00:00
21° | Nublado

Tabagismo volta a crescer em SC

Tabagismo volta a crescer em SC
Tabagismo volta a crescer em SC e preocupa. (Foto: Reprodução Unsplash)

Publicado em 06/09/2026

Santa Catarina enfrenta um cenário preocupante no combate ao tabagismo. Mesmo com a redução expressiva do número de fumantes registrada no Brasil nas últimas décadas, o estado continua apresentando índices acima da média nacional e passou a registrar novamente crescimento na prevalência do consumo de cigarros.

O alerta ganha força após o Dia Nacional de Combate ao Fumo, lembrado em 29 de agosto. Para especialistas, além do cigarro convencional, a popularização dos dispositivos eletrônicos para fumar, sobretudo entre adolescentes e jovens, representa um novo desafio para a prevenção da dependência de nicotina.

A pneumologista e coordenadora do Núcleo de Estudos e Tratamento do Tabagismo, Dra. Leila John Marques Steidle, explica que a queda observada no país foi resultado de uma combinação de políticas públicas, campanhas de conscientização e ampliação das ações de controle e tratamento.

Em Santa Catarina, porém, o percentual permanece mais elevado. Enquanto o consumo de cigarros convencionais alcança aproximadamente 9% a 10% da população adulta brasileira, no estado a proporção chega a cerca de 13%.

Cigarros eletrônicos entram no radar

Para a médica, uma das hipóteses para a retomada do tabagismo está relacionada justamente à disseminação dos cigarros eletrônicos. A experimentação desses produtos tem aumentado entre as novas gerações, e estudos indicam que quem utiliza dispositivos eletrônicos apresenta maior probabilidade de posteriormente consumir cigarros convencionais ou combinar os dois tipos.

“A gente acredita que esse aumento da prevalência do cigarro que queima tenha como uma das portas de entrada o eletrônico, principalmente nos últimos três ou quatro anos”, explica Leila.

O problema, segundo a especialista, é que a experimentação de produtos com nicotina não pode ser considerada inofensiva. A substância apresenta elevado potencial de dependência e novas formulações podem facilitar uma exposição ainda maior.

Algumas dessas formulações diminuem a irritação imediata provocada nas vias respiratórias. Com isso, o usuário pode consumir grandes quantidades de nicotina sem perceber de maneira tão evidente os efeitos da exposição.

“No cigarro convencional, sintomas como tosse e pigarro costumavam acompanhar o início do consumo. Com os eletrônicos, essa percepção pode ser diferente, facilitando uma exposição elevada à nicotina”, afirma.

Dependência vai além do hábito

A dependência de nicotina é considerada uma doença e não deve ser encarada apenas como um hábito, um vício ou uma questão de falta de força de vontade. Em muitos casos, o abandono do consumo exige acompanhamento e tratamento especializado.

A mudança na forma de consumir nicotina também tem provocado uma alteração na maneira como o problema é descrito pelos especialistas. A preocupação deixa de estar restrita ao tabagismo tradicional e passa a incluir o chamado “nicotinismo”, diante da utilização da substância em diferentes dispositivos e formulações.

Os efeitos da exposição, por sua vez, não ficam limitados aos pulmões. Tosse frequente, aumento da produção de muco e infecções respiratórias recorrentes podem estar entre as primeiras manifestações.

De acordo com Leila, as substâncias presentes nos dispositivos eletrônicos prejudicam os mecanismos naturais de defesa das vias aéreas. Pessoas que já têm asma podem apresentar agravamento da doença, enquanto indivíduos que não possuem a condição também podem ficar mais suscetíveis a problemas respiratórios.

Riscos atingem também coração e circulação

A nicotina também interfere no sistema cardiovascular. A substância atua sobre os vasos sanguíneos e está associada ao aumento da pressão arterial e a alterações na circulação.

A exposição contribui ainda para o risco de eventos graves, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Em casos avançados de doença arterial, podem surgir complicações severas, incluindo a necessidade de amputações.

Entre as doenças que mais preocupam os especialistas está a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), que inclui o enfisema pulmonar. Nos quadros mais avançados, a falta de ar pode se tornar intensa, levando à necessidade de oxigênio, medicamentos inalatórios e internações frequentes em razão de infecções respiratórias, como pneumonia.

Outro risco associado ao tabagismo é o câncer de pulmão. A doença também está no foco do Agosto Branco, campanha voltada à conscientização e ao diagnóstico precoce.

Um dos desafios é identificar o câncer antes que ele avance. Conforme a pneumologista, muitos pacientes chegam aos serviços de saúde quando a doença já está em estágio avançado, reduzindo as possibilidades de tratamento.

Para pessoas que apresentam maior risco, existem estratégias de rastreamento, entre elas a tomografia computadorizada com baixa dose de radiação, capaz de auxiliar na identificação precoce de alterações.

Procura por tratamento existe

Apesar da dificuldade para abandonar a nicotina, a busca por ajuda demonstra que existe interesse entre os fumantes em interromper o consumo. Leila cita, como exemplo, uma das chamadas realizadas em um projeto de extensão do qual participa, que recebeu cerca de 100 inscrições de pessoas interessadas em tratamento.

O desafio está também na disponibilidade dos serviços. Embora o Brasil tenha assumido compromissos relacionados à prevenção e ao tratamento do tabagismo, a oferta de atendimento ainda não ocorre de maneira uniforme.

O tratamento, segundo a especialista, precisa ir além da prescrição de medicamentos. É necessário também trabalhar mudanças comportamentais e desenvolver estratégias para que o paciente consiga enfrentar a dependência e manter a abstinência.

Prevenção começa antes da primeira experiência

Para quem nunca consumiu produtos com nicotina, principalmente crianças, adolescentes e jovens, a recomendação é evitar a experimentação. A prevenção é considerada fundamental diante do potencial de dependência da substância.

Já para quem desenvolveu dependência, a orientação é procurar acompanhamento profissional. Pessoas com histórico significativo de tabagismo também devem conversar com profissionais de saúde sobre os riscos do consumo, a necessidade de acompanhamento e a possibilidade de realizar exames que contribuam para a identificação precoce de doenças relacionadas ao tabagismo.

 

 

Da redação

Fonte: Alesc

Para receber notícias, clique AQUI e faça parte do Grupo de WHATS do Imagem da Ilha.

Gostou deste conteúdo? Compartilhe utilizando um dos ícones abaixo!

Pode ser no seu Face, Twitter ou WhatsApp!

Para mais notícias, clique AQUI

Siga-nos no Google notícias

Google News