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Nem todo corpo suporta um treino intenso
Para quem está começando, progressão gradual ajuda a tornar os treinos mais seguros e sustentáveis

Nem todo corpo suporta um treino intenso
A popularização dos treinos de alta intensidade nas redes sociais não significa que esse nível de esforço seja adequado para todas as pessoas. (Foto: Magnific)

Publicado em 20/09/2026

A busca por treinos de alta intensidade ganhou espaço nas redes sociais, impulsionada por modalidades que prometem resultados em menos tempo e por desafios de corrida, musculação e treinamento funcional. Mas aumentar a intensidade do exercício não significa necessariamente aumentar seus benefícios. Para algumas pessoas, especialmente aquelas que estão saindo do sedentarismo ou apresentam fatores de risco cardiovascular, a progressão precisa ser individualizada.

“O exercício físico é uma das principais ferramentas para prevenção e controle das doenças cardiovasculares, mas a intensidade precisa ser compatível com a condição clínica e o nível de condicionamento de cada pessoa. O que representa um esforço adequado para um indivíduo treinado pode ser excessivo para alguém sedentário”, explica o cardiologista André Brandão.

A resposta do coração ao exercício depende de fatores como idade, condicionamento físico, histórico familiar, presença de hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade e doenças cardiovasculares já diagnosticadas. Por isso, não existe uma intensidade considerada ideal para toda a população.

Para quem está começando, a recomendação é aumentar o volume e a intensidade de forma gradual. Caminhada, bicicleta, corrida, natação e treinamento de força podem fazer parte da rotina, desde que a atividade seja adequada à condição física do indivíduo. Com a melhora do condicionamento, a intensidade pode ser progressivamente aumentada.

“O principal erro é tentar começar pelo nível mais alto de esforço porque aquela é a rotina de outra pessoa. O exercício precisa ser sustentável e progressivo. Mais importante do que treinar no limite é conseguir manter uma rotina de atividade física ao longo do tempo”, afirma Brandão.

Embora o exercício seja associado à proteção cardiovascular, alguns sintomas durante ou após a atividade não devem ser ignorados. Dor ou pressão no peito, falta de ar desproporcional ao esforço, tontura, desmaio, palpitações persistentes ou queda inexplicada do rendimento podem indicar a necessidade de avaliação médica.

O cuidado também deve ser maior para pessoas que passaram muito tempo sedentárias e decidem iniciar repentinamente atividades de alta intensidade, assim como para quem possui fatores de risco ou histórico de doenças cardiovasculares. Isso não significa que esses indivíduos estejam impedidos de praticar exercícios mais intensos, mas que a progressão deve considerar suas condições clínicas.

“Não significa que uma pessoa com fator de risco cardiovascular não possa fazer exercício intenso. Em muitos casos, ela poderá praticá-lo. A questão é entender qual intensidade é segura e adequada para aquele paciente, considerando sua condição clínica e seu condicionamento”, ressalta o cardiologista.

Antes de aumentar a intensidade dos treinos, portanto, é importante considerar o histórico de saúde e o nível de condicionamento. Pessoas que estão iniciando uma rotina de exercícios devem progredir gradualmente, enquanto aquelas com hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade, histórico familiar relevante ou doença cardiovascular diagnosticada podem precisar de avaliação individualizada. Durante a atividade, sintomas como dor ou pressão no peito, falta de ar intensa ou desproporcional ao esforço, tontura, desmaio e palpitações persistentes devem ser encarados como sinais de alerta e avaliados por um profissional de saúde.

“O objetivo não deve ser simplesmente treinar mais forte. O exercício mais benéfico é aquele que está adequado à pessoa, pode ser realizado com segurança e consegue ser incorporado de maneira consistente à rotina”, conclui André Brandão.

 

 

Da redação

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