Após Burnout, retorno ao trabalho pede cuidado
Especialista explica por que a retomada precisa ser gradual e acompanhada de mudanças no ambiente profissional
Os afastamentos do trabalho por Burnout cresceram 823% em quatro anos no Brasil, segundo o Ministério da Previdência Social. Em 2025, foram concedidos 7.595 benefícios por incapacidade temporária por esgotamento profissional, contra 823 em 2021.
Para o médico-psicanalista e especialista em Ergonomia Mental, Dr. André Fusco, o retorno não deve significar apenas a retomada da rotina anterior. A empresa precisa respeitar o período de recuperação, promover uma readaptação gradual e avaliar as condições que podem ter contribuído para o adoecimento.
“O pós-Burnout é um período de reconstrução. É preciso que a organização apoie o trabalhador no reconhecimento dos limites, na reorganização das prioridades e na reconstrução da relação com o trabalho”, afirma.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Burnout é resultado do estresse crônico no trabalho não administrado com sucesso. Entre os sinais estão exaustão, distanciamento do trabalho e redução da eficácia profissional. Também podem surgir problemas de concentração, esquecimentos, irritabilidade, insônia e isolamento.
Retorno exige planejamento
Fusco aponta que o processo deve incluir acolhimento, contato respeitoso durante o afastamento e uma retomada gradual, sem submeter imediatamente o profissional às mesmas cobranças.
“O gestor não precisa ser médico nem psicólogo. O papel dele é ajudar a construir um ambiente em que a pessoa possa revelar uma fragilidade sem acreditar que isso colocará sua carreira em risco”, explica.
O especialista também defende que a empresa investigue fatores como metas, divisão de tarefas, sistemas de avaliação, falta de reconhecimento e relações competitivas. A análise ganha importância com a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que prevê a gestão de fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho.
Prevenção além do tratamento
Para Fusco, um caso de Burnout pode revelar problemas que também afetam outros trabalhadores. Apoio psicológico e iniciativas de bem-estar podem ajudar, mas não substituem mudanças estruturais quando o adoecimento está relacionado à organização do trabalho.
“Um caso de Burnout pode ser uma oportunidade para identificar riscos e evitar que outras pessoas percorram o mesmo caminho”, finaliza.
Da redação
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