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Anfavea reage a pressão sobre elétricos
Entidade defende manutenção das regras atuais e alerta para impactos econômicos e industriais no país

Anfavea reage a pressão sobre elétricos
A Anfavea divulgou uma carta aberta em defesa da manutenção do cronograma de recomposição das tarifas para veículos elétricos importados. (Foto: IA)

Publicado em 23/06/2026

A Anfavea divulgou na última semana, carta aberta para reafirmar a importância de se preservar, integralmente, o cronograma de recomposição tarifária para importação de automóveis elétricos e de se manter o fim das cotas de importação de kits para a montagem de veículos sem o devido recolhimento de tributos.

O documento foi emitido após pressão da BYD junto ao governo federal para que sejam reativadas as cotas de importação de elétricos livres de impostos, expiradas em janeiro, e postergada a alíquota de 35% que entra em vigor no próximo mês para unidades SKD/CKD (desmontadas e semidesmontadas).

Após divulgar a carta aberta, a Anfavea informou ter encaminhado o documento ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Manifesto similar, também encaminhado a Lula, foi emitido no final da tarde desta sexta-feira, 19, pelo Sindipeças.

A mudança no cronograma das alíquotas pode ser tratada na reunião do Gecex (Comitê Executivo da Câmara de Comércio) na próxima terça-feira.

Para a Anfavea, “manter as medidas tal como foram anunciadas é assegurar a previsibilidade e a estabilidade das regras sobre as quais o setor automotivo decidiu investir no País”.

A entidade lembra que a política de transição das alíquotas de importação para veículos elétricos foi estabelecida em 2023 e aperfeiçoada em 2025, após processo de discussão entre o governo e setor produtivo.

“O cronograma vigente é uma solução equilibrada, que conciliou o necessário avanço da eletrificação no País com a necessidade de estimular investimentos locais”, destaca a Anfavea na carta aberta.

A entidade ressalta que 11 novas marcas chegaram ao mercado brasileiro somente no primeiro trimestre deste ano, com os estoques de carros importados atingindo o equivalente a 150 dias de vendas.

“Isso mostra que o período de redução de tarifas vem sendo usado por algumas empresas para o abastecimento antecipado, o que certamente distorcerá as condições comerciais oferecidas pelos competidores brasileiros”, avalia a entidade que representa as montadoras aqui instaladas.

A Anfavea também lembra que as suas associadas aceleraram a ampliação de portfólio, associando-se a novas marcas e robustecendo os planos de fabricação nacional, “tudo sem pedir cotas ao governo ou qualquer mudança nas regras previamente acordadas”.

Estudo da associação aponta que a eventual massificação da fabricação de veículos com o uso de kits importados significaria perda potencial de R$ 96,8 bilhões em vendas para o setor de autopeças, redução de R$ 24,3 bilhões em arrecadação para o governo federal e a eliminação de cerca de 68 mil empregos diretos e 191 mil em toda a cadeia.

 

 

Da redação

Fonte: AutoIndústria

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