Sete sinais que merecem investigação médica
Setembro reúne datas de conscientização sobre linfomas, leucemia mieloide crônica e doação de medula óssea.
Cansaço persistente, febre sem causa aparente, suor noturno e o surgimento de ínguas são sintomas comuns e, na maioria das vezes, estão relacionados a condições benignas. Porém, quando persistem, aparecem associados ou não têm uma explicação clara, podem indicar alterações que precisam de investigação, inclusive doenças que afetam o sangue, a medula óssea e o sistema linfático.
O alerta ganha destaque em setembro, que reúne importantes datas sobre doenças onco-hematológicas. Em 15 de setembro é celebrado o Dia Mundial de Conscientização sobre Linfomas; o terceiro sábado do mês marca o Dia Mundial do Doador de Medula Óssea; e 22 de setembro é o Dia Mundial da Leucemia Mieloide Crônica.
Segundo a hematologista, Dra. Caroline Bernardi, leucemias, linfomas e mieloma múltiplo apresentam características diferentes, mas algumas alterações podem indicar a necessidade de avaliação médica. “É importante destacar que esses sinais e sintomas também ocorrem em diversas condições benignas e, isoladamente, não significam que a pessoa tenha câncer. O que chama atenção é principalmente a persistência, a associação entre diferentes sintomas e o aparecimento de alterações sem uma causa evidente”, explica.
7 sinais que merecem atenção
1. Cansaço persistente
Fadiga mais intensa que o habitual, que não melhora com descanso e interfere nas atividades diárias, merece avaliação. Uma das possíveis causas são alterações na produção das células do sangue, como a anemia.
2. Palidez
A redução dos glóbulos vermelhos ou da hemoglobina pode causar palidez, além de cansaço, fraqueza, tontura ou falta de ar, principalmente durante esforços.
3. Febre sem causa aparente ou infecções frequentes
Febre persistente ou recorrente sem causa identificada e infecções de repetição também merecem atenção. Algumas doenças hematológicas podem comprometer a quantidade ou o funcionamento dos glóbulos brancos, responsáveis pela defesa do organismo.
4. Hematomas ou sangramentos sem explicação
Manchas roxas frequentes sem trauma proporcional, sangramentos nasais recorrentes ou sangramento gengival podem estar relacionados, entre outras causas, a alterações nas plaquetas. Quando persistentes ou sem explicação, devem ser avaliados.
5. Ínguas persistentes
O aumento dos linfonodos, conhecidos como ínguas, é comum durante infecções e geralmente desaparece após a recuperação. Porém, quando persistem, crescem progressivamente ou surgem sem causa aparente, especialmente acompanhados de outros sintomas, precisam de avaliação médica.
6. Suor noturno intenso
A transpiração noturna ocasional pode ter diferentes causas. O sinal merece mais atenção quando é intenso e recorrente, chegando a molhar roupas ou roupa de cama, sem explicação evidente. Pode estar associado a alguns linfomas e outras doenças hematológicas.
7. Perda de peso sem explicação
A perda de peso involuntária, sem mudança na alimentação, aumento da atividade física ou outra causa conhecida, merece investigação, principalmente quando é significativa ou acompanhada de febre, suor noturno ou aumento de linfonodos.
“Não existe um único sintoma capaz de diagnosticar uma doença onco-hematológica. A avaliação considera o conjunto das manifestações, sua duração, o histórico e o exame clínico do paciente e, quando indicado, exames complementares”, destaca a especialista.
Diagnóstico e tratamento avançaram
As doenças onco-hematológicas incluem diferentes tipos de câncer que atingem o sangue, a medula óssea e o sistema linfático, como leucemias, linfomas e mieloma múltiplo.
A investigação depende da suspeita clínica. O hemograma costuma fazer parte da avaliação inicial, mas podem ser necessários exames como estudos da medula óssea, imunofenotipagem, biópsias, exames de imagem e testes citogenéticos e moleculares.
O tratamento varia conforme o tipo e as características da doença e do paciente. Entre as opções estão quimioterapia, imunoterapia, terapias-alvo e, em situações específicas, o transplante de células-tronco hematopoéticas, conhecido como transplante de medula óssea.
“Nas últimas décadas, tivemos avanços importantes tanto no diagnóstico quanto no tratamento das doenças onco-hematológicas, com métodos diagnósticos mais precisos e terapias cada vez mais direcionadas às características biológicas de cada doença”, conclui a Dra. Caroline Bernardi.
Da redação
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