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Festival de Cinema Japonês sem animes e samurais? Temos! Por Karin Verzbickas
Mostra gratuita começa hoje em Floripa e se distancia dos clichês históricos, trazendo para a telona um Japão plural e contemporâneo

Festival de Cinema Japonês sem animes e samurais? Temos! Por Karin Verzbickas
A 3ª Mostra de Cinema Japonês de Florianópolis começa nesta quinta-feira (24), no Centro Integrado de Cultura (CIC), com seis longas-metragens exibidos gratuitamente até domingo (27). (Foto: Divulgação)***clique para ampliar imagem

Publicado em 24/09/2026

Serão seis longa-metragens em quatro dias de Festival com uma pegada diferente do que costumamos pensar sobre o filme japonês comercial e temático. Nada de animes ou samurais se desafiando. O Festival vai trazer para Floripa a obra de diretores como Hiroshi Nishitani (Suspeito X e Equação de Verão) e Yukihiko Tsutsumi (O Hotel Ideal), além de Akane Yamada (Cães sem Nome). Estes três cineastas da terra do sol poente, ao lado ainda de Tomoyuki Furumaya e Yoshiyuki Kishi – os nomes dos diretores são um desafio à parte - formatam um festival que se estrutura sob o conceito de equilibrar a alta literatura, o suspense comercial refinado e a consciência socioambiental pós-desastres naturais.

Esse olhar diferente sobre os aspectos da cultura e da sociedade japonesa podem ser conferidos a partir de hoje até domingo, 27/09, no Centro Integrado de Cultura (CIC), na sala de cinema Gilberto Gerlach (deixo a programação completa logo abaixo). Valem mencionar que as sessões sim, são gratuitas, mas é preciso chegar com meia hora de antecedência porque a escolha do assento é por ordem de chegada. Além das sessões, a programação conta com debates sobre os temas das obras, para reflexão do público.

A realização da 3ª Mostra de Cinema Japonês de Florianópolis é do grupo Nipocultura, projeto e portal brasileiro criado em 2008 focado na divulgação da cultura japonesa, em parceria com a Japan Foundation de São Paulo, o Consulado Geral do Japão em Curitiba e a JFF Theater.

EXPOSIÇÃO TOKUSATSU

No mesmo período em que ocorre a Mostra de Cinema, o Museu da Imagem e do Som (também no CIC) vai receber a exposição a exposição "Tokusatsu – O Legado dos Heróis e Kaijuu diante dos Desafios Ambientais do Século XXI", que convida o público a revisitar um dos maiores patrimônios da cultura japonesa sob uma nova perspectiva: a de que proteger o planeta é uma responsabilidade compartilhada.

FESTIVAL QUE MOSTRA UM OUTRO JAPÃO

A seleção de filmes tem uma importância que ultrapassa o mero intercâmbio cultural, tocando em pontos vitais da indústria cinematográfica global. Destaco aqui alguns pontos:

Descentralização do Olhar Ocidental sobre os Gêneros: O cinema internacional costuma consumir o suspense e o drama japonês sob a ótica do "terror asiático" (J-Horror) ou de animes. Filmes como Suspeito X provam a força do thriller procedural japonês, que prioriza o jogo psicológico e a dedução filosófica sobre a violência gráfica, oferece de fato um modelo narrativo alternativo a Hollywood.

O Cinema como Documento de Resiliência Coletiva: A relevância de produções que pautam os desastres de 2011 (Fukushima e terremoto de Tohoku) mostra como o cinema japonês atua como uma ferramenta de processamento de traumas históricos em tempo real. Internacionalmente, serve de estudo sobre como a ficção pode curar e documentar crises humanitárias e ambientais de forma empática.

Diálogo com o Eco-Cinema (Conexão com a Exposição Tokusatsu): A mostra ocorre em paralelo à exposição de Tokusatsu no Museu da Imagem e do Som (MIS), que discute monstros (como Godzilla) sob a ótica de desafios ambientais. Filmes como Equação de Verão e Cães sem Nome reforçam essa vanguarda do cinema japonês em usar narrativas populares para debater a responsabilidade ecológica global e a proteção do planeta.

