Setembro Amarelo alerta para saúde mental em SC
O Setembro Amarelo volta a colocar a prevenção ao suicídio e os cuidados com a saúde mental no centro do debate. Em Santa Catarina, os números mostram a dimensão do problema: o Estado registrou 962 suicídios em 2023, contra 769 em 2020, um aumento de 25%. Entre as vítimas registradas em 2023, 76% eram homens.
A campanha, que tem como mote em 2026 “Escutar é estar presente”, busca estimular o diálogo, reduzir o estigma em torno da saúde mental e reforçar a importância de reconhecer situações de sofrimento antes que elas se agravem. O Dia Mundial de Prevenção do Suicídio é celebrado em 10 de setembro.
Mudanças de comportamento podem indicar sofrimento
De acordo com o psicólogo Mateus Rodrigues, a prevenção não começa somente quando ocorre uma emergência. A atenção aos sinais apresentados no dia a dia pode ajudar a identificar que alguém está passando por dificuldades.
Isolamento repentino, afastamento de familiares e amigos, perda de interesse por atividades que antes despertavam prazer e alterações significativas na rotina estão entre os comportamentos que merecem atenção. O aumento do consumo de álcool e outras substâncias e a adoção de comportamentos de risco também podem indicar uma mudança importante.
Em situações de sofrimento mais intenso, podem aparecer crises de ansiedade, episódios frequentes de choro, desesperança e manifestações relacionadas à morte ou à falta de sentido na vida. Segundo o especialista, esses sinais não devem ser tratados como exagero ou ignorados.
Rede de apoio tem papel fundamental
A prevenção não depende apenas da pessoa que está enfrentando o sofrimento. Familiares, amigos, escolas, locais de trabalho e a comunidade também podem contribuir para criar ambientes nos quais seja possível falar sobre saúde mental sem julgamentos.
Ouvir, demonstrar preocupação e estar disponível são atitudes importantes. A orientação é evitar respostas que minimizem o sofrimento ou culpabilizem quem está passando pela situação.
O psicólogo destaca ainda que o enfraquecimento dos vínculos presenciais, em uma rotina cada vez mais marcada por celulares, computadores e redes sociais, torna ainda mais importante o fortalecimento das relações humanas e da capacidade de perceber e ouvir o outro.
Números chamam atenção em Santa Catarina
Além dos 962 suicídios registrados em 2023, dados citados pela Alesc apontam que foram contabilizados 41 óbitos entre crianças e adolescentes de 10 a 19 anos naquele ano.
As notificações de tentativas também revelam a dimensão do problema. Em 2024, Santa Catarina registrou cerca de 19 mil tentativas de suicídio notificadas. Já o SAMU/SC contabilizou, até o fim de agosto daquele ano, 2.645 chamadas relacionadas a tentativas de suicídio, com equipes enviadas para 1.840 ocorrências.
No cenário nacional, foram registrados 15.507 suicídios em 2021, segundo dados do Ministério da Saúde. A reportagem também destaca estimativas da Organização Mundial da Saúde segundo as quais cerca de 18 milhões de brasileiros convivem com ansiedade e 12,7% da população apresenta depressão.
Prevenção também virou política pública
Em Santa Catarina, o Setembro Amarelo foi incorporado à legislação estadual. A Lei 17.558/2018 instituiu oficialmente a campanha, o Dia Estadual de Prevenção ao Suicídio, celebrado em 10 de setembro, e a Caminhada Anual pela Vida. Posteriormente, essas iniciativas foram consolidadas pela Lei 18.531/2022.
Entre os objetivos previstos estão a realização de palestras e seminários, a capacitação de profissionais de saúde para identificar situações de risco, a divulgação de informações, a criação de canais de atendimento, o monitoramento de casos e o estímulo ao debate sobre o suicídio e suas causas.
A Assembleia Legislativa de Santa Catarina também mantém iniciativas voltadas à saúde mental. Em 2025, por exemplo, promoveu a campanha “O que me faz bem”, direcionada aos servidores e com foco na valorização da vida.
Buscar ajuda não precisa esperar uma crise
O acompanhamento profissional pode ser procurado diante de mudanças persistentes de comportamento, perda de motivação ou prazer, isolamento, conflitos recorrentes, uso abusivo de substâncias e episódios de automutilação.
A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) oferece atendimento por meio de estruturas como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e as Unidades Básicas de Saúde. Em situações de emergência, a recomendação é procurar imediatamente um serviço de urgência ou acionar o atendimento de emergência.
Também é possível buscar o Centro de Valorização da Vida (CVV) pelo telefone 188. O serviço oferece atendimento gratuito, sigiloso e anônimo, 24 horas por dia.
Mais do que concentrar a discussão em setembro, a campanha reforça que a atenção à saúde mental deve permanecer durante todo o ano. Reconhecer sinais, manter vínculos, oferecer escuta e procurar ajuda profissional quando necessário são atitudes que podem fazer parte de uma rede permanente de prevenção e cuidado.
Da redação
Fonte: Alesc
Para receber notícias, clique AQUI e faça parte do Grupo de WHATS do Imagem da Ilha.
Gostou deste conteúdo? Compartilhe utilizando um dos ícones abaixo!
Pode ser no seu Face, Twitter ou WhatsApp!
Para mais notícias, clique AQUI
Outros posts Ver todos
21° | Nublado


