Das piruetas aos 7 anos ao Mundial, a história da ginasta Luiza Moritz Pires
Aos 13 anos, atleta de Florianópolis já acumula títulos e pódios internacionais e se prepara para representar o Brasil na Espanha
E a nossa personagem da semana tem apenas 13 anos, mas já carrega uma trajetória que impressiona pela dedicação, disciplina e, principalmente, pela maturidade. Luiza Moritz Pires começou na ginástica artística aos 7 anos e, poucos anos depois, encontrou na ginástica aeróbica uma nova paixão. Hoje, integra a equipe de alto rendimento da ADIEE (Associação Desportiva do Instituto Estadual de Educação), representa o Brasil em competições internacionais e se prepara para viver um dos momentos mais importantes de sua ainda jovem carreira, o Mundial de Ginástica Aeróbica, em Pamplona, na Espanha.
Nascida em 6 de julho de 2013, Luiza iniciou os treinamentos junto à equipe de alto rendimento da Ginástica Artística em 2020, quando tinha apenas 7 anos. Durante três anos, treinou no JUSC (Jurerê Sports Center). No início de 2023, porém, sua história tomou um novo rumo.
A mudança para a ginástica aeróbica não estava exatamente nos planos. No verão de 2022 para 2023, duas amigas de Luiza, as irmãs Maria Fernanda e Eduarda Gonzaga de Andrade, migraram da ginástica artística para a modalidade. Como não queria se separar delas e também tinha vontade de experimentar algo diferente, decidiu tentar. “Já nos primeiros treinos percebi que era bem diferente do que eu já havia experimentado”, conta. Apesar da novidade, a recepção das atletas que já treinavam na modalidade fez toda a diferença. Luiza se sentiu acolhida e encontrou um ambiente que, mesmo exigindo muita dedicação, também tinha espaço para diversão. “O que fez eu me apaixonar logo de cara era a maneira como os treinos eram feitos, porque mesmo treinando com muita dedicação, aquele virou um ambiente ‘descontraído’, e nós nos divertíamos muito”, lembra.
As duas amigas tiveram papel fundamental nessa descoberta. Para Luiza, a importância delas foi enorme, não apenas porque foram responsáveis por apresentar uma modalidade que ela sequer conhecia, mas também porque tornavam os treinamentos mais leves e divertidos. “Se não fossem elas eu provavelmente nem saberia que essa incrível modalidade existe”, afirma. Segundo a ginasta, as amigas também ajudavam a tornar os treinos “muito mais engraçados”, não apenas para ela, mas para todas as meninas da equipe.
Uma jovem atleta que já coleciona medalhas
A aposta em uma nova modalidade rapidamente começou a render frutos. Em 2023, seu primeiro ano na ginástica aeróbica, Luiza conquistou o quinto lugar individual na Copa Sul-Americana, realizada em Punta del Este, no Uruguai. No mesmo ano, foi campeã individual do Campeonato Brasileiro, em Florianópolis, e conquistou o primeiro lugar individual na Copa Pan-Americana, em Lima, no Peru.
Entre tantas competições e resultados, uma medalha ocupa um espaço especial na memória da atleta, o ouro conquistado no Pan-Americano de 2023.
Na época, Luiza tinha apenas 10 anos e estava disputando somente seu segundo campeonato internacional. Por isso, não esperava alcançar um resultado tão expressivo. “Ela é especial porque foi apenas do meu segundo campeonato internacional, portanto eu não esperava resultados muito significantes, pois além de ter apenas 10 anos na época, eu não tinha tanta experiência”, explica.
A lembrança daquele momento continua viva. Luiza recorda especialmente o instante em que a nota de sua apresentação foi divulgada e ela descobriu que havia conquistado o primeiro lugar. “Eu me lembro de quando a nota da minha apresentação saiu e eu e minha treinadora comemoramos muito sabendo que eu havia conquistado o primeiro lugar”, conta.
A viagem também ficou marcada por momentos fora das competições. Entre passeios pela cidade e muitas risadas no hotel, a experiência acabou se tornando uma lembrança afetiva tão importante quanto a própria medalha.
Resultados que mostram uma evolução constante
Em 2024, Luiza manteve-se entre as principais atletas de sua categoria. Foi vice-campeã individual da Copa Sul-Americana, em Aracaju, e também conquistou o segundo lugar individual no Campeonato Brasileiro, realizado na mesma cidade. Na Copa Pan-Americana, disputada na Cidade do Panamá, terminou na quinta colocação individual.
