Novato i20 já deixa HB20 para trás
O novo hatch ganhou força em apenas dois meses e já aparece à frente do HB20 nos licenciamentos de agosto
No evento de lançamento do i20, no começo de junho, Airton Cousseau, presidente da operação brasileira da Hyundai, fez questão de frisar que ao novo modelo caberia o papel de degrau entre o HB20 e o SUV Creta na linha de produtos da marca.
Não substituiria o veterano hatch imediatamente, apesar de ser o primeiro Hyundai de produção nacional e que completará exatos 14 anos em setembro. “Eles conviverão até quando o mercado demandar”, disse na oportunidade o executivo.
Mas, ao que parece, os consumidores, ou o mercado, estão indicando que esse “quando” está muito próximo. Passados apenas dois meses do desembarque do i20 nas concessionárias é possível afirmar, com boa dose de convicção, que se trata de bem pouco tempo, meses apenas.
Sinais evidentes desse natural e necessário processo de sucessão são os licenciamentos acumulados desde então, tanto de um quanto do outro modelo.
Se nas três semanas finais de junho foram emplacadas 676 unidades do i20, em julho o novo carro encostou em 2,7 mil licenciamentos, como aponta a Fenabrave.
Não seria nada excepcional se, na contramão, o HB20 não tivesse recuado de 6,9 mil unidades para pouco mais de 3 mil de um mês para o outro e despencado da sexta para a 27ª colocação no ranking dos carros de passeio.
A canibalização das vendas segue agora em agosto. Contabilizados os licenciamentos dos primeiros 19 dias do mês, o i20 praticamente repetiu o desempenho de todo o mês de julho, com 2.435 emplacamentos, e se mostra à frente do HB20, que somou 2.030 unidades.
Ou seja, o i20 tem tudo para encerrar o mês já como o segundo carro mais vendido da Hyundai. Isso porque o Creta tem registradas mais de 4,7 mil unidades negociadas até o dia 19, foi o automóvel de passeio mais vendido do País nesse período e é pouco provável que seja ultrapassado por qualquer um dos irmãos menores.
Após o encerramento de agosto, o SUV também deve assumir a condição de modelo da marca líder de vendas em 2026. Até julho, estava praticamente empatado com o HB20, somente 161 unidades a menos — 41.966 contra 41.805 — ,diferença pulverizada nos primeiros dias deste mês.
Falta espaço na linha também
Tanto quanto a atração que um novo produto, apoiado por campanha publicitária e esforços das próprias concessionárias, exerce sobre os consumidores, é sabido também que a fábrica de Piracicaba, SP, sempre teve, para utilizar uma eficiente expressão popular, o cobertor curto na produção.
Alto grau de ocupação, mesmo trabalhando em três turnos, tem sido a tônica da planta, mesmo com as várias atualizações tecnológicas e ampliações que permitiram aumentar a capacidade produtiva dos iniciais 150 mil veículos para pelo menos, como frisa Cousseau, 215 mil agora.
Creta, HB20 e o sedã HB20S, que deixou de ser fabricado para a chegada do i20, em diferentes momentos dessa década e meia tiveram oferta limitada para que Piracicaba atendesse à maior demanda pontual de um deles.
Quase certo, não esta sendo diferente agora e pouco deve mudar nos próximos meses, uma vez que o aposentado HB20S era o modelo de menor procura e, por isso, menos fabricado. Em 2025, o sedã teve 37 mil unidades vendidas, 17% do total da marca, contra 76,2 mil do Creta e 85 mil do HB20.
Cousseau declarou que da atual capacidade da fábrica paulista algo próximo de 75 mil unidades serão destinadas ao Creta e o restante atenderá à procura por HB20 e i20. Se em iguais partes, seriam 70 mil para cada um.
É pouco para as ambições da Hyundai com o i2o e até mesmo para o HB20, caso a montadora queira manter até o fim do ano a média mensal de 6 mil unidades vendidas de janeiro a julho, a mesma de igual período de 2025 e ainda impactada pela abrupta queda do mês passado.
Tudo indica, então, que a prioridade deve ser mesmo o i20. E, é bom lembrar, a produção de Piracicaba cobre ainda a oferta para países da América do Sul e o i20, primeiro de uma nova família de carros que será produzida sobre a nova plataforma K3, precisará transpor as fronteiras muito em breve de forma a não gerar um hiato de vendas no exterior sempre difícil de recuperar.
Da redação
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