Seminário em SC amplia debate sobre inclusão
A Assembleia Legislativa de Santa Catarina recebeu, nesta segunda-feira (21), a 8ª edição do Seminário de Prevenção e Saúde da Pessoa com Deficiência Intelectual e/ou Múltipla. Realizado no Auditório Deputada Antonieta de Barros, em Florianópolis, o encontro reuniu profissionais, especialistas, autoridades, familiares e representantes das Apaes para discutir saúde, autonomia, prevenção e inclusão.
O evento ocorreu no Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado em 21 de setembro e instituído pela Lei Federal 11.133/2005. A programação teve como tema “Saúde, Respeito e Inclusão: Todas as pessoas merecem ser valorizadas em sua trajetória”.
A iniciativa foi promovida pela Alesc, por meio da Escola do Legislativo Deputado Lício Mauro da Silveira e da Comissão de Saúde, com apoio da Federação das Apaes de Santa Catarina (Feapaes-SC).
Rede atende mais de 32 mil pessoas
A dimensão da estrutura de atendimento às pessoas com deficiência em Santa Catarina também foi destacada durante o seminário. A Feapaes-SC reúne atualmente 200 Apaes e uma entidade congênere filiada, alcançando mais de 32 mil usuários e pessoas com deficiência em todo o estado.
A vice-presidente da Federação, Janice Krasniak, defendeu a aproximação entre diferentes áreas das políticas públicas para ampliar a qualidade do atendimento. Segundo ela, a integração entre saúde, educação e assistência social é necessária para fortalecer a rede e buscar novas soluções.
Janice também ressaltou a importância dos profissionais que atuam diretamente no atendimento, relacionando a valorização dessas equipes à garantia de dignidade, direitos, autonomia e qualidade de vida para as pessoas com deficiência.
Primeira infância e envelhecimento
Entre os assuntos abordados esteve o envelhecimento das pessoas com deficiência. A presidente da Fundação Catarinense de Educação Especial (FCEE), Jeane Rauh Probst Leite, destacou que a atenção precisa contemplar diferentes fases da vida, incluindo a primeira infância e a velhice.
De acordo com Jeane, a estimulação precoce é um dos pontos que exigem atenção. Atualmente, cerca de 12 mil crianças são atendidas pela Fundação. Ela também apontou a necessidade de uma atuação articulada entre Estado e municípios para melhorar o fluxo de atendimento.
Outro destaque foi a necessidade de preparar a rede para o aumento da longevidade das pessoas com deficiência. A discussão foi aprofundada na palestra de Tanara Zatti, especialista em Educação Inclusiva pela Udesc e mestra em Educação.
A profissional abordou a importância do trabalho multiprofissional no atendimento às pessoas com deficiência idosas. A proposta é considerar, além dos cuidados de saúde, aspectos como autonomia, convivência familiar, participação social e qualidade de vida.
Pessoas com deficiência participam dos debates
A participação das próprias pessoas com deficiência também esteve entre os pontos destacados no encontro. A autodefensora da Federação das Apaes de Santa Catarina, Isabelli Macedo de Ávila, ressaltou que a inclusão deve considerar a pessoa com deficiência como protagonista de sua própria trajetória.
O coordenador da Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Alesc, David Crispim dos Passos, destacou o papel de iniciativas como o seminário na formação e na discussão permanente sobre os direitos desse público.
Ele também chamou atenção para a necessidade de cuidar dos profissionais que integram a rede de atendimento, incluindo a atenção à saúde mental das equipes e das pessoas envolvidas diretamente no trabalho das Apaes.
Programação reúne diferentes temas
A programação do seminário inclui discussões sobre prevenção, atendimento multiprofissional, envelhecimento e políticas públicas. Após a palestra de Tanara Zatti, o evento conta com relatos de experiências de representantes das Apaes.
Durante a tarde, estão previstas as palestras “Intervenção na Primeira Infância: Caminhos Possíveis e Evidências Atuais”, com Natalia Diniz, e “Aprimorando Condutas e Promovendo Aprendizagem de Pessoas com Transtorno do Espectro Autista”, apresentada por Ana Mota.
A proposta do encontro é aproximar profissionais, famílias, instituições e representantes do poder público para compartilhar experiências e ampliar o debate sobre atendimento e garantia de direitos. Entre os objetivos estão o fortalecimento da autonomia, da participação social e da qualidade de vida das pessoas com deficiência em diferentes etapas da vida.
Da redação
Fonte: Alesc
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