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STF expõe crise interna no Dia da Democracia

STF expõe crise interna no Dia da Democracia
No Dia Internacional da Democracia, celebrado nesta terça-feira (15), uma sessão extraordinária do STF foi marcada por discussões acaloradas entre ministros. (Foto: Print TV Justiça)

Publicado em 15/09/2026

A sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal neste 15 de setembro — pautada pelo Min. Presidente Edson Fachin para decidir sobre a abertura de investigações envolvendo ministros da própria Corte — não expôs apenas o ápice de uma crise interna institucional; escancarou as entranhas do próprio país. Por trás dos rebuscados “Vossa Excelência”, do vernáculo empolado e das togas de seda, o que se viu na troca de farpas diretas entre ministros, aos gritos de “é mentira!” e acusações veementes de conduta “leviana”, foi a estética de uma briga de quinta série. Sob a superfície da polidez ritualística, a liturgia do cargo sucumbiu à mesquinharia da vaidade humana.

A origem desse incêndio atende por um nome que operou como um “reator Vorcaro”: não um "homem-bomba" movido por martírio, mas um centro de gravidade de contaminação radioativa. As apreensões de dados, agendas informais e trocas de favores ligadas a Daniel Vorcaro funcionaram como a ruptura do vaso de contenção da república. Quando o reator derreteu, a radiação não escolheu gabinetes: os estilhaços contiveram registros que forçaram suspeições, declarações de impedimento e arranharam a ilibada fachada da mais alta Corte.

Nesse tabuleiro, o debate desceu ao chão com a introdução de termos como o “pixuleco eleitoral”, escancarando como o vocabulário da corrupção rasteira invadiu a mais alta tribuna do país. O que estava em jogo no Plenário já não era a busca límpida pela verdade ou pela apuração rigorosa dos fatos. A verdadeira estratégia foi a manobra da complexidade: fabricar um emaranhado processual onde, quanto mais complexo e labiríntico o caso se tornava, melhor para paralisar o andamento.

Para a maioria dos advogados e cidadãos que dependem da Justiça brasileira, esse espetáculo contrapõe-se à dura realidade diária de invisibilidade. A rotina cotidiana da advocacia envolve:

Falta de agenda básica: milhares de processos aguardam meses sem que os advogados consigam sequer uma audiência de cinco minutos com a assessoria dos ministros para despachar causas urgentes. Para piorar, são julgados em lotes e muitas vezes com o uso de inteligência artificial que não admite os recursos. Já no julgamento em tela, a leitura dos votos e debate dura horas.

Assimetria de acesso: O diálogo institucional que é escasso para a maioria dos cidadãos sobra no Plenário na forma de apartes exaltados, ironias e acusações recíprocas entre os pares.

Nesse cenário, a “espetacularização” tomou o centro do palco.

A amarga ironia da data torna o quadro ainda mais marcante: este 15 de setembro marca o Dia Internacional da Democracia, instituído pela ONU em 2007 para celebrar o diálogo, a transparência e a força das instituições. Quando a data criada para honrar a maturidade política internacional coincide com a exibição de bate-bocas acalorados, expressões mofadas de bastidor, manobras de enredamento burocrático e a espetacularização da crise na mais alta instância do país, o resultado não é celebração, mas um espelho incômodo. Revela-se a verdadeira fratura exposta da república: uma elite institucional desconectada da ponta, entregue ao espetáculo midiático e entretida com a sofisticação de suas próprias manobras.

Por, Willian Máximo e Leonardo Fornari – advogados.

 

 

 

Da redação

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