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“A Graça”, a nova obra-prima de Paolo Sorrentino, é um filme que merece ser visto com atenção
Diretor italiano, vencedor do Oscar e do Bafta, apresenta “A Graça”. Uma reflexão inteligente sobre dilemas morais, com humor sofisticado

“A Graça”, a nova obra-prima de Paolo Sorrentino, é um filme que merece ser visto com atenção
Toni Servillo em uma das paisagens que mostra o valor fotográfico do filme. (Foto: Divulgação)

Publicado em 24/03/2026

Quem não se lembra do marcante ator Toni Servillo em “A Grande Beleza” (2013)? Pois é ele, novamente em uma atuação magistral, que surge pela sétima vez numa dobradinha de sucesso com o diretor Paolo Sorrentino agora em “La Grazia”, ou “A Graça”. Servillo – vencedor do prêmio de Melhor Ator no Festival de Cinema de Veneza de 2025 – é o poderoso Mariano De Santis, um presidente que há seis meses da aposentadoria, enfrenta dilemas morais e pessoais com a ajuda de sua filha confidente, Dorotea (Anna Ferzetti).

O presidente e sua filha jurista (Toni Servillo e Anna Ferzetti - dilemas e bons diálogos.

 

Os diálogos são supremos. Com a popularidade em alta e uma carreira ilibada na política italiana, o protagonista Mariano de Santis evita entrar em polêmicas. Sempre adotou o consenso, o equilíbrio e procrastinou tudo o que pode na vida pública para não entrar em roubadas ou ver sua reputação abalada. O famoso isentão. Mas, ocorre que, a seis meses de encerrar o mandato de presidente e por fim a toda sua trajetória política, caem em suas mãos três decisões sensíveis: dois pedidos de indultos extremamente polêmicos e populares, e um projeto de lei sobre eutanásia.

As discussões em torno dos temas, imprime uma densidade muito bem-vinda ao filme, e traz consigo generosas pitadas de humor. Aquele do tipo sarcástico e inteligente, que amamos. Ele se aconselha com o seu amigo Papa, um personagem icônico, negro e com cabelos trançados, altamente defensor do direito à vida; com sua filha jurista, seu braço direito e lobista da lei da eutanásia; e também com um velho amigo – que está escalado para suceder o seu mandato – mas do qual ele desconfia que sua falecida mulher teve um caso quarenta anos atrás.

Mariano de Santis, que tinha o apelido pelas costas de “concreto armado”, por ser um homem pouco flexível nas suas ideias, se vê às voltas em resolver, além da polêmica lei italiana que libera a eutanásia no país, ainda os dois casos polêmicos com pedidos de liberdade: de um homem que havia matado a própria esposa com Alzheimer 15 anos atrás, e de uma mulher presa por ter assassinado um marido abusador e psicótico.

De novo, vale a pena prestar atenção nas reflexões embutidas em cada caso. Há beleza em cada diálogo travado por Santis, e em cada semblante seu que hesita diante de decisões que urgem. Ao fim, ficou em mim, a grande questão que permeia o filme por duas ou três vezes: “Di chi sono i nostri giorni?” ou melhor, “De quem são os nossos dias?”. Pura essência de Paolo Sorrentino.

O filme estreou no Brasil na última semana e promete continuar em cartaz até a próxima. Assista aqui ao trailer.

 

Cartaz do filme "A Graça"".

 

Nota da redação: O filme A Graça, está sendo exibido nos cinemas Paradigma Cine Arte (localizado no Corporate Park da SC 401) e no CineSystem (do Shopping Vila Romama)

 

 

 

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Sobre o autor

Karin Verzbickas

Karin Verzbickas

Jornalista conhecida por suas resenhas de filmes no Jornal Imagem da Ilha


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