Perder peso rápido pode ter um preço alto
Especialistas explicam como a perda acelerada de peso pode comprometer músculos, intestino, aparência e resultados a longo prazo
Com a proximidade do verão, dietas restritivas, jejuns prolongados, desafios de internet e medicamentos para emagrecimento ganham espaço entre quem deseja perder peso rapidamente.
Medicamentos como semaglutida e tirzepatida ampliaram as possibilidades de tratamento da obesidade e podem proporcionar perdas expressivas de peso. Porém, especialistas alertam: emagrecer mais rápido não significa necessariamente emagrecer melhor.
Para o endocrinologista Dr. Bruno Cardoso, titulado pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), esses medicamentos devem ser utilizados para tratar uma doença crônica, e não apenas como ferramentas para acelerar a perda de peso. Segundo ele, o tratamento precisa considerar saúde metabólica, composição corporal, tolerabilidade, comorbidades e a manutenção dos resultados.
1. O peso cai, mas músculo também pode ir embora
Durante uma perda de peso expressiva, o organismo não elimina apenas gordura. Quando a ingestão alimentar diminui muito, principalmente sem planejamento nutricional e exercícios adequados, também pode ocorrer perda de massa magra.
O ortopedista e especialista em nutrologia e medicina do esporte Dr. Renan Bosio destaca que preservar os músculos deve fazer parte da estratégia desde o início. Proteína adequada e exercícios resistidos, como a musculação, são importantes, sempre com orientação individualizada.
2. Comer menos não significa potencializar o tratamento
A redução do apetite causada por alguns medicamentos pode levar à falsa impressão de que quanto menos a pessoa comer, melhor será o resultado. O presidente da Academia Brasileira de Clínica Médica, Patrick Ferreira, alerta que o organismo continua precisando de proteínas, vitaminas, minerais e energia.
Uma alimentação excessivamente reduzida pode resultar em perda de peso expressiva, mas comprometer a massa muscular e a saúde. O objetivo deve ser reduzir gordura preservando força e funcionalidade.
3. O intestino também pode sentir os efeitos
A menor ingestão de alimentos, água e fibras, somada aos efeitos gastrointestinais de alguns medicamentos, pode favorecer a constipação.
A coloproctologista e cirurgiã geral Dra. Lorena Willers Coutinho alerta que a constipação pode levar a fezes ressecadas, esforço para evacuar e até fissuras anais, com dor e sangramento. Segundo ela, os sintomas devem ser relatados ao médico, sem uso indiscriminado de laxantes.
4. Resistência à insulina não justifica estratégias radicais
“Metabolismo lento” e “resistência à insulina” são frequentemente apontados nas redes sociais como explicações para a dificuldade de emagrecer. A endocrinologista Patricia Gracitelli ressalta que a resistência à insulina merece atenção, mas não justifica dietas radicais ou a exclusão indiscriminada de nutrientes.
Segundo ela, obesidade e dificuldade para emagrecer são multifatoriais e envolvem fatores como alimentação, composição corporal, atividade física, sono, genética e estresse.
O médico Dr. Vagner Chiapetti também reforça que alterações metabólicas devem ser investigadas antes de qualquer tentativa de tratamento por conta própria.
5. O “Projeto Verão” pode terminar em efeito sanfona
A proximidade do verão pode criar uma pressão para alcançar determinado peso em poucas semanas. Para Gabriela Rossmam, médica com atuação em emagrecimento, estabelecer uma data limite favorece estratégias difíceis de manter.
Segundo ela, começar o processo com mais antecedência permite ajustar alimentação, atividade física, sono e comportamento sem recorrer a medidas extremas.
6. O rosto também pode mudar
A perda acelerada de gordura também pode provocar mudanças na aparência do rosto, como bochechas mais fundas, sulcos mais evidentes e flacidez.
O cirurgião plástico facial Dr. Yuri Moresco explica que a perda significativa de gordura pode reduzir o volume facial e evidenciar estruturas e flacidez preexistente. Ele também alerta contra a tentativa de corrigir imediatamente essas mudanças com preenchimentos, já que nem toda alteração facial exige reposição de volume.
7. A meta deveria ser saúde, não uma data
Os especialistas concordam que os medicamentos modernos ampliaram as possibilidades de tratamento da obesidade e não devem ser demonizados. O problema está em transformar o emagrecimento em uma corrida para alcançar rapidamente um número menor na balança.
Para o endocrinologista Dr. Bruno Cardoso, o objetivo deve ser tratar a doença crônica, melhorar a saúde cardiometabólica, preservar a massa muscular e construir resultados sustentáveis.
Com a chegada do verão, cuidar do peso pode ser um estímulo positivo, mas não deve se transformar em um prazo para colocar a saúde em risco. Mais importante do que quantos quilos foram eliminados é entender como o corpo chegou até esse resultado.
Da redação
Para receber notícias, clique AQUI e faça parte do Grupo de WHATS do Imagem da Ilha.
Gostou deste conteúdo? Compartilhe utilizando um dos ícones abaixo!
Pode ser no seu Face, Twitter ou WhatsApp!
Para mais notícias, clique AQUI
Notícias relacionadas Ver todas
21° | Nublado