Já 2025 trouxe ainda mais conquistas. Na Copa Sul-Americana, em Maldonado, no Uruguai, Luiza ficou em terceiro lugar individual e também conquistou o terceiro lugar na categoria grupo no Campeonato Sul-Americano.
Participação no individual do Campeonato Sul-Americano de 2025, disputado em Punta del Este, no Uruguai, em uma das competições internacionais da atleta.
Na mesma cidade, alcançou o segundo lugar em trio no Campeonato Pan-Americano e novamente a segunda colocação em trio na Copa Pan-Americana.
No Campeonato Brasileiro de 2025, em Brasília, a ginasta foi campeã na categoria trio, vice-campeã na categoria grupo e terminou em quarto lugar na disputa individual.
Em 2026, os resultados internacionais continuaram. Na Copa Sul-Americana, em Buenos Aires, na Argentina, Luiza conquistou o terceiro lugar individual. No Campeonato Sul-Americano, também realizado na capital argentina, ficou em segundo lugar nas categorias trio e grupo.
São resultados que, em apenas quatro anos na modalidade, mostram uma trajetória de crescimento constante.
Luiza Moritz Pires ao lado de Elô, Ana Clara, Pietra e Isabella durante a prova em grupo do Campeonato Sul-Americano deste ano, realizado em Buenos Aires, na Argentina.
Quando um erro pesa sobre todo o grupo
Mas uma trajetória de sucesso também é construída com momentos difíceis. E Luiza já descobriu, ainda muito jovem, que o esporte de alto rendimento não é feito apenas de medalhas.
Um dos momentos mais difíceis que viveu aconteceu justamente em uma competição por equipes. Ao cometer um erro durante uma apresentação em grupo, ela sentiu o peso de saber que sua falha poderia afetar também as companheiras. “O momento mais difícil do esporte foi quando eu errei na competição em uma prova em grupo, porque, de prejudicar a mim mesma, eu prejudiquei a todas as outras meninas”, relata.
A situação trouxe uma pressão diferente daquela enfrentada nas provas individuais. Para Luiza, saber que precisava assumir a responsabilidade por um erro que atingiu todo o grupo foi especialmente difícil. “Isso cria uma pressão muito grande, além de ter que ser a responsável pelo erro do grupo todo”, explica.
A experiência, porém, também faz parte do amadurecimento de uma atleta que ainda tem muitos capítulos para escrever.
O privilégio de representar o Brasil
Vestir as cores do Brasil é outro capítulo que Luiza trata com seriedade. Para ela, estar entre as atletas convocadas para competições internacionais representa o resultado de muito trabalho e também uma oportunidade que não deve ser encarada como algo comum. “É uma sensação incrível, pois trabalhamos duro todos os dias para esses momentos”, afirma.
A ginasta também reconhece que disputar competições internacionais é um privilégio. “Ser convocada para os campeonatos internacionais é um privilégio, e sabemos que o que vivemos é o sonho de muitas outras pessoas”, diz.
Agora, aos 13 anos, ela se prepara para realizar um sonho ainda maior.
Quatro horas por dia rumo ao Mundial
Entre os dias 4 e 6 de setembro de 2026, Luiza estará em Pamplona, na Espanha, para disputar o Mundial de Ginástica Aeróbica. A competição representa um marco na carreira de uma atleta tão jovem. “Disputar um campeonato desse tamanho com apenas 13 anos é indescritível”, afirma.
Para chegar até lá, existe uma rotina que exige disciplina e muitas renúncias. Luiza treina quatro horas por dia, de segunda a sábado. São horas de preparação que precisam ser conciliadas com a escola, a família, os amigos e todos os outros aspectos da vida de uma adolescente. “O tempo que dedicamos todos os dias - 4 horas por dia, de segunda a sábado - é enorme, mas tenho certeza que valerá a pena”, afirma.
Além da competição, ela encara a viagem como uma oportunidade de conhecer outros países e encontrar atletas de diferentes lugares. “Viajar para outros países e ver outros atletas fantásticos irá ser uma experiência única”, destaca.
Depois do Mundial, o calendário ainda reserva outro grande desafio. Entre os dias 5 e 15 de novembro, Luiza participará do Pan-Americano e do Campeonato Brasileiro, em Aracaju, no Sergipe.

Luiza Moritz Pires, Elô e Ana Clara durante a participação no Campeonato Sul-Americano de Ginástica, realizado em Buenos Aires neste ano.
A menina por trás da atleta
Apesar dos títulos, das viagens internacionais e da rotina de alto rendimento, Luiza continua sendo uma menina de 13 anos. Fora dos treinos, ela tenta se dedicar aos trabalhos escolares e, principalmente, estar perto da família.
