Capital catarinense reduz eutanásias de cães com leishmaniose
Iniciativa oferece medicamentos e acompanhamento veterinário vitalício, além de incentivar a adoção responsável de cães diagnosticados
Florianópolis se tornou o primeiro município do Brasil a custear o tratamento da Leishmaniose Visceral Canina para cães de famílias de baixa renda e também para todos os animais acolhidos no canil municipal. A iniciativa busca ampliar as possibilidades de tratamento e reduzir a necessidade de eutanásia de animais diagnosticados com a doença.
O atendimento gratuito é destinado a tutores com renda de até três salários mínimos inscritos no CadÚnico. Já os cães mantidos pela Diretoria de Bem-Estar Animal (Dibea) têm a medicação custeada integralmente pelo município. Além dos remédios, os animais contam com acompanhamento veterinário durante toda a vida.
A ação ganha destaque durante o Agosto Verde, período dedicado à conscientização e ao enfrentamento da doença. Como parte da mobilização, o Hospital Veterinário Municipal promove neste sábado (29), das 13h30 às 17h, uma feira de adoção voltada especialmente aos cães diagnosticados com leishmaniose.
Doença pode ser controlada
A Leishmaniose Visceral Canina é uma infecção causada por protozoários e transmitida pela picada da fêmea do mosquito-palha, também conhecido como flebotomíneo. Entre os possíveis sinais estão feridas e úlceras, crescimento exagerado das unhas, febre persistente, perda de peso, anemia e aumento do fígado e do baço.
Apesar de não existir cura, o diagnóstico não significa que o animal precise deixar de ter qualidade de vida. Com tratamento adequado e o uso de coleira repelente, a doença pode ser controlada e o cão pode continuar vivendo de maneira ativa e saudável.
A condição também não é transmitida pelo contato direto entre pessoas e animais. Carinho, toque e convivência com um cão portador não provocam a transmissão.
Alternativa à eutanásia
A legislação federal, por meio da Lei nº 14.228/2021, permite a realização de eutanásia em cães diagnosticados como positivos. Em Florianópolis, entretanto, o poder público oferece uma alternativa de tratamento para animais pertencentes a famílias que não têm condições financeiras de arcar com os custos.
O atendimento é realizado pelo Hospital Veterinário Municipal e está previsto na legislação municipal, conforme a Lei nº 10.837/2022.
“Quem adota um cão com Leishmaniose leva para casa um animal que pode ter uma vida normal e com certeza será um grande companheiro”, afirma Amábilli Rosar, médica veterinária do Hospital Veterinário Municipal e pesquisadora de Leishmaniose Visceral Canina.
Segundo ela, a utilização da coleira repelente é indispensável para os animais diagnosticados. O dispositivo ajuda a evitar a transmissão, enquanto o tratamento contribui para manter o bem-estar e a saúde do cão.
Feira busca novos lares
Atualmente, 12 cães com leishmaniose estão acolhidos no canil municipal. Entre eles está Dascuia, que passou por um processo de reabilitação e está preparado para ser adotado.
A feira deste sábado será realizada na sede do Hospital Veterinário Municipal, na Rodovia SC-401, nº 114, no Itacorubi. A proposta é estimular a adoção responsável e também combater o preconceito em relação aos animais diagnosticados com a doença.
Quem adotar um desses cães terá acesso ao tratamento medicamentoso e ao acompanhamento veterinário. Os animais também poderão utilizar os serviços oferecidos pelo Hospital Veterinário Municipal, que incluem consultas, exames laboratoriais e de imagem, cirurgias, plantão 24 horas e internação, quando houver necessidade.
Da redação
Fonte: PMF
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