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SUS ganha plano para impactos do El Niño

SUS ganha plano para impactos do El Niño
O Ministério da Saúde apresentou um plano nacional de preparação do SUS para os possíveis impactos do El Niño 2026-2027. (Foto: Roberto Zacarias / Ascom Defesa Civil de SC)

Publicado em 30/08/2026

O Ministério da Saúde apresentou, nesta semana, em Brasília, um plano nacional para preparar o Sistema Único de Saúde (SUS) para os possíveis efeitos do El Niño 2026-2027. A proposta foi discutida durante a 7ª Assembleia do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), que reuniu gestores estaduais para tratar das medidas de prevenção e resposta diante do fenômeno climático.

A previsão é de que o período de maior atenção ocorra entre outubro de 2026 e março de 2027. Atualmente, o El Niño é considerado “forte” e pode chegar à categoria “muito forte” já em setembro.

Impactos variam entre as regiões

Os efeitos esperados não devem ser iguais em todo o país. No Norte e no Centro-Oeste, a preocupação envolve principalmente seca, estiagem e queimadas. No Nordeste, o cenário previsto inclui intensificação da seca e temperaturas elevadas.

Já no Sudeste, o fenômeno pode favorecer ondas de calor e temporais. No Sul, a principal preocupação está relacionada às chuvas intensas e à possibilidade de inundações.

Segundo o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, a estratégia de preparação foi estruturada em cinco frentes. Entre elas estão a criação de uma Sala de Situação de Emergências Climáticas para fortalecer a articulação entre os governos, além da Sala de Situação Saúde e Clima, voltada à coordenação interna do ministério.

O planejamento também contempla a disponibilidade de recursos e kits emergenciais de assistência farmacêutica, a atuação da Força Nacional do SUS (FN-SUS) e a organização dos serviços de saúde conforme as particularidades de cada bioma. A FN-SUS contará com bases regionais preparadas para mobilizar equipes em até 48 horas.

Monitoramento e identificação de riscos

Para acompanhar os efeitos do clima e auxiliar na tomada de decisões, o Ministério da Saúde utiliza ferramentas como o Painel Nacional de Excesso de Calor, o VigiAR, voltado à vigilância de populações expostas a poluentes atmosféricos, e o GeoRisk.

Também fazem parte da estratégia os Centros de Informação em Saúde e Clima (CISC), atualmente em projeto-piloto em oito municípios das cinco regiões brasileiras.

A proposta prevê ainda a integração de sistemas de vigilância, entre eles o e-SUS Notifica, o Sivep-Gripe e o Sinan. A medida deve contribuir para identificar de forma antecipada possíveis surtos relacionados aos impactos climáticos.

Adaptação às mudanças climáticas

Além das ações específicas para o próximo ciclo do El Niño, o Ministério da Saúde mantém uma estratégia de médio prazo por meio do Plano Setorial de Adaptação à Mudança do Clima, o AdaptaSUS.

O plano estabelece 27 metas e 93 ações com horizonte até 2035. Entre as iniciativas está o reforço da segurança hídrica em regiões sujeitas à seca e à estiagem.

Nesse contexto, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) contratou 18,8 mil cisternas para 397 municípios de sete estados. O investimento previsto é de R$ 226,6 milhões para unidades de melhoria sanitária.

Atenção especial à Amazônia

Na Amazônia, o planejamento leva em conta as dificuldades de acesso enfrentadas por parte da população. A preparação considera a estrutura da rede de atendimento disponível nessas áreas, incluindo equipes de saúde e Unidades Básicas de Saúde Fluviais.

O Ministério da Saúde também prevê a criação de um painel de especialistas em clima e saúde. Uma portaria para instituir o grupo deverá ser publicada nos próximos dias.

A função do painel será oferecer suporte técnico às decisões relacionadas às ações de preparação e resposta aos impactos provocados pelos eventos climáticos.

 

 

Da redação

Fonte: Governo Federal

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