Nova trilha conecta dez áreas de conservação em Floripa
O Caminho da Ilha de Santa Catarina tem 95,2 quilômetros, passa por dez unidades de conservação e conecta a Caieira da Barra do Sul a Canasvieiras
Florianópolis passou a contar com sua primeira Trilha de Longo Curso, o Caminho da Ilha de Santa Catarina (CAISCA). Oficializado pela Prefeitura na terça-feira (20), por meio do Decreto nº 29.806, o percurso tem 95,2 quilômetros e conecta a Caieira da Barra do Sul à Praia de Canasvieiras, podendo ser percorrido nos dois sentidos.
A iniciativa reúne trilhas já existentes, caminhos históricos e trechos de praia em um único itinerário, que atravessa dez unidades de conservação. A proposta é organizar e proteger esses trajetos, além de valorizar o patrimônio ambiental, histórico e cultural da Capital catarinense.
O projeto foi instituído pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, em conjunto com a Fundação Municipal do Meio Ambiente de Florianópolis (Floram).
Percurso conecta dez unidades de conservação
Ao longo dos 95,2 quilômetros, os caminhantes encontram paisagens que vão de áreas próximas ao nível do mar a morros com até 232 metros de altitude. O trajeto incorpora caminhos conhecidos pelos moradores, como o Caminho dos Naufragados, a trilha da Boa Vista e a Trilha do Morro do Rapa.
Trilha da Lagoinha do Leste, no Sul da Ilha.
O roteiro passa pelas seguintes áreas protegidas:
Parque Estadual da Serra do Tabuleiro;
Área de Proteção Ambiental do Entorno Costeiro;
Monumento Natural Municipal da Lagoa do Peri;
Parque Natural Municipal da Lagoinha do Leste;
Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição;
Monumento Natural Municipal da Galheta;
Parque Estadual do Rio Vermelho;
Reserva Particular do Patrimônio Natural Morro das Aranhas;
Parque Natural Municipal Lagoa do Jacaré das Dunas do Santinho;
Refúgio de Vida Silvestre Municipal Meiembipe.
Segundo o secretário municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Luís Felipe Kronbauer, a oficialização estabelece uma identidade para caminhos utilizados há gerações por moradores e pescadores, além de permitir proteção formal e planejamento do manejo.
Natureza e patrimônio histórico ao longo do caminho
A conexão entre as áreas protegidas também busca fortalecer a conservação de diferentes ecossistemas da Mata Atlântica, incluindo florestas, restingas e manguezais. Atualmente, cerca de 41% da área terrestre de Florianópolis está inserida em unidades de conservação.
O percurso oferece oportunidades para observar a fauna local. A Ilha de Santa Catarina registra aproximadamente 400 espécies de aves e, entre julho e novembro, há possibilidade de avistar baleias-francas-austrais em pontos do litoral abrangidos pelo roteiro.
A experiência também inclui áreas de relevância arqueológica e histórica. A presença humana na Ilha é documentada há pelo menos cinco mil anos, com vestígios como sambaquis, inscrições rupestres e oficinas líticas.
Comunidades podem se beneficiar do turismo
Por exigir pernoite para quem pretende completar a travessia, a trilha também abre possibilidades para o turismo de base comunitária. Localidades como Caieira da Barra do Sul, Pântano do Sul, Armação, Campeche, Barra da Lagoa e Ingleses poderão atender os caminhantes com serviços de hospedagem, alimentação e condução.
A iniciativa está alinhada à Política Municipal de Turismo de Base Comunitária, estabelecida pela Lei nº 11.457/2025, que busca valorizar as comunidades e suas atividades locais.
O presidente da Floram, Fábio Henrique Machado, destaca que a definição do percurso envolveu trabalho técnico e participação social. Foram realizadas diversas vistorias para conferir e georreferenciar os trechos, e a proposta passou pela aprovação dos conselhos gestores das unidades de conservação envolvidas.
Percurso completo da trilha.
Projeto começou a ser discutido em 2016
A criação do Caminho da Ilha de Santa Catarina foi coordenada pelo Departamento de Unidades de Conservação (DEPUC) da Floram, dentro do Programa Roteiros do Ambiente — Trilhas e Caminhos na Ilha de Santa Catarina (PRA), desenvolvido desde 2015 para mapear, manejar e sinalizar trilhas do município.
As primeiras discussões sobre o CAISCA ocorreram entre 2016 e 2018, com a participação de instituições como o Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), o Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF), a Secretaria de Turismo, Desenvolvimento Econômico e Inovação, o Instituto IEATA, o Instituto Multidisciplinar de Meio Ambiente e Arqueoastronomia (IMMA), a Associação Coletivo UC da Ilha e o Teju Jagua.
Posteriormente, o projeto recebeu a colaboração do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), do Instituto Çarakura, do Instituto APRENDER Ecologia e da ANDA Brasil.
Em 2022, a Floram passou a integrar a comissão técnica estadual responsável por acompanhar a regulamentação da sinalização da Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso e Conectividade, instituída pelas Portarias IMA/SC nº 160/2022 e nº 063/2025.
O planejamento foi retomado em 2024 e, no ano seguinte, novas vistorias de campo foram realizadas com acompanhamento do IMA, responsável pela coordenação da rede no estado.
Regras para preservar as trilhas
A utilização do CAISCA deverá respeitar as normas ambientais e as regras específicas de cada unidade de conservação. Entre as proibições estão danificar placas e equipamentos de sinalização, retirar ou capturar espécies nativas, alimentar animais silvestres e descartar resíduos de maneira inadequada.
Também não será permitido instalar estruturas ou modificar o traçado dos caminhos sem autorização, nem acessar áreas restritas. Os visitantes deverão observar ainda as disposições previstas nos planos de manejo e nas demais normas aplicáveis.
Com a oficialização do percurso, a Prefeitura pretende incentivar moradores e turistas a conhecerem diferentes regiões da Ilha, aproximando o público das paisagens naturais, das comunidades tradicionais e da história de Florianópolis.
Da redação
Fonte: PMF
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