“Três Vezes Adeus” estreia trazendo emoção e delicadeza ao cinema, por Karin Verzbickas
O aguardado longa de Isabel Coixet, que entra em cartaz em Florianópolis nesta quinta (17), é um filme necessário. Contrasta a finitude com a beleza das relações humanas
A fim de ver um filme que, apesar de tratar de temas difíceis como ruptura, doença e perdas, tem um roteiro delicioso, com dois protagonistas que funcionam muito bem juntos - Alba Rohrwacher (Marta), Elio Germano (Antonio) - em meio a cenários encantadores em Roma? Então, não perca a estreia desse longa muito bem realizado pela espanhola Isabel Coixet, mesma diretora de “A Vida Secreta das Palavras”. Ao lado de Enrico Audenino e baseado no livro “O Sentido da Náusea”, de Michela Murgia, Coixet assina também o roteiro que tem uma levada super sensível e ao mesmo tempo muito leve.
A história de “Três Vezes Adeus” (“Tre Ciotole”) gira a partir da ruptura, por motivos triviais, de um casal que se ama. A reação dela, Marta, é de se afastar e ficar fora do mundo. Já a reação dele, Antonio, é ocupar todo o seu tempo com o trabalho, como chef de cozinha. A decisão de terminar partiu dele, mas ele não consegue parar de pensar nela e aos poucos se arrepende da atitude impulsiva. Já Marta, percebe que cada vez mais esse tipo de crise emocional a deixa com falta de apetite, até descobrir que na verdade o sintoma nada tem a ver com a separação, mas sim com uma doença terminal. Spoiler dado, nada mais direi. A não ser que, não espere por um filme melancólico e cheio de choradeira e autopiedade. Não haverá. Apesar do tema denso, o filme é leve, com cenários lindos, e passagens que ficarão na sua mente como o prazer que ela tem ao tomar um simples sorvete ao ar livre.

Drama acompanha um casal após uma separação e surpreende ao tratar de temas difíceis sem excesso de melancolia.
Além das belíssimas cenas da capital italiana, retratando rotinas e situações triviais do cotidiano do romano, vale prestar atenção também na trilha sonora: a música original foi inteiramente composta pelo premiado compositor espanhol Alfonso de Vilallonga, colaborador habitual da diretora Isabel Coixet. Ele entra nas cenas mais dramáticas, com faixas marcantes como "Solitudine" e "La mia Roma". Mas Coixet imprimiu algo novo, mesclou o clássico com o K-pop. Esse contraste entre o tom clássico e melancólico de Vilallonga e a energia vibrante da música pop moderna funciona na trama como um catalisador para a protagonista. O som do K-pop chega no mesmo momento que muda a percepção de Marta sobre o desejo e a sua própria vontade de viver o presente. Para Isabel Coixet, utilizar o K-Pop foi também uma forma de se conectar com as novas gerações.
A distribuição de “Três Vezes Adeus” no Brasil é da Autoral Filmes, que já trouxe para o circuito nacional brasileiro produções como “Champagne, uma Viagem de Pai para Filho”, “A Prisioneira de Bordeaux”, “Caso 137”, “Mother’s Baby” e vários outros longas premiados. Hoje, haverá uma pré-estreia exclusiva para convidados, no Paradigma Cine Arte e, amanhã, o filme entra em circuito nacional.
"Três Vezes Adeus" ("Tre Ciotole"), de Isabel Coixet
Drama | 2025 | 120 minutos | Classificação indicativa: 10 anos
Estreia no circuito comercial brasileiro: 17 de setembro
Pré-estreia em Florianópolis para convidados: dia 16 de setembro
Estreia na cidade: dia 17 de setembro, no Paradigma Cine Arte
Assista aqui ao trailer oficial
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Sobre o autor
Karin Verzbickas
Jornalista conhecida por suas resenhas de filmes no Jornal Imagem da Ilha
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