Florianópolis e os emblemas do futuro, por Vinícius Lummertz
Início de obras e inaugurações marcam momento de planejamento urbano e integração
Florianópolis celebra mais um aniversário, e desta vez o faz de maneira diferente. Não apenas olhando para o passado, mas reconhecendo, com clareza, os sinais do futuro que começam a se materializar diante dos olhos da cidade.
Nesta segunda-feira, dia 23, esse movimento ganha forma. O prefeito Topázio Neto estará ao lado da comunidade produtiva, reunindo dezenas de entidades que, ao longo dos últimos anos, aprenderam a atuar em harmonia: Floripa Sustentável, Floripa Amanhã, ACIF, CDL, ACATE, além de mais de quarenta organizações que representam arquitetos, engenheiros, empresários e profissionais que, juntos, ajudam a construir uma cidade de alta qualidade de vida, à altura do que Santa Catarina representa no Brasil.
Há, nesse encontro, algo raro. Uma cidade que coopera consigo mesma.
Também no dia 23, dois gestos especiais se erguem como verdadeiros emblemas desse novo tempo.
Na Beira-Mar Norte, inicia-se a construção da Marina, conduzida pela JL Construções. Não é apenas uma obra. É a devolução do mar à cidade. É o reconhecimento de que Florianópolis nasceu entre as águas e que seu futuro passa, necessariamente, por reconectar-se a elas. Esse projeto, que atravessou diferentes gestões e contou com o esforço de vários prefeitos ao longo do tempo, finalmente ganha concretude. E, quando isso acontece, algo importante se revela: as cidades avançam quando perseveram.
Em Jurerê Internacional, a família Druck, por meio do grupo Habitasul, liderada por Péricles Druck — a quem se presta aqui uma justa homenagem — inaugura um parque ambiental de cerca de 150 mil metros quadrados. Mais do que um número expressivo, trata-se de um gesto de legado. Jurerê já era referência nacional de urbanismo planejado. Agora amplia seu compromisso com a natureza, com o espaço público e com a qualidade de vida. A iniciativa honra a trajetória de quem ajudou a moldar uma nova forma de pensar a cidade.
Na semana passada, outro sinal importante emergiu. O Laboratório de Urbanismo e Arquitetura apresentou estudos para o centro de Florianópolis, inspirados em referências internacionais como as ideias de Jan Gehl, autor de “Cidades para Pessoas”. Humanizar o centro, reativar seus fluxos, devolver-lhe vida. Mas há um ponto essencial que se impõe: pensar o centro incluindo o Morro da Cruz. Florianópolis não é fragmento. É uma só cidade. Integrar seus territórios, seus fluxos e suas realidades é não apenas um desafio urbanístico, mas um passo necessário para uma cidade mais justa, mais equanime e mais viva.
Talvez nenhum símbolo represente melhor essa virada do que o aeroporto internacional de Florianópolis. A cidade saiu, em poucos anos, de um dos aeroportos mais precários do país para um dos mais bem avaliados. Essa transformação não foi acaso. Foi decisão. Foi visão. Foi a escolha, ainda no governo Luiz Henrique da Silveira, de apostar em qualidade, em concurso público de arquitetura, em projeto. Hoje, o aeroporto recebe milhões de passageiros por ano, nos liga ao mundo , e tornou-se um cartão de visita de uma cidade que reencontrou sua confiança.
Florianópolis já viveu outros momentos emblemáticos. O Costão do Santinho, Jurerê Internacional, o desenvolvimento de bairros planejados, os shoppings e a própria transformação recente do aeroporto. Em cada um desses momentos, houve dúvidas, resistências, receios. Mas, uma vez realizados, esses projetos deixaram de ser debate e passaram a ser patrimônio coletivo. A cidade passou a reconhecê-los como parte de sua identidade.
É assim que o progresso se consolida: quando deixa de ser divisão e medo e se torna coragem e realidade.
Esses novos projetos seguem esse mesmo caminho. Ao saírem do papel, ajudam a superar barreiras, dissolver medos e construir confiança. Mostram que Florianópolis tem algo raro: uma sociedade que ama sua cidade e gestores que, em conjunto com a iniciativa privada, são capazes de realizar.
Florianópolis cresce. Já se aproxima de meio milhão de habitantes e, integrada à sua região, forma um sistema urbano ainda maior. Nesse contexto, ganha força a visão do Floriville, essa cidade-região que se estende pelo litoral como uma urbanização horizontal, conectando pessoas, economia e território. As duas baías, Norte e Sul, deixam de ser limite e passam a ser eixo de integração, abrindo espaço para projetos marítimos e terrestres mais ousados.
Os desafios permanecem, especialmente a integração metropolitana, que será o grande passo dos próximos anos. Mas há, neste momento, algo que merece ser reconhecido.
Há sinais claros. Há projetos concretos. Há convergência.
Neste aniversário, Florianópolis não celebra apenas o que foi. Celebra aquilo que começa a acontecer.
São emblemas do futuro.
E, ao vê-los surgir, a cidade renova algo essencial: a confiança de que é possível avançar, preservar sua identidade e, ao mesmo tempo, construir uma capital que orgulhe cada vez mais os catarinenses, nativos e adotivos. Como mesmo amor. Parabéns Florianópolis.
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Sobre o autor
Vinicius Lummertz
Ex-Ministro do Turismo, ex-Presidente da Embratur, ex-Secretário de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo, ex-Secretário de Articulação Internacional de Santa Catarina
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