Em suma, a curadoria do Festival um painel focado no "Japão real": uma sociedade hipertecnológica e científica que ainda precisa aprender a lidar com as suas vulnerabilidades emocionais, ambientais e sociais.

PROGRAMAÇÃO DA MOSTRA DE CINEMA

24/9

16h – “Bushido Sixteen”

Direção: Tomoyuki Furumaya / 2010 / 109 minutos / Livre

Sinopse: Duas jovens praticantes de kendô, com personalidades e objetivos diferentes, descobrem, entre rivalidades e amizades, o verdadeiro significado do bushidô. O filme aborda disciplina, respeito e aperfeiçoamento constante.

 

18h – Abertura oficial

19h – “Pôr do Sol e Nascer do Sol” (Sunset Sunrise)

Direção: Yoshiyuki Kishi / 2025 / 139 minutos / Livre

Sinopse: Durante a pandemia, um jovem funcionário deixa Tóquio para trabalhar remotamente em uma pequena cidade costeira de Miyagi. A convivência com a comunidade local e as marcas do terremoto de 2011 transformam sua percepção sobre pertencimento, solidariedade e recomeço.

 

25/9

16h – “O Hotel Ideal” (The Hotel of My Dream)

Direção: Yukihiko Tsutsumi / 2024 / 98 minutos / 12 anos

Sinopse: Uma jovem escritora enfrenta os desafios do competitivo mundo editorial enquanto busca reconhecimento para sua obra. Em um tradicional hotel japonês, encontros inesperados conduzem a uma jornada de autodescoberta, criatividade e amadurecimento.

 

19h – “Suspeito X” (Suspect X)

Direção: Hiroshi Nishitani / 2008 / 128 minutos / 14 anos

Sinopse: Após um homicídio cometido em legítima defesa, uma mulher recebe a ajuda de seu vizinho, um brilhante professor de matemática, para ocultar o crime. Quando o físico Manabu Yukawa, conhecido como Galileo, assume a investigação e se depara com um dos enigmas mais complexos de sua carreira.

 

26/9

19h – “Equação de Verão” (Midsummer's Equation)

Direção: Hiroshi Nishitani / 2013 / 129 minutos / 12 anos

Sinopse: Ao investigar uma morte aparentemente acidental em uma cidade litorânea, o físico Manabu Yukawa acaba construindo uma inesperada amizade com um menino curioso. A história aproxima ciência, relações familiares, natureza e responsabilidade ambiental.

 

27/9

16h – “Cães sem Nome” (Dogs Without Names)

Direção: Akane Yamada / 2015 / 107 minutos / Livre

Sinopse: Após perder seu cão de estimação, uma diretora de televisão produz um documentário sobre animais abandonados e as pessoas dedicadas ao resgate. Entre ficção e documentário, o filme retrata a realidade dos abrigos, dos animais afetados pelo desastre de Fukushima e o profundo vínculo entre seres humanos e seus companheiros de quatro patas.

 

19h – segunda sessão de “Bushido Sixteen”

Direção: Tomoyuki Furumaya / 2010 / 109 minutos / Livre

Sinopse: Duas jovens praticantes de kendô, com personalidades e objetivos diferentes, descobrem, entre rivalidades e amizades, o verdadeiro significado do bushidô. O filme aborda disciplina, respeito e aperfeiçoamento constante.

Serviço:

O quê: 3ª Mostra de Cinema Japonês de Florianópolis

Data: 24 a 27 de setembro de 2026

Sessões: 16h e 19h

Entrada gratuita

Realização: Nipocultura

Local: Sala Gilberto Gerlach - No Centro Integrado de Cultura (CIC)

Filmes:

Bushido Sixteen (Direção: Tomoyuki Furumaya)

Cães sem Nome - Dogs Without Names (Direção: Akane Yamada)

Pôr do Sol e Nascer do Sol

O Hotel Ideal

Suspeito X

Equação de Verão

 

 

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Sobre o autor

Karin Verzbickas

Karin Verzbickas

Jornalista conhecida por suas resenhas de filmes no Jornal Imagem da Ilha


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