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Um Filme, um Show e a nossa Libido de cada dia, por Denise Evangelista Vieira

Um Filme, um Show e a nossa Libido de cada dia, por Denise Evangelista Vieira
O filme Meu Nome é Agneta e o espetáculo O Cabaré, de Eduardo Bassani, despertam uma reflexão sobre libido, desejo, responsabilidades e a necessidade de preservar aquilo que nos faz sentir vivos. (Foto: Canva)

Publicado em 21/08/2026

Um filme na Netflix e um show em Florianópolis, ambos assistidos recentemente, se conectaram na minha cabeça. Meu Nome é Agneta, de Johanna Runevad, baseado no livro homônimo da escritora sueca Emma Hamberg, me foi indicado por uma  amiga e depois também por uma paciente. O Cabaré, do super talentoso, multiartista, pianista, cantor e ator Eduardo Bassani, é um daqueles espetáculos que nos fazem sair de casa numa noite gelada de terça-feira. Mas o que liga o filme ao músico? Ambos nos lembram que existe alguma coisa pulsando dentro de nós e que não é possível deixar morrer.

Prudência, composição de Tim Bernardes, ganhou uma interpretação deslumbrante na voz  e nos teclados de Eduardo Bassani. A música, que faz parte do repertório de O Cabaré, fala do conflito entre a cautela e a paixão, ou entre o que se deve ser e fazer, em contraposição ao que nos faz sentir vivos.  Sem dar spoiler, Agnetha e Einar, personagens centrais, representam essa dualidade.

Na linguagem da Psicologia e nas cenas das duas obras, a libido é a protagonista. Escondida na trajetória insossa de Agneta e perseguida explicitamente por Einar, é no “diálogo” entre os dois que ela floresce num e se integra no outro.

Agneta, interpretada pela atriz Eva Melander, tem quase 50 anos, dois filhos e é despedida de um emprego de toda a vida. A cada cena vemos objetos que simbolizam o que estrutura a vida e as escolhas de Agneta. O tênis, as duas portas dos dois quartos do casal, o vestido, a sandália vão contando o desenrolar das transformações pelas quais passa a personagem, assim como o cenário e o figurino de Einar vão nos falando de alguns resgates possíveis.

O estilo de vida sueco e a vida na pequena comunidade da Provença também simbolizam a oposição entre a vida vivida no cumprimento das expectativas sociais alheias e a busca por uma vida mais autêntica, cheia de alegria, imaginação, cor e prazer.

O interessante nessa história contada com leveza é que ela não trata com superficialidade aspectos que fazem parte de todos nós, e que  podem ser capturados para a manutenção de um status quo, se cairmos num ou noutro extremo. É que a libido também pode encontrar limites, não só nos impostos pelo corpo, mas também se não for permeada por sentimentos, tão genuínos quanto. Assim como, a vida sem libido, sem alegria, interesse, desejo, afeto, curiosidade e troca pode ser tudo, menos vida. As responsabilidades podem e devem dialogar com essa energia que nos impulsiona. Talvez, o nosso desafio esteja em aprendermos com essas forças, com as Agnetas e os Einar que nos habitam e nos responsabilizarmos, não só por nossos deveres, mas também por nossa própria felicidade.

Agneta vai compreendendo que é possível viver, não só cumprir um roteiro pré-estabelecido. Einar ensina Agneta a olhar, a ver e a sentir a si mesma e, por consequência, a vida; Agneta ensina Einar a ouvir necessidades e sentimentos que ele tentou colocar de escanteio diante de alguns impedimentos.

Os personagens coadjuvantes também cumprem papéis imprescindíveis.  São as redes que nos sustentam, nos impulsionam ou nos prendem nos roteiros que vamos criando para nós mesmos. 

 

 

Caso você queira entrar em contato com a Denise, mande uma mensagem para deevavi.psicoterapeuta@gmail.com.

 

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Sobre o autor

Denise Evangelista Vieira

Denise Evangelista Vieira

Psicóloga formada pela UFSC e em Artes Cênicas pela Udesc. Escreve sobre o universo humano. Quem somos e em quem podemos nos tornar? CRP 12/05019.


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