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Casamentos não entram em crise 'do nada'
Falta de conversa, horários desencontrados e excesso de telas podem aparecer antes de uma ruptura

Casamentos não entram em crise 'do nada'
Mudanças na rotina, menos diálogo e excesso de telas podem indicar que a conexão entre o casal está enfraquecendo. (Foto: Magnific)

Publicado em 21/08/2026

Uma crise conjugal raramente começa apenas quando o casal pensa em se separar ou decide procurar ajuda. Antes disso, mudanças podem se acumular na rotina: as conversas diminuem, os horários deixam de coincidir e a intimidade perde espaço. Segundo a terapeuta familiar Aline Cantarelli, o afastamento costuma ser construído aos poucos. "‘Do nada’ não existe. Nenhum casamento entra em crise sem motivo algum, de uma hora para a outra", afirma.

O casal pode continuar morando junto, cuidando da casa e cumprindo compromissos, mas passar menos tempo em contato verdadeiro. Cada pessoa segue a própria rotina, enquanto a convivência se limita às obrigações do dia.

Veja os primeiros sinais

Um dos principais sinais é a redução das conversas. Em alguns casos, os parceiros passam o dia inteiro sem se falar e só percebem o afastamento quando os conflitos aumentam ou quando a vida sexual é afetada.

“Às vezes nem se falam. O casal passou o dia inteiro sem se falar e depois reclama da libido lá na frente”, explica Aline.

Outras mudanças também podem indicar que o relacionamento deixou de receber atenção:

-Os horários de dormir e acordar deixam de coincidir;
-O casal passa o dia sem conversar;
-As refeições e os momentos juntos são ocupados pelo celular;
-Cada pessoa se fecha nas próprias telas, séries ou atividades;
-A intimidade emocional e sexual diminui.

Nenhum desses comportamentos, isoladamente, confirma que o casamento esteja em crise. O alerta está na repetição e na ausência de movimentos para recuperar a convivência.

O uso constante de telas é um dos hábitos apontados pela terapeuta. Ela cita situações em que o casal está no mesmo restaurante, mas cada pessoa permanece no próprio celular, sem acompanhar o que acontece na vida de quem está ao lado.

 

 

A intimidade começa antes do quarto

A redução da vida sexual pode ser percebida como o principal problema, mas nem sempre é o ponto de partida. Para Aline, a sexualidade não se resume ao ato sexual, porque também envolve afeto, comunicação, expressão e contato psicológico.

Quando os parceiros deixam de conversar, vivem em horários diferentes ou permanecem concentrados nas próprias atividades, a conexão também pode ser afetada. Por isso, olhar apenas para a frequência das relações sexuais pode não alcançar a origem do afastamento.

Para interromper esse processo, Aline propõe que o casal reserve diariamente um período de atenção focada. Ela chama esse hábito de “15 minutos milagrosos”.

Durante esse tempo, os dois podem conversar, permanecer abraçados ou apenas ficar juntos. O ponto principal é suspender o celular, a televisão e outras distrações para recuperar a presença na relação.

A proposta não é resolver todos os problemas em poucos minutos, mas criar um espaço constante de encontro. Quando o afastamento se repete e o diálogo já não consegue avançar, buscar ajuda antes de uma ameaça de separação pode evitar que a crise chegue a uma situação extrema.

 

 

Da redação

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