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Dor crônica ameaça rotina de milhões de pessoas
Problemas de coluna e articulações estão entre as principais causas de incapacidade e podem comprometer atividades simples do cotidiano

Dor crônica ameaça rotina de milhões de pessoas
A dor crônica deixou de ser apenas uma questão individual e passou a representar também um impacto relevante sobre o mercado de trabalho. (Foto: Freepik)

Publicado em 23/08/2026

A relação entre saúde e produtividade ganha destaque diante de um problema silencioso e crescente: a dor crônica. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as condições musculoesqueléticas — que incluem problemas no joelho, quadril e coluna — já são a principal causa de incapacidade no mundo, afetando cerca de 1,71 bilhão de pessoas e respondendo por 17% de toda a incapacidade global.

Nesse contexto, o médico ortopedista Dr. Guilherme Morgado Runco explica como dores articulares impactam o cotidiano profissional e por que a atenção aos sinais precoces é essencial para preservar mobilidade, bem-estar e capacidade de trabalho ao longo da vida.

Segundo o especialista, as doenças articulares afetam diretamente atividades básicas do dia a dia profissional, desde longos períodos em que se passa sentado ou em pé, até tarefas que exigem esforço físico repetitivo. “A dor crônica reduz mobilidade, interfere na concentração e pode limitar a permanência no trabalho. Muitas vezes, o problema evolui de forma silenciosa até comprometer a rotina do paciente”, explica.

Doenças osteomusculares já geram 1 em cada 4 afastamentos médicos no Brasil

O impacto dessas condições já é mensurável no país. Um estudo epidemiológico com dados nacionais aponta que 26,7% dos afastamentos não acidentários estão relacionados a doenças musculoesqueléticas, o equivalente a mais de 841 mil licenças médicas concedidas.

Esse cenário evidencia como dores articulares e problemas de coluna deixaram de ser apenas uma questão de saúde individual para se tornarem também um desafio econômico e social.

Problemas de coluna lideram afastamentos do trabalho no país

Dados da Previdência Social, reunidos no Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, mostram a dimensão do impacto no país. Entre as principais causas de concessão de benefícios por incapacidade temporária estão doenças musculoesqueléticas, com destaque para dor lombar e hérnia de disco, que figuram entre os diagnósticos mais frequentes de afastamento laboral.

De acordo com o ortopedista, a progressão dessas condições costuma estar associada ao desgaste articular ao longo dos anos, sobrecarga mecânica, sedentarismo e envelhecimento populacional — fatores que ampliam o impacto no mercado de trabalho.

Sinais que não devem ser ignorados

Dor persistente, rigidez após períodos de repouso, limitação de movimento e dificuldade para atividades simples, como subir escadas ou caminhar longas distâncias, são sintomas que merecem avaliação especializada. O diagnóstico precoce pode permitir intervenções capazes de aliviar sintomas, retardar a progressão das doenças articulares, como a artrose, e preservar a autonomia por mais tempo.

“O principal erro é normalizar a dor como parte inevitável da rotina ou do envelhecimento. Quanto antes o paciente procura avaliação, maiores são as possibilidades de controle da evolução da doença e manutenção da qualidade de vida”, afirma o médico.

Diagnóstico e evolução dos tratamentos

Embora mudanças de estilo de vida, fortalecimento muscular e acompanhamento médico sejam pilares importantes do cuidado, os avanços tecnológicos vêm ampliando as possibilidades terapêuticas, especialmente em casos avançados de artrose de joelho e quadril.

O especialista destaca que atualmente a medicina conta com técnicas cada vez mais precisas, incluindo a cirurgia assistida por tecnologia robótica, que permite maior planejamento e personalização do procedimento.

“Em quadros avançados de artrose, quando há perda importante da qualidade de vida, a substituição articular pode representar o caminho final de tratamento, com potencial de devolver mobilidade, reduzir dor e permitir que o paciente retome suas atividades com mais segurança e previsibilidade de resultados”, conclui o Dr. Guilherme Morgado Runco.

 

 

Da redação

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