Quando consegue um tempo completamente livre, gosta de cozinhar, assistir a séries e filmes e passar momentos com as amigas.
Conciliar todas essas atividades não é simples, mas já faz parte de sua rotina. “Conciliar tudo não é algo fácil, mas que já estou acostumada”, conta. Luiza diz que é uma boa aluna e destaca a importância de ter ótimas amigas e uma família que a apoia em tudo. Para ela, apesar da agenda intensa, consegue manter um equilíbrio entre as diferentes partes de sua vida.
E talvez seja justamente aí que esteja uma das maiores demonstrações de maturidade da jovem atleta. Mesmo com uma rotina que poderia fazer qualquer adulto correr atrás do relógio, Luiza não fala apenas sobre medalhas e resultados. Ela fala sobre amizades, família, risadas e memórias.
Uma família que também faz parte da conquista
Por trás de cada treino, competição e viagem existe uma rede de apoio fundamental. Para Luiza, os pais, o irmão e os avós são as pessoas que mais contribuem para que essa trajetória seja possível. “Eles deixam de fazer muitas coisas que gostariam de fazer para me levar aos treinos e competições”, conta.
O apoio vai muito além da logística. A família também está presente nos dias difíceis, quando as coisas não saem como o planejado. “Eles também sempre sabem o que dizer quando tenho um dia ruim. Sem eles nada disso seria possível”, afirma.
A frase resume uma parte importante de sua trajetória, embora seja Luiza quem entra na quadra, se apresenta e recebe as medalhas, existe uma equipe inteira torcendo, acompanhando e fazendo sacrifícios para que ela possa estar ali.
Sonhos que vão muito além das medalhas
Quando pensa no futuro, Luiza sonha em continuar sendo uma grande ginasta e alcançar bons resultados nas competições. Mas seu maior desejo não está apenas nos pódios. “Meu sonho como atleta é continuar sendo uma ótima ginasta, tendo bons resultados nas competições, mas ao mesmo tempo ter muitas risadas com as minhas amigas”, revela.
Como pessoa, seu desejo é ainda mais bonito e revela a maneira como enxerga a própria infância e adolescência. “Quero aproveitar ao máximo as fases da minha vida, para ter muitas memórias afetivas e especiais dessa época.”
Aos 13 anos, Luiza já aprendeu que uma carreira esportiva é feita de disciplina, foco, esforço, derrotas, conquistas e responsabilidade. Mas também parece ter entendido algo que muitas vezes se perde quando a busca pelo resultado ocupa todo o espaço, é preciso viver o caminho.
Um recado para a menina de 7 anos
Talvez uma das partes mais emocionantes da história de Luiza esteja justamente na possibilidade de olhar para trás.
A menina que começou na ginástica artística aos 7 anos, fazia piruetas em casa e ainda não imaginava até onde poderia chegar hoje se prepara para disputar um Mundial.
Se pudesse conversar com aquela pequena Luiza, o que diria?
A resposta vem carregada de orgulho, mas também de um conselho que resume toda a sua trajetória. “Eu com certeza diria para ela não desistir dos seus sonhos e ter muita disciplina, mas ao mesmo tempo diria para ela aproveitar totalmente os momentos treinando, porque aquilo vai virar muito importante para a vida inteira dela.”
E ela ainda acrescentaria algo que talvez seja a mensagem mais bonita de toda essa história. “Diria também que tenho muito orgulho de quem ela é e de quem se tornou ao longo da sua jornada.”
Aos 13 anos, Luiza já sabe que o caminho até o pódio exige horas de treino, dedicação e coragem para enfrentar os erros. Mas também sabe que as medalhas são apenas uma parte da história. As amigas, as viagens, as risadas, a família, os sonhos e as memórias construídas pelo caminho também ficam.
E talvez seja justamente isso que torne sua trajetória tão especial. Luiza ainda tem muitos campeonatos pela frente, muitos lugares para conhecer e muitos sonhos para realizar. Mas a menina que começou a fazer ginástica aos 7 anos já deixou uma marca importante, a de que grandes conquistas podem começar com uma simples vontade de tentar.
Agora, o próximo capítulo será escrito na Espanha. E, em Pamplona, aos 13 anos, Luiza terá a oportunidade de fazer aquilo que aprendeu desde pequena, entrar em cena, confiar no próprio trabalho e aproveitar cada segundo da jornada.
Confira a apresentação de Luiza no Campeonato Sul-Americano em Buenos Aires.
Da redação
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