, construída a partir da relação entre voz, contrabaixo, corpo, instrumentos, equipamentos eletrônicos e espaços. Fernanda tem baixa visão e Mateus é cego, e suas experiências sensoriais no dia a dia não aparecem apenas como características pessoais, mas atravessam a maneira como os artistas criam e se relacionam com a música.

Em “As Paredes Têm Ouvidos”, a dupla retoma a parceria com Rodrigo Gudin Paiva, percussionista, compositor, professor e pesquisador com mais de três décadas de carreira. Doutor em Música e autor de livros sobre percussão, Rodrigo também desenvolve pesquisas relacionadas à educação musical inclusiva. Sua participação amplia as possibilidades rítmicas e sonoras do trabalho, em uma construção que explora o encontro entre diferentes instrumentos, timbres e linguagens. O artistas utiliza instrumentos da cultura popular como berimbau, cajon, caixa do divino e outros não convencionais como materiais reutilizados, entre eles sacola de supermercado, latão de querosene e chocalho de refil de café expresso.

O espetáculo apresenta composições do álbum homônimo, em que a fluidez e o caráter dançante dos arranjos convivem com letras sensíveis que abordam questões sociais e provocam reflexões sobre o mundo contemporâneo. Essa relação entre delicadeza e aspereza, movimento e matéria também orienta a identidade visual do projeto, que encontra beleza em elementos que remetem a ruínas, fragmentos e superfícies desgastadas.

“Quando a gente explora essas ruínas, vai conseguindo ver as belezas das dores e das delícias de quem somos”, explica Fernanda Rosa. Para a artista, o contraste também está presente na construção musical, “enquanto o arranjo conduz o ouvinte por movimentos fluidos e dançantes, as letras trazem à tona questões sociais urgentes somadas a depoimentos de histórias reais dos artistas que provocam, confrontam e deixam marcas”, observa.

Cultura DEF e formação de públicos

A turnê também propõe ampliar o encontro entre diferentes públicos por meio da música. Com recursos de acessibilidade voltados a pessoas com deficiência visual e auditiva, “As Paredes Têm Ouvidos” dialoga com a Cultura DEF, perspectiva que reconhece as pessoas com deficiência como protagonistas da produção artística e cultural, valorizando suas experiências e diferentes formas de perceber e estar no mundo como produtoras de saberes, linguagens e estéticas.

No trabalho do A Corda em Si, essa relação vai além da oferta de recursos de acessibilidade. As experiências de Fernanda e Mateus fazem parte da própria criação, contribuindo para questionar padrões estabelecidos sobre corpo, percepção e maneiras de produzir arte.

A proposta da circulação é também estimular a presença de uma plateia diversa, formada por pessoas com e sem deficiência. Para isso, o projeto prevê a aproximação com associações, instituições, organizações sociais e grupos comunitários das cidades que receberão as apresentações, buscando ampliar as oportunidades de acesso e participação cultural. 

Do videoclipe aos palcos

A circulação dá continuidade às ações de lançamento de “As Paredes Têm Ouvidos”, que ganhou, em setembro, o videoclipe da música “Hipocrisia”, composição de Fernanda Rosa com participação do rapper Beal. O clipe tem duas versões, sendo que uma delas é acessível e foi lançada em 21 de setembro, Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. 

Depois, em 01 de novembro, os artistas lançaram o álbum completo, com 11 faixas, em todas as plataformas de streaming. É possível escutar as músicas autorais acessando os links no destaque Lançamento do Instagram @acordaemsi, bem como acessando sua plataforma de música favorita.  

 

Da redação

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