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Saiba como escolher obras de arte para transformar seus ambientes
Curadoria ajuda a integrar obras de arte ao projeto e reforçar a identidade dos espaços

Saiba como escolher obras de arte para transformar seus ambientes
Obras de arte podem assumir diferentes funções na arquitetura de interiores, desde criar pontos de destaque até se integrar discretamente ao ambiente. (Foto: JP Image)

Publicado em 12/08/2026

A escolha de uma obra de arte para um ambiente vai muito além da preferência estética. Na arquitetura de interiores, pinturas, esculturas e outras expressões artísticas precisam dialogar com a proposta do espaço, com os elementos da decoração e, principalmente, com a história e os gostos de quem irá ocupá-lo.

Para a arquiteta Patricia Penna, esse processo envolve uma verdadeira curadoria. A profissional considera que a presença da arte pode transformar a atmosfera de um projeto e contribuir para transmitir sensações e significados. Entre os critérios avaliados estão a estética do ambiente, as características do morador, suas preferências pessoais e sua trajetória, além da relação entre a obra e a arquitetura.

A importância atribuída à estética também encontra respaldo na visão do filósofo britânico Roger Scruton, para quem a experiência do belo é capaz de elevar o espírito humano, aproximá-lo do sagrado e conferir sentido à existência.

A obra também conta uma história

A curadoria artística costuma fazer parte dos projetos desenvolvidos por Patricia. O trabalho pode envolver a indicação de peças para aquisição, pesquisas em galerias e a busca por artistas que tenham uma produção compatível tanto com o projeto quanto com o perfil do cliente.

Segundo a arquiteta, esse acompanhamento permite explorar diferentes períodos, linguagens e momentos da história da arte. A seleção, dessa forma, não se limita à função decorativa, mas pode criar narrativas e reflexões dentro dos espaços.

“Tenho um prazer muito grande de acompanhar os movimentos artísticos e de buscar novos nomes, principalmente os nacionais, que estão ganhando status por seus estilos arrojados e as técnicas”, afirma Patricia.

Outra situação recorrente é quando o próprio morador já possui obras em seu acervo. Para a profissional, incorporar essas peças ao projeto pode reforçar a identidade do ambiente e torná-lo ainda mais particular.

“Sem dúvidas, isso agrega ainda mais personalidade ao resultado que almejamos”, acrescenta.

Gosto pessoal, exclusividade e investimento

A aquisição de uma obra pode ocorrer por diferentes razões. O encantamento provocado pela peça é um dos principais fatores e também ajuda a profissional a compreender melhor as preferências de quem viverá naquele espaço.

A partir dessa percepção, Patricia avalia qual será o papel da obra na composição. Dependendo da relação estabelecida com o morador e das características do ambiente, ela pode ocupar um lugar de destaque ou aparecer de maneira mais discreta, integrada aos demais elementos.

Também entram nessa decisão questões como a possibilidade de valorização da obra ao longo do tempo e o caráter de exclusividade que uma peça de arte pode proporcionar.

Ainda assim, Patricia ressalta que a obra não deve ser tratada como um elemento independente. Sua escolha precisa considerar todo o conjunto arquitetônico.

Revestimentos, móveis, marcenaria planejada e tecidos são alguns dos componentes que interferem na definição das peças. Todos esses elementos ajudam a estabelecer os parâmetros para que a arte se encaixe de maneira equilibrada na proposta.

“Para a harmonia que buscamos eu também preciso considerar o diálogo que elas estabelecerão dentro do décor”, explica.

Diferentes estilos podem ocupar o mesmo espaço

Na hora de organizar as obras, não é necessário seguir uma única linguagem artística. Patricia aponta que diferentes estilos podem ser relacionados na composição, como a produção acadêmica, cubista, abstrata, impressionista e cinética.

A combinação pode partir de elementos como cores ou artistas. Outra possibilidade é organizar as peças seguindo uma sequência temporal, criando uma espécie de percurso pela história da arte.

“Também podemos designar uma linha do tempo, entregando um contexto histórico”, menciona.

A arquiteta, entretanto, destaca que não há uma fórmula rígida para distribuir as obras. As escolhas podem seguir diferentes caminhos estéticos e também levar em consideração aspectos sensoriais.

Iluminação precisa ser controlada

Depois de escolhidas e posicionadas, as obras ainda dependem de outro cuidado: a iluminação. Segundo Patricia, a luz deve ser planejada para não prejudicar a observação da peça.

O direcionamento precisa utilizar um feixe controlado, evitando que a iluminação ofusque quem observa. O excesso de luz, além de comprometer a apreciação, também pode provocar danos à obra.

“São pequenos refletores com lentes especiais para focar, milimetricamente, a obra – seja tela, escultura, ou outro tipo de obra. Além disso, o sistema oferece proteção UV que impede o desbotamento ou danos”, explica Patricia ao falar sobre o recurso que utiliza, conhecido como Olho de Moscou, um spot embutido no forro.

Conservação começa pela identificação da obra

Os cuidados de manutenção também devem considerar o material e o tipo de arte. Antes de realizar qualquer procedimento de limpeza, a recomendação é identificar a natureza da peça.

Para o acúmulo cotidiano de poeira, a arquiteta indica o uso de um espanador macio. Em situações que exigem procedimentos específicos, a orientação é buscar informações diretamente com o artista ou com a galeria responsável.

A precaução ajuda a evitar que métodos inadequados provoquem danos e contribui para preservar as características da obra por mais tempo.

 

 

Da redação

Fonte: Viva Decora

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